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A taxonomia é o sistema estabelecido pelos biológos
para separar todos os seres viventes em categorias, com espécies
na base até chegar ao reino no topo. Como qualquer
sistema, se baseia em certas definições, algumas
muito amplas e outras muito estreitas. No fundo, depende do
critério do classificador, não passando de uma
convenção. A taxonomia, uma vez estabelecida,
passa a ser considerada verdade e como qualquer convenção,
não existe e é inventada pelos homens. Os idiomas
são outros sistemas, baseados em convenções,
que muita gente acredita ter vida própria. O próprio
Platão acreditava que as palavras (não os conceitos,
entendam) não são inventadas: elas teriam existência
própria e eram "descobertas" por um ser iluminado.
Que viagem do Platão! As idéias, sim, existem,
e as palavras, assim como a taxonomia, devem ser usadas como
ferramentas, não produto final. A taxonomia premiou
o ser humano com a classificação de Homo sapiens.
Vamos nos ater à segunda parte do nome. Sapiens significa
que o homem é um ser pensante, capaz de raciocinar
e entender que existe. Isto deveras empolga a humanidade,
que se julga o topo de um processo que os mais afoitos juram
existir e chamam de evolução. Gostaria de propor
a reclassificação do ser humano, com base na
sua des-evolução, e não na evolução!
O homem deve ser chamado de Homo abobrinhens, visto que hoje
em dia, abandonou a sua condição de ser pensante,
capaz de racionar e entender que existe, abraçando
desarvoradamente a abobrinha como modus vivendi. A abobrinha,
e aqui não digo o legume, está cada vez mais
presente na vida do homem moderno. Até aqueles mais
formados e capacitados abraçam a abobrinha, pois é
mais fácil abobrinhar do que pensar. Abobrinhar dá
mais dinheiro e prestígio do que pensar. Vejam os programas
de TV, como por exemplo o do Ratinho. A abobrinha se faz presente
em quase todas as atividades humanas, e é uma condição
sine qua non para o sucesso, em quase todas as áreas.
Quem não abobrinha se trumbica, diria o Chacrinha se
ainda fosse vivo. Notem como temos praticado a abobrinha,
depois que passamos a nos comunicar com os amigos de longas
datas através do Broinha. A abobrinha é relaxante,
nos leva a uma leveza de espírito, nos abstraimos dos
problemas do dia a dia e ainda soltamos gargalhadas. Basta
ler duas ou três páginas das conversas do Piriquito
X Fefeu X Gilberto Juquita. A gente sai aliviado... A próxima
vez que alguém te disser que descende do macaco, diga,
com autoridade, que descende da abobrinha.
Almir Lobo de Aguiar.

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