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Pelo segundo ano consecutivo, estava me programando junto
aos meus amigos de aventura mais um acampamento na Serra do
Caparaó, onde pela segunda vez iria subir o Pico da
Bandeira, o terceiro pico mais alto do Brasil. Como já
tinha ido ao ano anterior, estava mais preparado quanto às
bugigangas que teria de levar para não passar por momentos
desagradáveis num acampamento de três noites
e quatro dias. Passamos meses fazendo os preparativos, Adilson
(Dilsinho), Emílio, Dhiego e eu, tomando os devidos
cuidados para não esquecermos de nada. Estava doido
para estrear a minha barraca nova, seria uma estréia
de primeira, a final de contas um acampamento na Serra Nacional
do Caparaó é sempre uma aventura inesquecível.
Chegou a manhã de nossa partida, todos ansiosos para
a aventura, soltamos até foguetes na cidade antes de
irmos, foi uma festa. Pegamos estrada, aproximadamente 140
km de chão, até o portal do parque, fomos contando
as famosas piadadinhas de Calçado a Alto Caparaó,
a última cidade que passamos antes de subir para o
acampamento. Como fizemos no ano anterior, paramos na cidade
e compramos a carne para os nossos churrascos, afinal a carne
não poderia faltar, uma vez que fazemos churrasco em
todos os dias do acampamento. Assim que efetuamos a compra
nos dirigimos ao portal, pagamos o acampamento e a VAM nos
levou para a área de camping.
Montamos o acampamento, barracas, organizamos nossas dispensa,
deixamos tudo bonitinho. Lá se foi o primeiro dia,
a quinta-feira passou que ninguém viu, foi um dia sem
problemas, todos isolados do mundo civilizatório, ambos
esquecidos de problemas pessoais, apenas curtindo a aventura.
Já era o nosso segundo dia, seria naquela noite, ou
melhor, naquela tarde que daríamos início à
caminhada rumo ao Pico da Bandeira, 9 KM de subida.
Às 16 horas começamos então a caminhar,
andamos 5 km e chegamos no Terreirão, onde fica a Casa
de Pedras, nos instalamos na casa, junto aos demais turistas
de todas as partes do mundo e aos camundongos, lanchamos,
por volta das 20 horas tiramos um cochilo e acordamos às
2 horas para prosseguir a escalada. Acordamos, demos de cara
com mais de 20 quatís, que são uns animaizinhos
sem vergonhas ladrões de comidas dos turistas do parque,
tem umas unhas de aproximadamente 3 cm, podendo rasgar bolsas
e tudo mais. Alimentamos os bichos, quatis, deixando-os mais
safados ainda, e começamos a marchar.
Chegamos ao Pico às 5:15 e lá ficamos, vimos
o sol nascer, uma cena espetacular, um verdadeiro show da
natureza. Tiramos muitas fotos, e fizemos uma hora por lá,
depois começamos a descer para o acampamento onde estávamos
acampando, seria mais 9 km, mas desta vez, só de descida.
Retornamos à Casa de Pedras por volta das 8:30, e nos
deparamos mais uma vez com aqueles montes de quatis, e os
turistas reclamando dos bichos terem pegado as comidas deles.
Nesse momento pensei: “Ainda bem que deixamos nossas
comidas dentro de nossas barracas bem fechadas”. Fiquei
tranqüilo e ali fizemos uma parada para descasarmos,
ficamos uns 40 minutos e depois continuamos a descer para
a Troqueira,onde estávamos acampados.
Em fim chegamos no nosso aconchegante acampamento, varados
de fome, mas antes de preparamos nosso almoço ainda
tivemos que fazer umas gracinhas com alguns executivos que
se encontravam no local, pediram para tirar algumas fotos
com a gente para dizer aos amigos deles que tinham subidos
no pico também, educadamente, atendemos ao pedido deles.
Depois de um bom gole d’água e um bom descanso,
resolvemos preparar nosso rango. Agachei diante a porta da
minha barraca, estiquei o braço direito e abri o zíper
da porta. Quando vi a situação da parte interna
da minha mais nova Iglu, que estava sendo estreada ali no
Caparaó, eu fiquei em estado de choque por pelo menos
uns quinze minutos. Um quati tinha entrado na minha barraca
e feito a festa, ele entrou por baixo da primeira lona e fez
um buraco na segunda com as unhas para abrir passagem onde
estavam armazenados quase todos nossos alimentos, com exceção
das carnes de da feijoada. Sem exageros nenhum, o bicho comeu:
todas as frutas, maçã, pêra, goiaba, banana,
chocolate em pó, açúcar, biscoitos, macarrão,
pães, presunto, e ainda tentou furar as latinha de
refrigerantes, pois haviam marcas de unhas na embalagem. Depois
de ter feito todas essa suruba, ainda não satisfeito,
o “agradável” e “simpático”
animalzinho, cagou em cima dos colchões todos. Meu
companheiro de barraca, Dilsinho, enquanto me via no estado
de choque, tirou tudo da barraca, depois nós dois fomos
lavar a sujeira com uma água de temperatura a -3 Cº,
ambos mordendo de raiva do autor do furto alimentícios.
Depois da barraca limpa, do choque ter passado, tudo voltou
ao normal, bom,quase ao normal né? tirando a raiva
que estávamos dos quatís, estava mesmo tudo
normal. A nossa sorte que ainda tínhamos alguns biscoitos
nas bolsas, a carne estava em outra barraca, leites em caixa
e só faltava uma noite de acampamento.
Depois disso voltei lá mais quatro vezes, mas das outras
vezes fomos mais espertos que os quatís, levamos uma
caixa da material resistente para guardar as comidas, e sempre
pedimos aos outros companheiros de camping para dar uma vigiada
pra gente.
Por isso, lembrem-se, quando for acampar no Parque Nacional
do Caparaó, vá prevenido contra os quatis.
Addison Viana
24, Março, 2005

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