SERIA PECADO

 

Transcorria o ano de 1993, e já não estava entre nós o criador deste pequeno império - a Salibras S/A Indústria e Comércio. Uma fábrica de sonhos e realizações era o que representava a Empresa, que gerou empregos, riquezas e divisas. Porem, como quis o destino, o principal executivo faleceu, assumindo o seu lugar um Administrador com formação superior, no entanto sem nenhuma experiência administrativa, e o que é pior, sem um pingo de sensatez e força de vontade. E com esta pouca afeição aos negócios herdados destruiu sonhos e uma realidade cristalina num curtíssimo período, deixando um gosto amargo de derrota bem no fundo da alma e um corte profundo no coração de todos os envolvidos, que acredito não cicatrizara jamais.

Tudo começou, ou seja, chegou ao fim, devido o desaparecimento prematuro de Oswaldo Ribeiro, depois de um curto período de convalescência e sofrimento, pouco mais de seis meses. Vitimado por um câncer fulminante, morria ali, um homem vitorioso, que passou de um simples matuto a um grande Empresário. Líder nato, transformou o mineral sal, num produto respeitado, através da consolidação em todo mercado nacional da marca "Sal Globo", que entre outras benfeitorias , levou o nome do Espirito Santo para todos os recantos do Brasil.

Seria até pecado se a Empresa sobrevivesse diante da aplicação de "modernos métodos administrativos", utilizado pelos novos executivos. Com uma administração voltada para as teorias e com pouco apego ao que já fora conquistado, seria um pecado alguma coisa dar certo. E infelizmente não deu, e tudo que fora construído durante anos foi jogado fora, como se joga um bagaço de laranja , sem sequer aproveitar uma semente.

Vejam bem, num ato insano, essa administração, demitiu parte do efetivo que operava o departamento financeiro, colocando em seu lugar uma pessoa mal preparada, mal intencionada, que sendo nomeada para a chefiar praticamente toda a área administrativa, trocou peças, colocando gente sem nenhuma qualificação em áreas vitais, como: Tesouraria, Cobrança e contabilidade. Uma radiografia do caos que se transformou a Empresa, fica claro nas primeiras medidas tomadas pelo grande executivo. Trocando em miúdos, na área administrativa trabalhavam no máximo vinte pessoas e foram admitidos umas cinqüenta , inchando e onerando a folha de pagamento. Entre demissões e admissões, o quatro ficou com sessenta funcionários, e o que é pior, o rendimento não mais existiu, ficando a Empresa numa situação de caos, que mesmo bem servida de computadores e bons programas ficou a partir destas mudanças sem nenhuma informação confiável, enfim, tudo era maliciosamente manipulado, ficando as decisões nas mãos inescrupulosas de um insano, que fora nomeado para o cargo de Gerente Administrativo, e este posava de grande executivo e se alto denominava o melhor dos profissionais. Na verdade a Empresa passou a ser um brinquedo comandado por um analfabeto maluco, que não dominava sequer o português, quanto mais o funcionamento da Empresa, que antes destas intervencoes citadas, era muito bem estruturada, enxuta e rentável.

A mosca azul picou o Diretor Presidente e, este nas nuvens levou a Empresa a falência em pouquíssimo tempo. Não dá para acreditar, como que uma Empresa, ancorada por uma marca líder, presente em toda a região sudeste e sul, com um grande faturamento ( R$ 1.200.000,00 mensais) fosse ser dilapidada da forma como foi. Inacreditável, foi a custa de muito ego e soberba que tudo ruiu. Ficamos assistindo a bancarrota, não adiantaram conselhos e sugestões. A Diretoria simplesmente virou as costas para produtividade em prol da futilidade, acreditando cegamente num escroque, que com a chave do cofre na mão fez as maiores barbaridades . Os desatinos do grande executivo, em parte por absoluta incompetência, mas no geral agia por mal caratismo e pilantragem, promovendo desmandos, onde o seu interesse estava acima dos objetivos da empresa. Tudo de mal acontecia, sob os olhos da Diretoria, que não conseguia enxergar que, de forma irresponsável nomeou um desqualificado, transformando este, num passe de mágica, em o "todo poderoso" da companhia.

No entanto, este cidadão que caiu de pára-quedas na empresa, através de um ato irresponsável da Diretoria, e o que menos teve culpa pela falência.O culpado principal é a Diretoria que por falta de vontade, perseverança e sem nenhum bom senso, nomeou pessoa totalmente desqualificada , decretando assim o fim prematuro da Salibras S/A Industria Comercio, uma das empresas mais respeitada do ramo salineiro no Brasil.

Faltou culhão, faltou amor, faltou coragem num terreno fértil onde imperou o narcisismo e a soberba, razão pela qual vidas e sonhos foram jogadas fora. Se a citada administracao desse certo, seria pecado. Deus há de perdoar tantos desmandos, pois o mercado não perdoou – foi implacavel e decretou seu fim.


Domingos Fernando Ribeiro de Rezende
domingosrezende@terra.com.br


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