Subindo
a ladeira, apressada
Já vem Dona Maria, pés descalços
Cabelos desgrenhados, roupa em desalinho
Chega junto ao jardim, com alegria
Estende a mão, abaixa-se , afoita
Vai colher lindas rosas, viçosas
Ouve
um grito do jardineiro
- Não colha rosas Dona Maria!
Ela apressada, arranca de qualquer
Jeito, um buquê de rosas Vermelhas
E sai correndo, correndo, para a igreja
Como a se abrigar na paz de Deus,
Dona Maria ajoelha-se e parece rezar
Na sua mansa loucura, agora
Colhe flores das jarras do altar
No
passado, Dona Maria fora jovem rica
Freqüentava as festas , exibindo beleza
Seus cabelos negros desciam até o colo
E sua silhueta deslizava-se pelos salões
Era disputada pelos rapazes enamorados
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Dona
Maria fazia parte de nossa paisagem,
Sempre tentando colher rosas, era amada
Por todos os cantos ela estava serena
Pés descalços, cabelos desgrenhados,
Roupa em desalinho, era figura estranha...
Um
dia, não mais se viu Dona Maria
Ela presa na cama, não andava
E a praça ficava vazia...
As flores do altar não eram colhidas
E todos perguntavam : Onde está Dona Maria?
Tanto
sofreu na cama a coitada
Que um dia Não mais suportou
Morreu... Dona Maria! Que pena, todos clamavam
O enterro foi muito concorrido
Todos de cabeça baixa acompanhavam
Dona Maria, que entrava no cemitério
Os portões rangendo, abrem-se com pressa
E Dona Maria desce à sepultura feliz
Em meio às flores que tanto amou...
Natércia
Magalhães
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