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CAÇADA
DE PASSARINHO, COM O PERIQUITO (DJALMA)
Meus
caros amigos internautas, o que vou falar aqui, como já
disse anteriormente, eu jamais minto, falo a verdade, nada mais
do que a verdade.
Todos os nossos amigos de infância sabem
como o nosso amigo Periquito (Djalma) é medroso.
Naquela época ainda garoto, ele apareceu
em Calçado com uma barraca de Camping, com todos os assessórios
convidando todo a galera para irmos acampar na fazenda da Segunda.
Eu, Jefinho, Juninho (um primo dele que também
tinha uma barraca), Cabiúna, Ailson, Almir, Jiló,
falecido Fático, Ti Pingo, etc.... etc....
Todos nos sabemos que ele é muito medroso,
até hoje ele ainda é, ele tem medo até da
sua própria sombra.
Então saímos toda a galera, em
duas barracas para irmos acampar, levando todos os assessórios:
comida, café, pinga, espingarda de chumbo, fogareiro e
lampião a gás.
Lembro-me que logo na primeira noite ele exigiu
que o lampião a gás ficasse acesso a noite inteira,
pois tinha muito medo do escuro, ainda mais no meio do mato.
À noite ficamos jogando baralho e contando
caso de assombração. O Periquito todo "muado",
no canto da barraca ficava quietinho. Dormimos.
Ao amanhecer acordei e vi o Periquito dormindo
abraçado com o Jiló.
Chamei a galera toda para ver aquela cena, ele
abraçadinho todo encolhido com o Jiló. Pareciam
dois filhotes de hipopótamo, tomando sol à beira
do rio.
Depois disso ele ficou me ameaçando,
se eu contasse para mais alguém, ele nunca mais me deixaria
acampar com ele, principalmente na praia de Guaxindiba.
Lembro ainda que aquele acampamento estava previsto
para ficarmos mais ou menos 5 dias, mas como o meu amigo Periquito
é muito medroso, sua exigência era que todas as noites
o lampião dormisse acesso.
E no terceiro dia acabou a festa, voltamos porque
o gás tinha acabado.
Pois bem, isto não é o que interessa,
eu só quis comentar que ele sempre foi um cara muito medroso
(cagão). Este fato aconteceu no verão.
Nas férias de julho, como sempre, o meu
amigo Periquito voltou a Calçado.
Tivemos que fazer aquele ritual de pagar suas
contas atrasadas.
Depois disto, combinamos que iria fazer uma
caçada de passarinho, e marcamos que iríamos no
outro dia, saindo bem cedinho, de madrugada.
Combinamos também que ele iria dormir
na minha casa.
Naquela época nossa casa ainda era antiga,
lembro que no meu quarto não tinha forro no teto e que
no canto do telhado, havia um ninho de coruja com dois filhotes.
À noite quando fomos dormir, a coruja começou
a fazer barulho e a cantar, neste momento o Periquito começou
a perguntar, todo assustado o que era aquilo.
Eu falei que não precisa ter medo e que
no telhado havia um ninho de coruja com dois filhotes.
Neste momento ele pulou da cama de pijama, partiu
a mil para casa de sua avó, que nem o Cosminho correndo
quando ouvia um foguete estourar.
No outro dia às 4 horas, acordei e fui
para casa de sua avó, pois de madrugada, ainda escuro ele
jamais iria sozinho na minha.
Resolvemos que iria caçar indo pela rodovia
Calçado-Guaçuí, pois foi aquele caminho que
fizemos para pagar suas contas quando ele chegou.
Passamos na padaria da Tia Dulce e compramos
pão com salame, sem perder o habito de falar, "põe
na conta".
Quando descemos pela rua Quinze, em frente da
casa do Salim (munheca), havia muitos pombos na rua e o Periquito,
para começar, matou 2 pombos.
Pegamos o asfalto ainda escuro, e fomos andando.
Passamos pela casa do Zé Maria, irmão do Sebastião
Pimentel e antes de chegarmos naquela primeira curva, logo após
aquela roda de água que tem dentro do rio, de longe avistamos
dois vultos muito estranhos, vindo em nossa direção.
Quando mais se aproximava, mais estranho ficava
aqueles dois vultos, com chapéu, todo encapuzado vindo
em nossa direção, parecia dois espantalhos que tinham
fugido do arrozal.
O Periquito, um pouco para trás, segurava
no meu braço e perguntava:
- Carlim, o que é aquilo? Carlim, o que
é aquilo?
Falei:
- Fica calmo praga, deixa chegar mais perto
para vermos o que é.
Íamos ao encontro deles com a espingarda em punho e eles
ao nosso encontro e o Periquito atrás de mim, tremia que
nem vara de bambu, no bambuzal quando venta.
Neste momento, ouvi o disparo da espingarda
de chumbo. Pan!
Quando os dois espantalhos se aproximaram, identifiquei
sendo o meu pai e o Almir Lobo, retornando de uma pescaria no
rio Calçado. Vocês sabem como era aquelas roubas,
que ele iam pescar. Com traje a rigor de verdadeiro Judas.
Neste momento o Periquito cai desmaiado em nossos
pés, com a calça cheia de coco e toda molhada de
xixi.
Acudimos o cagão assustado, pois achamos
que ele tinha machucado com a queda e o Almir Lobo foi logo dando
esporro:
- Vocês são doidos, veja o que
vocês fizeram!
Mostrou um buraco na jaqueta, no peito, em cima
do coração e na mão, um chumbinho que tinha
sido disparado da espingarda do Periquito.
A sorte do Almir é que ele estava com
uma jaqueta jeans grossa e com duas camisas por baixo.
Naquele momento acabou a caçada, tivemos
que retornar, pois o Periquito estava todo cagado, catingava tanto,
que até hoje sinto aquele cheiro nojento.
Levei o cagão para casa de sua avó,
onde fui obrigado a joga-lo na banheira cheia de sabão
Omo, pinho sol e água sanitária, onde ficou de molho
o resto do dia.
Lembro que ele ficou uns três dias sem
aparecer na rua, recuperando do susto e da vergonha.
Isto não é estória de pescador,
qualquer internauta que quiser provar a verdade, entre em contato
com o Almir Lobo, que ele irá confirmar.
Depois disto, muito tempo depois, eu e meu amigo
fizemos uma viagem para Poços de Caldas.
"Mais isto, é uma outra estória".
Carlos Lacerda C. Crissaff
Vitória,
julho de 1993

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