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O BAIANO DA RUA QUINZE

Era Copa da Mundo, o ano 1966 eu descia a ladeira em direção a casa do Paulinho do 'Seu' Bianor.
Ao passar pela rua quinze, quase em frente da casa do Moreira, escutei pelo rádio um grito de Gol.
Olhei para a esquerda e havia um grande armazém onde pessoas escutavam o jogo Brasil x Portugal.
O jogador Euzébio de Portugal acabara de liquidar com o Brasil. Continuei caminhando um pouco decepcionado e fui tomar banho no rio com os amigos. Cheguei na casa do Dêgo e do Italiano filhos da Dona Luzia. Depois fomos na oficina do Baiano que ficava em baixo da casa do 'Seu' Bianor. O Baiano era um forasteiro que estava há pouco tempo em Calçado. A sua oficina consertava muitas coisas. Trabalhava com solda e outras coisas. Lembro-me que certa vez a minha bicicleta GORÏCKE que meu pai tinha comprado do pai do Paulo Legal e do Carlos(Fefeu), tinha quebrado a garupa e o Baiano prontamente consertou sem cobrar nada. O Baiano tinha um estopim muito curto . Era careca com um bigode de mexicano. Os moleques ficavam vendo ele trabalhar e quando alguém mexia em alguma coisa, ele gritava: - Larga isso aí, seu Cabrunco !!!
Certa vez ele juntou a molecada para uma caçada de jacaré. Fomos então, eu, Paulinho, Italiano, Dêgo, Nênen, Tião do Manequim, Crenandi e outros que não me lembro. O Baiano levou uma espigarda e uns "engasgos" para armadilha. Esses "engasgos" como ele chamava, consistia de três pedaços de vergalhão soldados com pontas afiadas. Na realidade era uma garatéia com pontas. A espingarda era para matar anu .( não o anu do Caçapa,esse foi morto pelo Tolete do Piriquito). O Baiano pegava o anú tirava as suas penas e colocava nos engasgos. Fomos la' pela Catadupa e em determinados locais que o Baiano chamava de cama do jacaré , ele armava os engasgos amarrados em uma corda. Nesse dia, no entanto não pegou nenhum jacare' . Alguns meninos resolveram vir na frente. Eu fui um deles. Mais adiante encontramos umas goiabeiras e subimos para pegar algumas. O sacana do Baiano ao ver de longe os meninos na goibeiras, disparou um tiro que alguns chumbinhos eu escutei passando nas folhas da goiabeira. Não sei se por esse motivo, mas lembro-me que certa vez ele foi preso por uns dois dias e eu que levava as marmitas para a Delegacia , êle me pedia para comprar cigarros no bar do Manequim na esquina da casa onde hoje mora o Zé Alfredo. Em outra ocasião, eu Tião do Manequim, Italiano da D. Luzia e outros resolvemos fazer um bote. Então o Baiano que era um puxa-saco do Paulinho do 'seu' Bianor , resolveu fazer um mini bote pra ele. O Paulinho ficava ajoelhado dentro do bote e remava com dois pedaços pequenos de madeira que o Baiano tinha preparado. O Paulinho subia a parte encachoeirada que tinha debaixo da ponte e parava para pescar lambaris na melhor posição. Fazia fieiras de um metro de lambaris. Era um mestre na pescaria, pois o lambari e' muito esperto e ladrão. Nessa época as cachoeiras eram formadas devido ao desvio do rio. A ponte estava sendo construída.
É uma pena não ter uma foto daquela época. Os personagens aqui envolvidos, certamente irão viajar no tempo
lembrando do Baiano e de suas estripulias ligadas a uma cachaça.

ALMIR LOBO DE AGUIAR - Vitória - ES - setembro de 2003.



 

 


 

 

 

 

 

 

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