H I S T Ó R I A S  E  C R Ô N I C A S
NOTÍCIA DE PRIMEIRA MÃO



Quando tudo parecia calmo,
Eis que surge uma ventania.
Vinda de não sei onde,
Tinha pressa de chegar aonde?
Não tinha porque ter pressa
Nessas paragens tão calmas.
Se pressa havia,
Era dos Correios,
Pois o ônibus da Real vinha,
E como vinha...
Vinha trazendo notícias,
Cartas, jornais e revistas,
Quando lidas já eram velhas,
Vez que as estradas(?) eram de chão.
E os ônibus, quando chegavam,
Traziam mais barro ou poeira,
Que notícia de primeira mão.
Quando chegavam pintados de barro,
O atoleiro era o vilão.
Quando empoeirados,
Algo havia de ter quebrado.
Poderia ser o rolamento da roda,
Bem como a bengala da suspensão.
De uma coisa havia certeza,
Notícia de primeira mão,
Não vinha de ônibus, não.
Mas, e o vento?
Por que insistia em ventar?
Será que era pra apressar o tempo?
ou era um aviso de que o tempo
haveria de mudar?
A névoa cobria o Jaspe,
Era para se preparar.
Chuva à tarde, cairá!

GILBERTO VIEIRA DE REZENDE
calcadense@bol.com.br