H I S T Ó R I A S  E  C R Ô N I C A S
REMINISCENCIAS


Nascer e morrer, a verdade absoluta de todos nos. Independente da raca, cor, escolaridade, titulos,conta bancaria, relacionamentos, beleza, etc. Não importa, o fim e sempre o mesmo. Embora trilhamos caminhos diversos, cada um tem o seu destino tracado. Uns mais dor e sofrimento, outros bonanca e felicidade.

Bom e ser crianca, melhor ainda e crescer num ambiente de paz, familia. Nascer e viver a melhor fase, a infancia e juventude em Calcado foi um privilegio. Lugar onde, como já disse o poeta Pedro Caetano, “ a tranquilidade escolher para morar” e, onde a violencia inexiste, embora as desigualdades sociais sao gritantes e a falta para muitos de um vida digna e real.

Hoje esta tranquilidade perdeu um pouco da forca para as drogas e pelo alcool. Minha droga sempre foi o futebol. Minhas travessuras eram subtrair frutas no quintal alheio e pular o muro do Americano para jogar dupla na grande area e fugir da furia do Paulinho Sapateiro, que apesar das limitacoes, sempre chegava de surpresa e soltava sobre nos foguetes, fazendo que em poucos segundos o campo ficasse vazio. Minha praia era o Rio Calcado, nele aprendi a nadar; as ladeiras minha academia; meus jogos eletronicos eram: soltar pipas, jogar piao, jogar baleba e chutar bola nas periferias da cidade, sonhando jogar no Americano e dispurtar o grande classico (AmericanoXMotorista) com o campo lotado. Apesar de não ter sido tao emocionante quanto as partidas que assisti entre os rivais, joguei duas vezes esse classico. Ouve dois empates. Hoje o Americano e o Motorista acabaram, existe dois campos com muitas historias, porem a bola já não rola com a mesma emocao de outrora. Falta um Tide, um Ze Antonio Pimentel, Enocrides, Faustino, Dudunga, Burraldo, Zoe, Cacau, Betim Castanheira e tados outros.

Com orgulho e felicidade sou Calcadense, filho de um carpinteiro com uma costureira, sendo criado numa casa com mais seis irmaos. Com o suor e trabalho de ambos. E bota trabalho nisso, fomos criados sem conforto, porem com muito amor e dignidade. Em minha casa sonhar era permitido. Vida modesta, colegio publico, sem plano de saude, Sem bicicleta, sem festas. Nenhuma destas faltas foram relevantes, a felicidade morava na Av. Rui Barbosa, 145, bem em frente ao Ginasio, que a contra gosto me ensinou o pouco que sei. Nosso play ground eram as ruas, as enxoradas, a liberdade. Nosso medico o Dr. Aristides, misto de homem e santo e nossos anjos da guarda o Sr.Cruz e Paulo Medina, que nos socorria nas pequenas infermidades.

Amigos Broinha, descupe-me, alem de minha timidez, sou demasiadamente piegas, sentimento traduzido no texto acima, porem, o mesmo serve como pretesto para desejar a todos os Broinhas um FELIZ 2005, COM MUITA SAUDE, PAZ E ALGUM DINHEIRO NO BOLSO, POIS NINGUEM E DE FERRO.

31/12/2004 Vila Velha

Domingos Fernando Ribeiro de Rezende
Domingosrezende@terra.com.br