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Meu "perdoado e anônimo"amigo Caçapa

  Mais uma vez estou usando "O Broinha" para te perdoar publicamente todas as ruindades que voçê fez comigo.Como voçê mesmo disse, perdão, "A Assombração do Alegoria" disse, ainda falta muito para voçê ser perdoado. Mas eu com meu coração saltitando de felicidade resolvi que agora, uma vez por semana, vou perdoar uma ruindade que voçê fez comigo. Vai demorar um pouco, talvez uns 200 anos, mas voçê poderá partir para o Além de cabeça erguida,sabendo que foi totalmente perdoado por mim. Não sei se os outros nossos amigos de época, Gilberto (Juquita ) e o Zé Antonio do Antonio Borges, Renato do Zé do Gastão( seu amado primo),Carlos e Edson Lobo,Homerinho e o Bruno do Dr Homero, etc, etc e tal.... também estão abertos a te perdoar publicamente, pois voçê fez muitas ruindades com eles também. Como aquela ruindade do circo na casa do Gilberto. Voçê lembra bem,né? Toda vez que fazíamos o nosso circo voçê queria fazer tudo. Pro Gilberto, que era o dono do quintal, sobrava a bilheteria . E voçê ainda levava os ingressos pro seu pai usar nos ternos que ele fazia. Voçê lembra dos ingressos? Aquele monte de botões de roupa que eu roubava na venda do pai e o Carlos Lobo roubava na venda do Zé D`Avila? E nisso o Crissaff nunca precisou comprar botões. Mas eu te perdôo. E não para por aí não. Voçê era tudo no circo: palhaço, baterista, trapezista e o leão. Aquele leão feroz, indomável, perigoso. Lembro-me direitinho.

   Quando ia entrar o leão a molecada ficava apavorada, gelada de mêdo. Aí entrava a fera rosnando, uivando, cocoricando, relinchando,mujindo, miando, latindo,etc... ( leão poliglota) com aquela juba enorme( feita de imbira de bananeira )e com o rabo maior ainda, mais ou menos uns 3 metros. Daí prá mais.Todo o rabo monumental da fera era feita com as tranças de cebola que pegávamos no armazém do Tibô.Lembra disso leão descarado? Lembra? Nesse momento começavam suas maldades comigo. Ninguém queria domar o monstro. Então sobrava pra mim. A galera toda gritando: vai Piriquito, vai Piriquito. E aí, eu com as pernas tremendo de mêdo e segurando o cassetete que o Pedro Marelé deu de recordação pro Antonio Borges, comia o leão na porrada. Porrada na cacunda, nas pernas, na bunda, no pescoço, na cabeça, enfim, onde houvesse lugar pra meter o cassetete (quase todo), a porrada comia solta. Mas a fera não se entregava tão facilmente. Tinha vêzes que eu era obrigado a bater no bicho durante toda a sessão do circo(umas 3 horas). E a molecada eufórica, gritando como na Roma Antiga: pega ele leão!!! pega ele leão!!!! E a porrada comendo solta.

  Nessa altura do campeonato o leão já estava estrupiado, sem juba, sem rabo, babando igual cachorro danado. Parecia um pintinho pescoço- pelado e aniquilado. E eu dando porrada no leão contra a minha vontade. Com a minha mão sangrando, cheia de bolhas de água de tanto bater no animal feroz. Nisso, quando a fera já não aguentava mais, semi-desmaiada de tanta cassetada, ainda éramos obrigados a levar o bicho pra farmácia do Seu Cruz. Dois segurando nos braços, dois nas pernas e eu o cassetete( no caso da fera acordar dava mais umas porradinhas ) e o Gilberto imitanto a "assistência" do seu Sizenando: Uóóóóóóóó!!!!!Uóóóóóóóóó'!!!! Nisso conseguíamos chegar na farmácia ( depois do leão cair umas 10 vêzes na rua ). Mais de duas horas de curativos. Tudo para chamar a atenção. Para sacanear a gente. Nós ficávamos pelo lado de fora, jururús, e a fera lá dentro aos cuidados do seu Cruz ou do Paulo. E quando terminava , o Seu Cruz, num gesto de carinho, ainda apertava a bochecha do leão e falava: Tá melhor, Capitão? Quanta revolta nós tínhamos. Uma fera daquelas recebendo os primeiros socorros do Seu Cruz. Tudo pra dizer que era melhor do que todo mundo. Só pra dizer que aguentava porrada. Mas eu te perdôo por mais essa ruindade. Então, meu "perdoado, anônimo e leonino" amigo Caçapa, espero que voçê se sinta mais aliviado com mais esse perdão.

    Semana que vem vou te perdoar as ruindades que voçê fazia comigo quando brincavamos de Telequeti Montilla. Voçê lembra? Quanta ruindade. Abraços circenses pra voçê.

   Do seu "indomável" amigo


Piriquito

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

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