H I S T Ó R I A S  E  C R Ô N I C A S
Poderia tudo, se valesse a pena...

 

 

Poderia fotografar as montanhas azuladas banhadas pelo sol radiante que desponta indolente
A igreja matriz com suas torres gêmeas apontando para o infinito
O minúsculo rio que corre indiferente aos maus tratos sofridos
As flores do meu jardim que se abrem faceiras
Poderia fotografar a minha rua tranqüila onde os vira-latas se deitam à sombra das castanheiras
E eu na varanda, preguiçosa a olhar o pequeno mundo que se descortina à minha frente
Poderia tudo
E lhe mandar fotos para matar saudades
Mas, e daí?
Você não sentiria o ar puro das montanhas
O perfume das flores
O sol a lhe aquecer
Não ouviria o som do sino às Ave-Marias
Nem veria a água passando levando mágoas
Você também não estaria ao meu lado
E este deslumbrante e pequeno mundo a você pareceria menor, sem graça
Nada disso teria sentido para você
Não, não vou lhe mandar fotos
Pois sei que tudo isso ainda está em você
Lembranças não se apagam assim
A mim tudo parece inerte, nada mudou desde a última vez
Que olhamos e sentimos tudo isso juntos
Porque eu também parei no tempo e no espaço.

Verconda Spadarotte
21 de abril de 2005