Poderia
fotografar as montanhas azuladas banhadas pelo sol radiante
que desponta indolente
A
igreja matriz com suas torres gêmeas apontando para
o infinito
O
minúsculo rio que corre indiferente aos maus tratos
sofridos
As
flores do meu jardim que se abrem faceiras
Poderia
fotografar a minha rua tranqüila onde os vira-latas
se deitam à sombra das castanheiras
E
eu na varanda, preguiçosa a olhar o pequeno mundo
que se descortina à minha frente
Poderia
tudo
E
lhe mandar fotos para matar saudades
Mas,
e daí?
Você
não sentiria o ar puro das montanhas
O
perfume das flores
O
sol a lhe aquecer
Não
ouviria o som do sino às Ave-Marias
Nem
veria a água passando levando mágoas
Você
também não estaria ao meu lado
E
este deslumbrante e pequeno mundo a você pareceria
menor, sem graça
Nada
disso teria sentido para você
Não,
não vou lhe mandar fotos
Pois
sei que tudo isso ainda está em você
Lembranças
não se apagam assim
A
mim tudo parece inerte, nada mudou desde a última
vez
Que
olhamos e sentimos tudo isso juntos
Porque
eu também parei no tempo e no espaço.