|

O MONTANHA CLUBE E OS HOMENS-BOMBA
Baile no Montanha Clube era sinônimo
de animação. E se o baile era tradicional, ai então
era comum as pessoas se aglomerarem na portaria do clube, até
altas horas, para conseguir autorização para entrar.Pois
bem, a história a seguir aconteceu durante o Baile das
Rosas, tradicional baile que acontecia todos os anos no Montanha
Clube.
Não precisa dizer que o Montanha Clube
estava "botando gente pelo ladrão". A rapaziada
começou cedo nos preparativos etílicos. Primeiro
no Bar do Getúlio, no pé da ladeira da Dona Dulce,
Bar do Tiãozinho ( pai do Faísca ), que ficava no
fim da ladeira ( onde era a loja do Tunico ) e, por fim o Bar
do João Pôncio, na esquina que dava para a ladeira
do Montanha Clube.A turma era grande e foi aumentando a cada mudançade
bar. Alguns nomes : Zé Maria Ferrugem, Pedrinho Melo, Toinha,
Piriquito, Zé Augusto Raggi, Orlando Lindão, Ronaldo
Castro, Gilberto, Renato Castro, Cosminho, Zé Antônio,
Adésio, Coronel e etc.
O baile já havia começado tinha
umas duas horas, quando o pessoal resolveu deixar o Bar do João
Pôncio e encarar a subida da ladeira até o Montanha
Clube. Aquela subida queimou bastante o estoque de álcool
acumulado no organismo do pessoal. Foi todo mundo direto para
o bar
do Clube.
Estava tudo transcorrendo na maior tranquilidade,
a orquestra "botando p´ra quebrar", o pessoal
dançando ( quem estava em condições, naturalmente
) e o balcão não dando conta dos pedidos
dos garçons. De repente, passa o Cosminho e o Zé
Antônio ( Saragaia ) rindo de se acabar. Deve-se fazer um
parênteses aqui para explicar que o Cosminho, quando em
estado avançado de embreaguês, ri e fuma, soltando
fumaça para todos os lados. Parece aquela Maria-Fumaça
quando vai entrar no túnel, apita e joga fumaça
para
tudo quanto é lado. Bem,retomando o assunto, então
Cosminho e
Saragaia passam rindo em frente ao balcão do bar, em direção
ao banheiro. Quem estava dentro do banheiro jura que o Cosminho
entrou avisando : " é isso mesmo minha gente, podem
mijar a vontade enquanto estão relaxados, depois vai ser
difícil ... " Ria e soltava fumaça.
Quando chegou a vez dos dois de utilizar o mictório, Cosminho
tira do bolso a caixa de fósforo e o Saragaia segura uma
bomba Cabeça de Nego. Foi acender e jogar atrás
do vaso sanitário. O estrondo foi tão grande que
a orquestra silenciou na mesma hora. O trompetista por pouco não
quebra os dentes da frente, pois com o susto, seus dentes cravaram
na biqueira do trompete. A batuta do maestro até hoje ninguém
achou. Dentro do banheiro era tanta fumaça que ninguém
conseguia enxergar um palmo a frente do nariz. Só se ouvia
as risadas do Cosminho e do Saragaia.
Foi um sufoco danado. Zarife Férez chegou
num piscar de olhos e estava uma fera. Nem precisou perguntar
quem tinha feito aquilo. Cosminho e Saragaia ainda estavam rindo
e foram conduzidos para a sala da Tesouraria. Zarife desfiava
todas as broncas e alguns xingamentos, completamente cabíveis
para a ocasião. Foram expulsos do baile e proibidos de
entrar no Montanha Clube, apesar dos protestos e apelos da turma
do barril, que adentrou a sala da Tesouraria para amenizar a situação.
Não adiantou nada, mesmo porque,
quando alguém conseguia falar uma frase inteira, era para
reclamar do atendimento no balcão do bar.
Cosminho
e Saragaia foram os precursores dos Homens-Bomba. Só que
o protesto deles era contra o péssimo atendimento dos bar-man
dos clubes e o resultado era muita fumaça e barulho.
Hoje não tem mais este tipo de protesto,
mesmo porque
não tem mais o Baile das Rosas e nem baile no Montanha
Clube. Mas, parece que essa história correu mundo e alguns
cidadãos de um povo distante, para protestar contra o tratamento
dispensado por outro povo vizinho resolveram, não riscar
um fósforo e acender uma cabeça de nego, mas amarrar
bombas mortíferas no corpo e dar cabo na vida dele e do
povo vizinho.
Por
favor, chamem a Zarife Férez !!!!
Gilberto
Vieira de Rezende

|