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ALIANÇA PARA O PROGRESSO
Acabara de entrar para o Grupo Escolar Manoel
Franco. Estava no primeiro ano ' A' comedor de fubá.
Vi uma movimentação de professores indo em direção
ao gabinete do grupo, onde a minha mãe D. Aydil trabalhava.
As professoras estavam em pé conversando a respeito de
um homem alto de óculos e nariz da ponta fina com uma linguagem
estranha. Por curiosidade entrei também. Minha mãe
apresentou-me como sendo o filho dela ao homem estranho. Ele falou
comigo mas não conseguia entender, até que aos poucos
e ele pausadamente se fez entender. Era um americano. Seu nome,
Keith Laverne Hewitt. Estava se apresentando como o americano
residente que iria ensinar técnicas de criação
de galinhas, coelhos e cultivo
de hortaliças, legumes ,etc. Colocou em cima da mesa um
aparelho quadrado meio estranho. Observei e não era um
rádio. Tinha dois rolos de fitas em cima. Então
ele pegou um microfone que estava plugado no aparelho e me perguntou:
- Qual é o seu nome ? Quantos anos você
tem ?
Eu respondi meio desconfiado , e ele disse.
- Espere um momento.
Ele apertou algumas teclas no aparelho e então
para minha surpresa surgiu a minha voz do que eu acabara de falar.
Era um gravador. Pela primeira vez eu ouvi a minha voz. Que estranho,
fiquei me perguntando
como era isso. Será que ele era um mágico ?
Quando foi embora, alojou-se no hotel do pai do Arnaldo, que tinha
um problema de audição. O hotel ficava ao lado do
grupo. Daí uns dias chegou um jipe azul claro, dos paralamas
dianteiros pequenos. Era para o seu trabalho. Aos poucos fomos
conversando e a minha curiosidade foi aumentado. Ele me mostrou
o painel.
Vi uma chave parecendo uma pequena taramela
de porta, e então perguntei o que era. Estava escrita lado
a lado da chave, left - right. Então me explicou que aquilo
era para avisar o sentido de direção do jipe quando
estivesse dirigindo.( a conhecida seta)
Chamou os meninos da vizinhança e fomos para o pátio
atrás do grupo. Ele levou um disco amarelo com as bordas
viradas para dentro. Ensinou a todos como jogar. Nós jogávamos
o disco para cima e ele dava uma volta quase completa. Levou taco
e luva de beisebol e também tentou nos ensinar. Sempre
estava dispoto a nos ensinar e repassar um pouco da cultura americana.
Criava gincanas, concursos de redação e vários
trabalhos estudantis em paralelo com a programação
de ensino do grupo escolar.
Com o tempo iniciou-se o programa do seu objetivo.
Fomos fazer uma visita ao seu colega Peter ,em Guaçui onde
estava desenvolvendo o projeto de hortaliças. Fomos recebidos
em sua casa. ele preparou alguns sanduíches para comermos
e então vi uma mulher preparando um a galinha gorda e então
perguntei:
- Vai fazer pro almoço ? Então
a mulher respondeu que era para o jantar. Que decepção
! E eu pensando na galinha na volta para Calçado. (risos).
Para a criação de galinhas foram
designados eu e meu primo Jacó. A granja ficava no quintal
da minha casa.
Para a criação de coelhos foram
designados o Otávio e acho que o Zé Antonio, pois
a principio as coelheiras ficavam la' na sua casa, onde tinha
a central telefônica antiga da mãe dele D. Aida..
Durante o projeto lembro-me que houve dois problemas.
Deu uma enchente enorme em Calçado e alagou tudo lá
embaixo e vários coelhos morreram afogados. Então
foram transportados para a casa do Otávio, irmão
da Alcina que foi criada pela mãe do Paulo Legal e Fefeu.
A casa ficava lá no alto do campo do Motorista.
Na criação de galinhas, houve
canibalismo. Morreram algumas galinhas. Elas beliscavam umas as
outras até morrerem. Quando os animais estavam grandes
foram vendidos e o Keith dividiu o dinheiro da venda conosco.
Fiquei feliz da vida quando também mostrou os nossos nomes
em um jornal americano da sua terra.
Ele casou-se com a Henriqueta, filha do seu
Éber do Cartório. Há'muito tempo não
o vejo. Fiz esta crônica em sua homenagem pelos bons momentos
que nos proporcionou.
Outros produtos também chegavam na Igreja
Presbiteriana.Eram distribuídos a população.
Roupas, manteiga de cabra, leite em pó, triguilho, em caixas
e latas com os seguintes dizeres em letras azuis:
DONATED
BY PEOPLE OF UNITED STATES
Almir
Lobo de Aguiar

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