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Quando
eu ainda não tinha chegado nos meus quinze anos, na
década de 90, fui informado de que a casa ao lado da
Agência de Correios de São José do Calçado,
cidade onde eu morava e ainda moro, era “Mal Assombrada”.
Estou falando da casa cinzenta de arquitetura antiga que foi
reformada há pouco. Sempre tive vontade de conhecer
a parte interna daquele imóvel, mas nunca havia surgido
uma oportunidade, até que um certo dia...
Quando minha tia Walma se casou, chegou uns parentes meus
bem legais e aventureiros, sabia que nós iríamos
nos dar bem, Eduardo, Daniele e eu. Comentei com eles a respeito
da casa, e eles também ficaram curiosos, até
que resolvemos marcar uma expedição para vermos
se realmente ela era ou não mal assombrada. Planejamos
tudo, tudinho, e combinamos o seguinte, se por a caso parecesse
o dono da casa, diríamos que estávamos jogando
bola e que ela havia caído no quintal e então
entramos para pegá-la.
Fomos, chegamos ao local por volta das nove horas da noite,
o portão da casa estava trancado com um cadeado, resolvemos
pular o muro que era baixo, entramos em fila na seguinte ordem:
eu, Daniele, Eduardo, Bruno e Fernanda. Caminhamos para a
entrada dos fundos e nos deparamos com uma escada que nos
levava até a porta da cozinha. No quintal havia muitas
folhas secas e cada passo que a gente dava fazia o barulho
delas se quebrando, o que nos deixava um pouquinho nervoso.
Decidimos então subir as escadas, na mesma ordem a
que entramos. Subimos cada degrau cuidadosamente, com muita
cautela, com muito nervosíssimo, afinal entraríamos
na casa que era conhecida como a “Casa Mal Assombrada”.
Tudo parecia tranqüilo, o vento suave batendo em nossos
corpos quente de tensão, o cheiro de terra molhada,
pois estava choviscando, e foi quando eu agarrei a maçaneta
da porta com a mão que ouvimos uma voz lá em
baixo dizendo: “o que você estão fazendo
aí?” assustados, todos sem coragem de olharmos
com medo de ser qualquer coisa estranha, mas como não
tínhamos outra escolha, e como havíamos combinado
respondi: “estamos procurando a nossa bola que caiu
por aqui”, minha prima Daniele não deu outra,
e logo perguntou: “que bola?!”...e foi aí
que dei-lhe um beliscão no traseiro dela e ela deu
um pulinho de insatisfação. Depois, sem ter
outra saída, pedimos ao senhor, que se por a caso ele
encontrasse nossa bola se ele poderia nos devolver, e ele
muito gentil disse que faria isso. Saímos todos do
quintal da casa e voltamos para a casa de minha avó.
Foi um papo meio difícil de engolir, onde já
se viu uma bola cair na porta dos fundos de uma casa, no último
degrau da escada? mas era só isso que vinha na minha
cabeça naquela hora. E mais uma vez ficamos sem saber
se a casa era mal assombrada e sem conhecê-la.
Addison Viana

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