|

A
magia das montanhas
Sempre
penso em Calçado como o lugar onde nasci e onde passei
os melhores dias da minha infância, mesmo não morando
mais ali, mas freqüentando nas férias escolares.
É
um lugar mágico e só agora percebo a grandiosidade
dessa magia, pois através do broinha.com e com enorme alegria,
observo que não é só em mim que aquela cidade
provoca tanta saudade e tanta recordação.
Sou
filho de Antenor Braz de Almeida Junior e Therezinha Medina de
Almeida. Minha irmã, Rita de Cássia, aos 3 anos
foi Rainha das Bonecas, alguém deve se lembrar disso. Vou
tentar conseguir uma foto para colocar no site. Quando nasci,
morávamos na ladeira que subia para a praça, éramos
vizinhos da família do Tunico. Tenho uma lembrança
muito longínqua do Djalminha ter engasgado com um osso
de galinha, não sei se é lembrança mesmo
ou se de minha mãe ter contado em alguma conversa de nostalgia
calçadense. Lembro-me bem que no quintal dessa casa tinha
um pé de biribá. Alguém lembra dessa fruta?
(quando estive em Bom Jesus, há dois anos, trouxe uma muda
de biribá e plantei em minha casa em Niterói). Saímos
de Calçado quando eu tinha por volta de 3 anos de idade
e fomos para Araruama, depois para Campos.
Lendo
as crônicas do Carlos Eduardo, do Djalminha (Piriquito)
e de tantas outras pessoas, verifico que até naquelas histórias
me sinto presente ou me imagino presente. O Carlos Eduardo foi
muito feliz fazendo relatos históricos de personagens dos
quais muita gente nem se lembrava mais, no sentido de comentar.
A Josefa, o Keith, entre outros tantos. Suas descrições
são românticas e por vezes comoventes. O Djalminha
é um narrador mais escrachado (no bom sentido), que faz
das pessoas com as quais conviveu personagens divertidos, mas
mostra também o lado sofrido deles, que o diga o Caçapa.
Este é de dar pena na narrativa do Djalminha, mas confesso
que morro de rir quando leio e releio.
Com
o Carlos Eduardo, assim como com o Juquita, eu convivi mais tempo,
pois passava as férias escolares sempre em Calçado,
na casa do vovô Caçulito (grande figura), que depois
ficou conhecida como a casa do Dr. Celson, meu tio. Tive pouco
contato com o Djalminha e com o José Antonio. Mas moramos
em Niteroi e eu fazia questão de abastecer no posto Chafariz.
Depois mudei pro Rio e quando voltei para Niteroi não mais
vi o Djalminha. Só agora fiquei sabendo que ele se mandou
pras terras do Tio Sam.
Gostaria
de aproveitar aqui o espaço e dar os parabéns ao
Oscar pela iniciativa do broinha.com. Ele não deve se lembrar
de mim, mas me lembro muito bem dele. Irmão da Carlota,
que fazia parte de uma turma mais velha (mas nem tanto) que eu,
mas que eu andava por perto com a minha irmã, Rita de Cássia.
Tinha a Minervina, a Queta e a Solange, minhas primas, o meu primo
Luciano (peça raríssima), o Lineu, o Pereira e a
Vânia do "seu" Honório. Relacionando as
pessoas de quem me lembro, tinha a Fatinha do Bianor, o Zói,
a Dorcas, a Clicia, a Sony (que foi a minha primeira namoradinha
na fase infância/adolescência), a Lecy e seu irmão
Lúcio, a Vera e a Aurora da dona Edissé, o Paulo
Legal, o Cachola e o Paulinho do Tião Machado, a Debrinha,
o Aymbiré, a Tina, a Cibele, a Dilza, o Bastião,
a minha prima Viviane e seu irmão Ribeiro Neto, a Soraya,
o Juquita e seus irmãos Zé Antonio, a Cláudia
e o Marcelo.
Parando para Respirar... Ufa!!!
Continuando,
me lembro da Rita (que morava lá na Vala), do Arnaldo,
da Fátima e da Regina (filhos da dona Tita e do seu Tiná
da Pensão), dos irmãos Claudio, Ana e Zé
Medina (primos), do Álvaro filho do Paulo Medina (primo),
da farmácia que era do "seu" Cruz, O Javinho,
o Jefinho e o Juninho, a Shirley, o Solimar e o Tiquinho, enfim,
me lembro de muita gente, mas com certeza devo ter me esquecido
de alguns, que me perdoem, pois depois de longos anos a memória
falha, desde que não seja um perdão do tipo que
o Djalminha deu pro Caçapa, não.
Algumas
lembranças que eu tenho claras em minha memória:
O seu Zezé, avô do Juquita, que andava pela Calçada
com as mãos para trás, da mesma forma que o seu
Gastão. A dona Maria que andava pelas ruas de Calçado
e que os mais velhos assustavam as crianças dizendo que
iam mandar que ela as pegasse se fizessem alguma "malcriação".
O Mané França com o seu fordeco, seu Zequinha, a
Zarife o Antonio Paizinho, o Tião Machado, a dona Dulce.
Aqui faço uma pausa para dizer que a dona Dulce é
a responsável pela melhor parte da minha memória:
aquele biscoitão de polvilho, nunca comi outro tão
saboroso e ouso dizer que se Calçado tem um sabor, é
o daquele biscoito.
Quem
não se lembra da Difusora do Jair Mello que noticiava tudo
o que acontecia em Calçado, de casamentos e nascimentos
a velórios e enterros (ou sepultamentos, como ele dizia).
Quem não se lembra das festas de Calçado em que
eram montadas as barraquinhas na praça? Tinha chocolate
quente, pescaria e muitas outras atrações. Quem
não se lembra de filmes de terror e de seriados no cinema?
Aquelas sirenes que avisavam o tempo que faltava para o filme
começar. Inesquecível! Os sinos da Igreja chamando
para a missa. O Padre Amando com aquela batina preta já
meio surrada, sempre com um cigarro aceso, as unhas encardidas
de nicotina. Quem não se lembra dos carros de boi com aquele
berro do freio para descer as ladeiras anunciando a toda a cidade
de sua chegada? Quem não se lembra do Jaspe que nos fins
de tarde anunciava as tempestades, pois era onde as nuvens carregadas
primeiro se formavam. Se ali estivesse escuro, era chuva na certa.
Quem não se lembra das brincadeiras dançantes ou
dos bailes de carnaval no Montanha Clube? Ali se ouvia muito não
das moças quando convidadas a dançar. Me lembro
de uma mesa com 4 moças em que fui convidar a primeira
para dançar. Ouvi um não. A segunda, outro não.
A terceira, idem. A última, acho que ficou com pena de
mim e aceitou. Naquele Montanha começaram muitos namoros
que culminaram em casamentos. Muitas brigas também aconteceram
ali. Me lembro de um camarada chamado Alcides, acho (em algum
tempo ele tinha uma moto, cabeludo, barbudo), que, bêbado,
desceu a ladeira do clube a pé, foi aumentando a velocidade
e não conseguiu chegar no fim da ladeira em pé.
Deu uma cambalhota involuntária no ar e bateu a cabeça
fazendo um corte. Fizeram um cortejo com o pobre coitado até
a farmácia e depois até o hospital para que pudessem
atendê-lo, só que o levaram como se fosse um enterro.
Muita bagunça se fazia, mas sem conseqüências.
Eu
ia muitas vezes a pé até a fazenda Memória
de meu tio Zezé do Caçulito, só pra poder
andar a cavalo. Lá eu encontrava o Cacique, um cavalo castanho
que tinha uma orelha caída e que pertencia ao meu primo
Zé Geraldo Medina, na verdade ele tinha dado à sua
esposa Maria Edy, e eu vinha para Calçado montado naquele
belo animal, me achando o máximo, depois eu voltava para
levá-lo de volta para a fazenda e voltava para Calçado
a pé, para no dia seguinte repetir tudo novamente. Aliás,
o Zé Geraldo marcou muito a nossa infância, pois
sempre levava a gente para passear no Jeep ou no Austin e achávamos
o máximo quando ele passava na cancela, na entrada de Calçado
vindo de Bom Jesus e a gente abaixava a cabeça com medo
de bater na madeira. Acho que era um Posto Fiscal, ou coisa parecida.
Com relação à praça de Calçado,
nem há o que dizer, pois não é novidade para
ninguém. Era ali que tudo acontecia. Praça belíssima,
muito bem cuidada, colorida, onde, á noite, as pessoas
passeavam e me chamava a atenção o fato de as moças
andarem num sentido e os rapazes no outro. E girando, toda hora
eles se encontravam.
Em
1979 eu tive o prazer de fazer um estágio na Escelsa em
Alegre, o que me dava a oportunidade de passar em Calçado
toda sexta feira, quando ia para Campos e todo domingo quando
voltava para o estágio. Em 1980 vim trabalhar no Rio e,
pasmem, encontrei o Juquita aqui perto do meu trabalho. Mundo
pequeno é assim mesmo. Fui morar num prédio em Niteroi
e quando fui utilizar a piscina do condomínio, pasmem novamente,
encontrei o Paulo Legal, fomos vizinhos. A Dorcas eu encontrei
por acaso no escritório do CREA, quando fui efetuar meu
registro de eletrotécnico. Ela morava em Niteroi também,
não sei se ainda mora. O Caçapa, não tenho
certeza, mas acho que encontrei uma vez na fazenda que meu primo
Januário tinha e Cachoeiras de Macacu, na festa de aniversário
de seus 50 anos.
Me
digam, com sinceridade: pode ter existido alguém que morou
ou passou em Calçado que não tenha passado por um
encantamento?
Pois
é. Calçado para mim é um lugar mágico.
Precisa ser preservado. Quem sabe com a ONG a situação
se reverta! No que estiver ao meu alcance contribuir, podem contar
comigo. Me daria muito prazer saber dessas pessoas que conheci.
Se quiserem me dar o prazer, meu e-mail é amedina@nitnet.com.br.
Se alguém souber, como eu consigo uma assinatura da ORDEM?
Um
beijo em todos vocês.
Antonio
Claudio Medina de Almeida
Niterói-RJ

|