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POR
QUE BROINHA?
Fato ou opinião? Não
sei, talvez apenas uma versão dos fatos, não tenho
documentos e nem testemunhas, tenho apenas minhas lembranças,
minhas recordações.
Pelo visto, pelo que tenho lido,
as gerações mais novas, que se orgulham de ser "Broinhas",
tiveram mais espírito esportivo do que a minha, tiveram
a sabedoria de fazer do limão uma limonada. Por que?
Porque nós detestávamos que se referisse a Calçado
como São José das Broinhas. Era um apelido depreciativo
dado pelo pessoal de Bom Jesus, que gostava de desfazer da gente.
Broinha sugere bolo de fubá, broa de fubá, "cubu",
angu, comida de pobre, dos empregados, falta de imaginação.
Na época o chique eram as iguarias de farinha de trigo,
bolos de trigo, pão-de-ló, produtos importados,
caros, usados nas sociedades mais refinadas.
Na verdade, tínhamos uma
rivalidade, um conflito mais ou menos permanente, em várias
áreas, com as gentes de Bom Jesus, que considerávamos
convencidos, metidos a besta. Não perdiam a oportunidade
de nos tratar com preconceito, terra de atrasados, caipiras, sem
traquejo, ruas de chão mal cuidadas, puro morro, o futebol
uma tourada, cinema e clubes de segunda. Lá em Bom Jesus,
era tudo diferente, tinha estrada de ferro, comércio melhor;
ruas pavimentadas; cinema de 35 milímetros que passava
filmes coloridos; o Aero-Clube dos grandes bailes; os clubes de
futebol de primeira, que disputavam o campeonato estadual; a festa
de agosto, maravilhosa, com a presença de variadas atrações,
circos enormes, animais ferozes, globo da morte, etc., e os shows,
as procissões do Padre Melo, uma beleza. Mas em compensação...
Em compensação, também
não éramos inocentes, contávamos garganta
do nosso Ginásio, que sem dúvida era superior ao
Rio Branco. E, como aquele escravo do conto de Machado de Assis,
que foi alforriado e depois comprou um negrinho, do qual judiava
e surrava em via pública, para tirar o recalque, nós
também, em geral lancetados por Bom Jesus, nos virávamos
para os lados de São Benedito e descontávamos: "terra
de gente braba, de valentões, terra de índio, povoado
atrasado, um horror, onde só valia a lei do mais forte,
e onde se morria com facilidade de morte matada". E eles
ficavam aborrecidos, umas feras.
Por outro lado, ...
Não me lembro quando
nem quem, mas certa vez alguém comentou comigo, talvez
o seu Zico Camargo, pode ser, que o pessoal de Bom Jesus dizia
que os homens de Calçado não tinham nome, tinham
apenas apelidos. Paguei para ver, por curiosidade, aleatoriamente,
sem critério nem compromisso, fiz um levantamento de teste,
dos calçadenses e seus apelidos, e fiquei impressionado.
Vamos lá, a lista é cansativa, e refere-se apenas
às décadas de quarenta e cinqüenta.
Comecemos do principio.
Com um patriarca, Teófilo
Caldeirão, o pai dos Lobo.Dos Teixeira de Siqueira lembramos
de dois irmãos: Cajão Teixeira e Cachico. Da família
do Cajão temos: Nhô, Zinho, Dina, Dica e Lulú,
Mariquinhas, Marocas, Antonio da Marocas, Nitinha do Berlino,
Suissa, Filhota do Mário, João do Enes e Chiquinho
Silva.
Do tio Cachico, lembramos do Zim
Camargo, Zico Camargo e Marocas, Ciço Camargo, Mariquinha
do Ciço, Nico Camargo, Quiquito Gargia, Chiquita, Nini,
Carmita, Naná, Santa, Filhinha do Moacir, Didinha do Russo,
o próprio Russo, e Tião do Ciço.
Da família Pimentel: João
Pimenta, Capitão Cecílio e Dona Memela, Maricas
do Enes, dona Zeca e seu Vilica, dona Zuza do Pidoca, o próprio
Pidoca, Dedé, Niquito, Candinha, Tonim, dona Zizinha do
Aimbiré, Didi, Zezé, Pedro Marelé, Zizi do
Mateus, Zé do Cecílio, Cidim, Candinha do Agripino,
Toninho do Abelardo,. o Leco, e o pessoal do Herculano Pimenta,
dona Neném, Tota, Piquitita, Caçula e Neném.
Da família Vieira: dona Chiquinha,
dona Lota e seu Luizinho, seu Zezé e dona Mulatinha, seu
Zeca Bento e dona Zizinha, seu Chico Vieira e dona Biluca, Zim
(Pedro Vieira), o Chico de Assis, o Coronel, o Pedrão,
Chico do Nilo, Chicão, o Luizão, Marita, Tião
Comprido, Neném da Rute, Juquita Barroso e o Francisquinho,
também conhecido como Chico Quarenta.
Dos Medina: seu Cruz e dona Sanica,
o Niquito, o Chiquinho da Ana, o Zelito, Didi, seu Caçulito
e o Zezé do Caçulito.
Da família do coronel Antonio Honório: Sinhô,
Sinhá, Zisica, Théo e Bisica.Dando uma volta na
cidade, começando ali pelo início da rua 15, temos:
seu Chichico Nunes, Quinquim Nunes e dona Rosinha, Joaquinzinho,
Dunga Abreu, Bebé do Valdemar, Beijo e Filhota do Beijo,
Juquinha Marcelino e dona Filha, Santinho Ferreira e dona Mariquinhas,
Tião Marques, Deco Bessa, dona Filinha do Prof. Aderbal,
dona Mulata, seu Cirote e dona Cota, Ninico Poubel e dona Nenzinha,
o Liquinho (doutor Marques), Chico do Alípio, Zé
do Alípio e Cassinha, Tião do Alípio, Chiquito
Teixeira, Zé Bicudo, Carioca, Conceição,
dona Zinha, Nenzo e Merquita, Lilita, Telim, dona Pequena, Simim,
Nonô, Zezé, Moreninha do Eliezer, Zé do Gastão,
dona Bela do Feres, Tonico, dona Doca do Daúde, dona Vivica
do Vitalino, a Dona sogra do Heber, Cajuca, Tião Melo,
Tião Machado, Antonio Lizador, Zé Lizador, João
Lizador, Vavá, Filim Tibaud, Carlito Tibaud, Merinha, Zuzú,
Sinhá e Naná, seu Caboclo e Cici, dona Jora, seu
Nilsão, seu Chiquim Tavares, João Velho, Tônio
Sá Viana, Zeca Pedro, dona Tatana do Sebastião Fernandes,
dona Carminha do João Fernandes, dona Beta, Tão
Fernandes, Toninho, Lelê, dona Santa do Celino, Pitito Cardoso,
Chico Raposo, Dedé Guedes, seu Bebém, seu Vadico,
Luizinho da Carolina, Neném da Nita, Sinhozinho Cazusa,
Paizinho, e o Grilo. Lá na rua do Canto tinha um marceneiro
chamado de Conde e o Dedé do ônibus. Havia ainda
a turma do futebol: o Lé, Zezinho Leiteiro, Iote, Procópio,
Zé Roxina, Mané Viola, Ico, Elias Patinho, Zé
Leão, Joãozinho Fuinha, Tindé, o Tão
Paiada, Cajão, os dois irmãos Jacos (gêmeos).
Tudo apelido.
Parece que consegui relacionar
mais de 150 pessoas, mas tem mais, é só pensar mais
um pouquinho.
H. Teixeira de Siqueira
Vila Velha, maio de 2003.

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