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O FORDECO DO FRANÇA
Quando éramos crianças brincávamos
atrás do grupo com jogos de bola, pião, pipa,etc.
Existia sempre uma época, tipo temporada de cada coisa,
exceto a bola. As peladas aconteciam sempre ao final da tarde.
No entôrno do campo existia um barranco que ia aumentando
á medida que se aproximava da ladeira que descia para o
matadouro. Existia uma brincadeira que era pular do barranco e
cair na terra abaixo que ia desmoronando com o tempo. Certa vez,
estávamos nessa brincadeira quando o meu primo Cleonandes
( o Crenandi) deparou com alguns objetos consistentes e brancos.
Eram restos de ossos, pois ali' há' cerca de muitos anos
atrás ( acredito que 200) era um cemitério. Eu e
o Fefeu (Carlos Rezende) também participávamos das
brincadeiras, até que um dia ao pular eu bati a boca no
joelho, por ter chocado com o ele.
Atrás, perto do muro do grupo existia
uma ruína da última sepultura, onde sentávamos
para aguardar a vezde participar da pelada. Quando era a temporada
de pião, o Cleonandes era o melhor fabricante de carrapetas.(nome
que dávamos a um pião menor). O danado fazia com
o caule de goiabeira , e era dícifil de rachar.
Quando chovia, tapávamos as manilhas
do muro do grupo para acumular água no pátio. Pulávamos
o muro e a brincadeira consistia em jogar bola na água.
Era uma farra. Só que tinha um detalhe que ás vezes
eu esquecia por estar na farra também. Como a minha mãe
( D. Aydil) era a diretora do grupo eu tinha que dar exemplo.
Então quando chegava em casa tomava uma surra toda vez
que participava do evento.
Como sempre estávamos por ali, volta
e meia escutávamos o França chingando, tentando
consertar o seu fordeco. Era um fordeco 1929, cor azul claro,
muito bem cuidado.Lembro-me que certa vez ele me chamou e eu fiquei
segurando uma alavanca ou chave durante uma meia hora para ele
fazer alguns apertos. Ele levava o seu fordeco lá para
a praça e ficava aguardando algum freguês viajante.Naquela
época chamava-se carro de praça e não táxi.
Äs vezes quando se distanciava do carro a molecada começava
a brincar de pique ( eu, Ronaldo Castro, Toinha, Piriquito, Fefeu,
Calinha, Caçapa, Homerinho, Cabo Nilo, Bruno,etc). Aí
era um Deus nos acuda. Abríamos as portas do carro, corria
por dentro e passávamos pelo outro lado e escondíamos
dentro do carro dele. Outras vezes usava como escudo. Quando o
França percebia de longe, vinha gritando e corríamos
ladeira acima ou abaixo (risos).
Certa vez, eu tinha ido levar um recado pra
minha mãe no grupo e o Marco do Juquita pediu que eu fosse
napadaria comprar um pão para ele. Na volta ao atravessar
a ladeira em frente da casa do Ronaldo, não percebio fordeco
do França subindo a ladeira e fui atropelado. O carro foi
me arrastando ladeira acima e eu seguravaembaixo, via aquela roda
parecendo que vinha em cima de mim. Nesse instante, alguém
percebeu e deu um grito. O França percebeu e falou para
o Russo(*) que estava dirigindo. Pararam o fordeco e me tiraram
de baixo. Havia escoriações nas pernas e uma grande
na barriga. Fui levado para a farmácia para ser atendido
pelo Paulo. Lembro que sentia muita dor quando ele passava algodão
com mercúrio para fazer os curativos.
Fui para a minha casa e depois começaram
a chegar os amigos meus e de meus pais para ver como estava o
atropelado. Nessa época eu tinha apenas 6 anos de idade,
portando o acontecido tem 42 anos.
(*)
-Russo morou em Calçado na casa da ladeira onde morava
o Crissaf. O Crissaf morava na esquina da praça onde morou
o Sr. Simim que tinha uma loja de tecidos
Setembro
de 2003
ALMIR
LOBO DE AGUIAR

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