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PEDRA
DO PONTÃO
Por
escolha do destino, meus antepassados fixaram residência
nestas onduladas montanhas, e aqui tenho, através de minha
propriedade, a visão privilegiada da Pedra do Pontão.
Sua constante vigília silenciosa nos
transmite um tranqüilidade harmônica com a natureza
cercana. Ela, altivamente, mira o mesmo horizonte que nos cobre,
alcançando uma distância invejável pelos simples
mortais, que de sua pujança monumental de pedra com alma
de granito, olhos verdes de ardósia, coração
de pedra São Tomé, presenciou, de seu pedestal,
vidas passadas e vividas.
Quem sabe, quantas tristezas, alegrias, saudades,
esperanças, fés e tantos outros sentimentos, vividos
ao seu redor, durante todos esses anos, transcorridos junto a
sua petrificada existência.
As pessoas passam, mas ela fica , como testemunha
do tempo, implacável sobre nossa existências temporárias,
alertando-nos e informando-nos sutilmente a mudança do
tempo, através de sua sabedoria milenar, a natureza!
Quando a neblina, insistentemente, vai ocupando
o lugar do sol, o vento suavemente sopra as nuvens, cobrindo-a
com seu véu branco, como se fosse aquecê-la da possível
frente fria, que virá brevemente. Sua imagem desaparece
temporariamente, até que o frio se afaste, para que ela
possa, novamente, receber a luz do sol, clareando a esperança
do amanhã de nosso cotidiano.
Este símbolo é o referencial do
inconsciente, envolvendo todos aqueles que captaram sua grandiosa
beleza, na inércia de sua presença e jamais esquecem
aqueles que conviveram ao seu redor, no passado, no presente e,
certamente, também no futuro.
Viva a natureza, pois ela também é uma expressão
divina!
Vitória,
7 de maio de 1955
Raulino Pereira

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