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A MAGISTRATURA E UM BROINHA DETERMINADO

 

   A Magistratura é algo de mágico no imaginário das pessoas. Ser Juiz ainda representa, na visão de muitos, ser dono da verdade, da razão,ser onipotente e absoluto; o que prontamente não concordo. A Magistratura não sendo o equilíbrio, a sensatez, o conhecimento e a humildade na
aplicação da lei certamente não fará outro papel se não o da injustiça.

   Nossa querida terra teve oportunidade de conviver e viver com excelentes seres humanos que, oportunamente exerceram no início da carreira da Magistratura a função de Juiz em nossa Comarca. Dentre outros Magistrados, podemos citar: Dr. Homero Mafra, Dr. Lourimar, Dr.João Bastista Henkenhof e Dr. Enivaldo Valim que, juntos com suas famílias, na boa terra residiram e puderam fazer de suas carreiras exemplo e inspiração para muitos calçadenses. Tenho certeza de que a oportunidade que esses Magistrados tiveram em conviver com uma
sociedade ordeira, progressista, determinada e culta, foi fator determinante para o amadurecimento desses profissionais.

    Certamente inspirados também nesses homens, filhos de Calçado, como Dr. Aníbal Filho, Desembargador do TJ-ES, Dr. Bolelli, Juiz na Comarca de Campos - R.J., Dr. Rui Lengruber, Juiz na comarca de Caçhoeiro de Itapemirim, Dr. José Alfredo Junger, Juiz na comarca de Palmas -M.G. e Dr. Ronaldo Almeida, o mais novo, Juiz da Comarca de Conceição de Castelo, se destacaram na área judiciária. Sendo todos merecedores das honrarias que possamos dedicar, gostaria, sem demérito ou deferência, de me ater ao Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito Dr. José Alfredo Junger Vieira, se me permitam, simplesmente " TÉ do Alcênio " ou " TÉ da Dª CICI ".Aquele menino que cresceu na ladeira da Rua Quinze, juntamente com a galera do Milto Bendeca, do Wantinho, do Zé D'avila, do Dr. Epaminondas, do Jair Mello e tantas outras; O moço que quase faz a opção de gerenciar as propriedades rural do Pai, diga-se de passagem belas propriedades, em detrimento dos estudos mas, aí acho que falou mais alto a experiência e dedicação da educadora, sua mãe Dª Cici. Bastou que a família mudasse para a metrópole, especificamente Vila Velha, que o então jovem " Té " atendesse com afinco as orientações de que os estudos tinha prioridade naquele momento. A mudança vista a olhos nu me deixava meio confuso. Dos relatos em sala de aula no colégio de Calçado, do moço empolgado com planos para as atividades rurais, estávamos agora diante de um determinado acadêmico do curso de Direito, recitando poesias e proseando com sustentação em várias escritas das mais altas autoridades do mundo jurídico e literário.

    Do curso de Direito da Universidade Federal do Espírito até sua ida como Juiz para o Estado de Minas Gerais tivemos alguns bons momentos juntos com toda a turma em nossos aprontos na capital e em nossa terra. Parte desses momentos vivenciamos juntos ao trabalharmos na Escelsa, empresa de energia elétrica do Estado. O José Alfredo, no setor Jurídico da Empresa, atuou como um brilhante advogado nos interesses da empresa. Talvez, por vezes, tenha excedido por empolgação em sua ousadia ou até mesmo, em suas razões no mérito das discussões travadas nos tribunais, o que, talvez, lhe viesse a custar um pouco caro em seus objetivos profissionais na carreira Jurídica que planejara dentro do nosso Estado. Foram, se não me engano, três concursos para o ingresso na carreira da Magistratura que o competente e estudioso advogado prestara no Espírito Santo, sem êxito, pois, as etapas finais de prova oral eram sempre barreiras que colocavam em seu objetivo. Sua determinação em ingressar na Magistratura o leva ,como teste, a prestar concurso para o Ministério Público Federal,e, para o que não foi surpresa, o nome do José Alfredo veio encabeçando a lista dos aprovados. A principio seu preparo para o concurso estava testado. Aí uma dúvida cruel o toma de assalto. José Alfredo queria saber minha
opinião quanto a decisão de optar pelo Ministério Público Federal ou pela Escelsa, uma vez que lhe teriam prometido a função de chefe do Departamento Jurídico da Empresa. Se influenciou ou não minha opinião, só ele sabe, mas que sua posse como Procurador foi acertada eu nunca tive dúvida. Mas José não se dava por satisfeito. A dúvida daqueles
benditos concursos em que fora reprovado não lhe dava sossego. Resolveu então, prestar concurso para juiz em um outro Estado, pois
assim, estaria colocando seus conhecimentos à prova, em um ambiente onde sua condição de Advogado militante nunca fora experimentada
nos trâmites dos tribunais. Mais uma vez o resultado faz jus a capacidade do determinado jovem Broinha. Hoje sua condição de Juiz nas Cortes da Justiça de Minas Gerais deixa um certo vazio nas Cortes do Judiciário de nosso Estado, mas com certeza enobrece mais ainda a alma dos calçadense. Tenho certeza de que os princípios que nossa
terra cravou no coração desse Broinha tem feito a presença constante do equilíbrio, sensatez, conhecimento e humildade nas decisões de suas sentenças para com o povo Mineiro.

    É ! Bendita terra. Exemplo é o que não falta. Principalmente para os mais novos.


Abraços.

JAMIR BULLUS
Domingo/29/06/200
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