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O
Ônibus
Numa daquelas minhas férias escolares,
pra variar um pouco, eu fui pra Calçado. Entre tantas atividades
que inventávamos, tinha aquela mania gostosa de passear
pela praça. E o passeio se fazia em toda a praça,
aliás, em todas as duas praças, pois se minha memória
não me trai tem a Praça Governador Bley, que é
a que tem o Grupo Escolar no topo e a Praça que tem o Coreto.
Na verdade não tenho certeza que a segunda tem outro nome
ou se tudo é uma praça só. Mas isso não
vem ao caso agora.
Aquela
passagem pela praça que liga a chegada de Bom Jesus com
a Chegada de Guaçuí, era (ou ainda é) ponto
final do ônibus que vinha de Bom Jesus. Ele chegava ao anoitecer
e o motorista o estacionava naquele trecho no sentido Guaçuí
e ficava esperando o horário de saída de volta para
Bom Jesus e deixava o ônibus vazio para fazer um lanche
(provavelmente ia comer broinhas, no bom sentido, ou biscoitos
de polvilho na padaria da Dona Dulce).
Numa
noite daquelas, o povo todo já pela praça, e de
repente alguém gritou: Cuidado, o ônibus...
E
foi aquela correria. A marcha, que estava engatada com o ônibus
desligado, e que mantinha o veículo parado, simplesmente
desengatou (não me lembro bem se foi alguém ou alguma
criança ou se foi involuntariamente) e o ônibus iniciou
um movimento na direção da ladeira que descia para
Guaçuí.
Ele
desceu desgovernado e foi batendo em poste, meio-fio, o transformador
que ficava perto da casa do meu tio Zezé (do Caçulito)
estourou e o danado do ônibus descendo e o povo gritando
atrás, mas ninguém podia fazer absolutamente nada.
Não
me lembro de ninguém ter sido atingido pelo ônibus
em seu estilo "Velocidade Máxima". Parece incrível
mas esta cena passou no Cine São José, só
que do lado de fora. Só me lembro de sua chegada dramática
ao fim da ladeira, pois não podendo fazer a curva sozinho
entrou direto no muro da casa que ficava bem de frente. Acho que
era a casa do seu Zé Vieira, se não me engano. O
drama maior ficou para um cavalo que estava amarrado por lá
e que acabou ficando embaixo do tal ônibus e, ao que me
parece, teve de ser sacrificado.
Uma
pena o Keanu Reeves e a Sandra Bullock não estarem naquele
ônibus para salvar o pobre do cavalo.
Foi
uma aventura inesquecível para mim, mas acho que existem
detalhes dos quais não me recordo.
Que
bom ter vivido aquela cidade em momentos que agora posso contar
aqui para os mais jovens e trazer recordações para
os contemporâneos. Calçado é isso, pura história.
Um exercício de memória. De repente a gente se lembra
de uma passagem, que vira uma pequena crônica e faz a gente,
que nunca pensou em escrever, ou mais ainda, que achava que já
tinha esquecido ou não se lembrava mais de muitas coisas
boas, agora ser eleito para a famosíssima HACADEMIA CALSSADENÇE
DE PÔCAS LETRA. Não é nada, não é
nada, virei IMORTAL.
Gente,
é demais, né não? Valeu Fefeu, pelo convite,
que acho que deve ser confirmado também para a Eléia.
Antonio
Claudio Medina de Almeida
Niteroi - RJ

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