A MESA VAZIA



Sou a esmola olvidada na esquina
A nota triste na partitura da menina
Há um Chico Mendes lá no céu
Ou esse menino ainda brinca no carrossel?
Vejo um jardim e uma flor
Um viola sem um tocador
Falo português, inglês e espanhol
Sinto-me como um prisioneiro privado de sol.
Poetisa Nádia, seu nome em russo “esperança”
Em suas poesias o retrato de uma criança.
Sou um poeta na estrada
Um espinho sem a rosa na madrugada.
Afirmo com certeza
Há vida sobre a mesa
Somos os filhos do Rei
Do Deus que sempre Louvei
A mesa vazia existe
Parente próximo da desigualdade social que persiste
Poetisa Nádia, de poesia “tenho sede”
Não somos um tijolo a menos na parede
O gramado ainda é verde
Não somos uma figura sem sentido
Cada um tem seu espaço merecido
Somos uma sociedade de alto risco.
O governo é nômade e prisco
A vida tem dois traços
Nádia, alguém comanda nossos passos.
Há tempo para errar
O momento ideal para acertar.
Somos um pouco de dor
Mas expressamos muito amor
O sol cintila intensamente
A chuva não pende no tempo presente
Tudo tem sua hora
Hoje, a sua poesia de saudade chora.
Na realidade há um sinal
Que nem tudo segue no elo do mal.
Podemos viver em um mundo melhor,
Onde a realidade é “maior”
Dona Nádia, obrigado pelos incentivos,
Pela poesia morro e vivo,
Um dia nos encontraremos
E lá no paraíso um poema juntos escreveremos.

À memória da poetisa Nádia Teixeira de Rezende. (Saudades)

Paulo Sérgio de Oliveira




 

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