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Para
o ex-Prefeito José Vieira de Rezende,
que realizou em parte o meu sonho,
embora sem as palmeiras.
Começo
por uma reminiscência.
0 encontro do antigo menino da Fazenda Velha com a Praça
se verificou quando, após o falecimento do bondoso
avô paterno, Pedro Nolasco Vieira de Rezende,cujo nome
foi dado a outro logradouro público (Praça Pedro
Vieira) na parte alta da cidade, os filhos adquiriram, para
residência da mãe, Francisca Teixeira (vovó
Chiquinha), que morava na Fazenda da Segunda, a casa que pertencera
ao médico amigo da família, Dr. Duque Estrada,
na extinta pracinha a que me liguei sentimentalmente.
Chamava-se Praça Theophilo Lobo e na qual se erguiam
três palmeiras, marco, talvez, dos primórdios
de nossa cidadezinha, as mesmas que um prefeito interino (saudade
do Luizão) mandou derrubar, porque estavam com as raízes
apodrecidas a constituir perigo de vida para moradores e transeuntes;
e ainda, no seu próprio dizer de homem alegre e jocoso,
"comeu os palmitos".
No lugar da praça, que entrou em processo de morte-
e com ela, ao longo do tempo, outras tradições
vieram a desaparecer -, construiu-se, mais tarde, um pequeno
prédio destinado a rodoviária. No entanto, apesar
da boa intenção progressista, não deu
certo e acabou transformando-se num simples bar, sob todos
os aspectos ali inconveniente.
Por continuidade administrativa, desde o Prefeito José
Borges de Almeida, passando pelo Antônio Borges, esse
desvirtuamento vem-se mantendo, ao arrepio da memória
calçadense. De modo tal que, da pracinha, não
resta sequer a fotografia na parede, como a Itabira de Drummond,
e sim, apenas - também dói! -, a do fundo do
baú para os que vivem o presente, com olhos no futuro,
sem desprezarem o passado.
Alguém já escreveu que a recordação
é uma rebelião contra a lei do esquecimento.
Seja. Não importa e não me conformo. Reivindico.
Pelo restauro, pois, da Praça Theophilo Lobo, Senhor
Prefeito Alair Borges Pimentel! Se não me atender,
fica o desafio a seu sucessor.
Para a Rodoviária, que nunca existiu, porém
hoje e agora se impõe, necessariamente, o local indicado
seria a Rua João Pessoa, no espaço ocupado pelo
projeto de praça, que virou terreiro de secagem de
grãos. Com a vantagem, sobretudo, de desviar o trânsito
de veículos pesados, em especial os ônibus, da
íngreme Ladeira Getúlio Vargas.
E volte, enfim,a pracinha colonial, para que de novo se possa
cantar, à semelhança d'outro poeta amado:
Minha terra tem palmeiras...
Setembro
de 1987
Pedro Borges de Rezende


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