H I S T Ó R I A S  E  C R Ô N I C A S
A ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO. SERÁ?



Aproveitando o festival de abobrinhas que assolam o site Broinha – FAAB, vamos falar delas. Na botânica, abobrinha é mais conhecida como sendo o fruto verde da aboboreira, parente bem próxima da abóbora, cujas sementes, segundo os entendidos, são um santo remédio para expulsar os vermes do organismo humano. No linguajar popular antigo, abobrinha era como o povo se referia a cédula de mil cruzeiros. Já no site do Broinha, segundo eruditos internautas, abobrinha é a conjugação do verbo abobrinhar, na terceira pessoal do singular, e que define o ato de alguém falar ou escrever sobre assuntos mais que aleatórios. Há quem diga, ainda, que escrever ou falar abobrinha é uma excelente terapia contra o stress, o mal humor e as tensões do trabalho.

Vejam, então, o quão importante é a abobrinha para o ser humano. Sua família, as cucurbitáceas, não só faz parte da cadeia alimentar do Homo sapiens e de outras espécies, como também fornece sementes para o preparo de uma poderosa garrafada, que expulsa os vermes do nosso organismo. Isso já seria suficiente para que a abobrinha se posicionasse em um patamar bem elevado de importância para a humanidade.

Mas, abrindo um parêntesis nessa abobrinha vegetal, vamos tentar falar rapidamente do Homo sapiens, popularmente conhecidos como humanos, para, também, tentar explicar como são formados os verbos e, em especial, o verbo abobrinhar. No início dos tempos, o Homo sapiens, que no início mesmo era só Homo Alguma Coisa e vivia de galho em galho nas árvores, era chegado numa alimentação “balanceada”. As vezes “balanceava” tanto, que o galho em que se encontrava partia e, no chão, era presa fácil para seus predadores.

Um dia, ao cair junto com o galho quebrado, apavorado, segurou o pedaço de madeira e se defendeu como pode dos ataques dos predadores. Tornou-se, então, Homo sapiens e com o passar dos tempos, começou a descobrir que não bastava só se defender, era preciso entender o mundo. Era preciso organizar e dar forma aos pensamentos, entre outras coisas, é claro. Surgia, então, a necessidade de comunicação e com ela as diversas formas: os hieróglifos, desenhos em pedras, sinais, grunhidos, a fala e a escrita, não necessariamente nesta mesma ordem.

Os anos foram passando e a linguagem escrita que, se mal escrita, causava certos embaraços no entendimento do que se pretendia dizer, precisava ter regras. Criaram-se as regras, mas os problemas continuavam. Algumas categorias de Homo sapiens como, por exemplo, quase todos os médicos e boa parte dos engenheiros, não sabiam desenhar, de modo legível, as letras. Eram verdadeiros garranchos pré-hieróglifos e pré-cuneiformes. Percebeu-se que, por puro desinteresse ou desleixo das pessoas, o caderno de caligrafia não estava mais sendo usado. Então, graças ao sobrenome sapiens, mais tarde foi criada a máquina de escrever e, posteriormente, o computador. Mas isto são outros quinhentos contos, visto que para alguns o computador é uma revolução, para outros, uma evolução e para os mais ortodoxos, uma involução.

Voltando um pouco no tempo, bem antes da criação do caderno de caligrafia, foi preciso, urgentemente, organizar as palavras. Criou-se, então, e com a brevidade que se fazia necessária, o léxico para vocalizar a linguagem. Ai veio um problema que perdura até os dias atuais. Talvez, devido à urgência na criação dos verbos, nem todos foram lembrados, e isso criou e ainda cria, uma confusão danada na hora verbalizar nossas estórias mais desvairadas e deslavadas.

Fechando o parêntesis do Homo sapiens e, agora, fundindo o vegetal abobrinha com as necessidades atuais de se escrever estórias e assuntos aleatórios, aliado à riqueza de nossa língua pátria e a sua inacabada capacidade de criação dos verbos, surge uma luz no fim do túnel. Quando estamos afim de escrever coisas totalmente descompromissadas com a realidade, com tudo e com todos e até mesmo com o próprio assunto que estamos escrevendo, o que estamos fazendo? Como classificar essa ação? O correto seria verbalizar a ação, mas com qual verbo? Com a ajuda do filólogo e gourmet Almir The Killer que, recentemente, fez um arrazoado sobre os assuntos pouco sérios discutidos no nosso site “O Broinha”, eis que surge novo vocábulo no nosso léxico - Abobrinha.

Abobrinha, assim mesmo na 3ª pessoa do singular, pode ser classificada como sendo um verbo imitativo e que tem sua origem remota na palavra latino-hispânica “apopores”. Sendo “apopores” a origem da palavra abóbora ( segundo o Aurélio ), acredito que o verbo “abobrinhar” seja, também, “transitivo-derivativo” ( somente uma suposição ), devido ao parentesco da abóbora com a abobrinha. Portanto, a partir de agora, no rol dos verbos imitativos fazem parte, além dos verbos borboletear, serpentear, peruar, pavonear e etc, agora também abobrinhar.

Não sei porque dizem ser nossa língua portuguesa a última flor do Lácio. A todo instante nasce desse pé um broto! Reguemos, pois, esse pé de flor, que ainda nos dará muitas abobrinhas.

Em tempo: Quem leu até aqui, adora abobrinha ou, fissurado por flor, quis saber mais alguma coisa dessa flor do Lácio. Quanto ao Homo sapiens, bom, é melhor deixar isso pra lá. Mas que seria melhor não ter caído do galho, isso seria. Talvez até, se tivéssemos sido mais prudentes, não estaríamos, hoje, andando, falando e escrevendo, mas sim, voando e cantando. Relaxe, não leve a mau, estamos na ante véspera do Carnaval !

GILBERTO VIEIRA DE REZENDE
calcadense@bol.com.br