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 CAMPEONATO DE PELADA

   Calçado, para quem não sabe, já teve campeonato de peladas e dos mais animados. Era organizado pelo "Seu" Carioca.

   Os times eram conhecidos pelo local onde morava a maioria dos seus jogadores ou pelos "donos" do time. Assim, existiam os times do "Atrás do Grupo", do "Atrás da Igreja", do "Morro do Querosene", da "Rua 15",
do "Paulinho do Sapateiro", da "Rua Nova", do "Buraco Quente", etc.

   O time do "Atrás do Grupo", era formado com os seguintes peladeiros: Gilberto ( Juquita ), Renato Castro ( Abusado ), Zé Antônio ( Saragaia ), Cosminho, Zé João ( era o goleiro e sobrinho do Cosminho ), Bendeca, Bastião da Dona Magali, Carlos Lobo (Lobinho ou Pulgão da Couve), Caçapa ( as vezes jogava ), Célio ( irmão do Juarez 3 orelhas ), Caga Sebo e o Catinga ( reserva ).

   No ano de 1972, com o campeonato já pegando fogo, a próxima partida de nosso time era contra o time do "Paulinho do Sapateiro", que contava em sua linha, entre outros peladeiros, com Paulinho e Alan do fú-tibol ( apelido colocado pelo Edson Lobo ), Delei, Pingüinho e Pitó (irmão do Tide ).

   A rivalidade entre os times era grande. Não havia um jogo que não saisse briga. Da parte de nosso time, tinhamos o Cosminho, baixinho tinhoso e invocado, que não levava desaforo para casa. No outro time, tinha os irmãos Paulinho e Alan, mestres na arte de provocar e, também, bons de briga.

   Cada time tinha, também, seus representantes na arte de reclamar. Eram os chorões. Qualquer coisa era motivo para parar o jogo e reclamar ( mão, falta, impedimento, lateral, escanteio, etc ). O representante do nosso time nessa arte era o Bastião da Dona Magali ou, quando jogava, o Catinga. No outro time, era o Pitó. Meu Deus, como reclamavam ! Reclamavam tanto, que irritavam a todos. Daí para começar uma briga, era um pulo, ou melhor, era só cair no campo depois de uma dividida.

   Domingo de manhã, dia do jogo. O campo ficava em frente à bica do "Seu" Athaíde, ( na entrada de Calçado, lado direito da estrada Bom Jesus - Calçado, depois da ponte sobre rio Calçado ). Muita gente nas laterais do campo e no barranco. Nosso time estava "concentrado" atrás do gol que dava para o rio Calçado.

   O primeiro jogo corria tranqüilo e já estava no finalzinho da partida. O nosso jogo começaria em seguinda e, por isso, estávamos todos sentados, calçando os meiões e os tênis.

   Finalmente o juiz termina a primeira partida e avisa que vai chamar os próximos times para o centro do campo.Estava para ser aplicado contra o nosso time, o maior golpe baixo. Os times entravam correndo em campo e em fila indiana. Os dois times estavam preparados. Cosminho encabeçava a fila do nosso time. Foi, então, autorizada a entrada em campo.

   Para nosso azar, tinha um garoto lá no alto do barranco, torcedor do time adversário, segurando um foguete ( aqueles rojões de 3 tiros ). Foi o nosso time começar a entrar em campo e estourou o primeiro rojão. Cosminho correndo estava e correndo continuou, para nosso desespero. Atravessou o campo, foi para estrada, atravessou a ponte e, chegando próximo à casa do senhor Jovelino Tatagiba ( progenitor do Lineu ), entrou pela estrada que margeia o rio, passou pela ponte do matadouro, subiu a ladeira da Dona Candinha e ( Ufá ! ), chegou em sua casa, localizada atrás do Grupo, ao lado da casa do Senhor Bianor Diniz.

   Atordoado e desfalcado de um jogador brioso como o Cosminho, nosso time foi presa fácil. Perdemos o jogo, é claro. Mas o pior foi a gozação que tivemos de aturar por um bom tempo, além de não podermos mais contar, para o resto do campeonato, com a presença do Cosminho na nossa linha.

   Para quem não sabe, Cosminho tinha verdadeiro pavor de foguete. Festa de Calçado, para ele, era um verdadeiro suplício, ou melhor, não havia festa. Nem no Desfile Escolar, em que os alunos eram obrigados a participar, ele comparecia. Ficava trancado em sua casa ou se refugiava no sítio de seu pai, João Pelúzio.

   Mas esse problema do Cosminho já passou. Ele não tem mais medo de foguete. O trauma acabou e ele até solta bombinha "cabeça de nêgo" em banheiro do Montanha Clube.
   Mas isso é uma outra história.....


Gilberto Vieira de Rezende


 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

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