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Querido
amigo, Carlos Eduardo,
Os mais velhos sempre exerceram sobre os mais jovens um fascínio
natural. Daí sermos naturalmente encantados por nossos
irmãos e amiguinhos mais velhos... Há em nós
uma tendência incontrolável em querer imitá-los
e acompanhá-los. É certamente a sabedoria neles
implícita que nos apaixona.
Dizem que nascemos cada um com um dom, não
sei se nasci com o dom de contadora de histórias, creio
muito mais tê-lo herdado de minha tia Lulu, que nos encantou,
por várias gerações da família, com
suas histórias incomparavelmente belas e por isso mesmo
inesquecíveis.
Da mesma forma, creio que foi com vocês,
os meus queridos amiguinhos daquela época, o meu primeiro
ensaio como contadora de história, que eu exerceria vida
afora, com os meus sobrinhos adoráveis, tal qual a querida
tia Lulu...
As histórias não poderiam faltar
naquela família de amigos, elas eram a essência de
um mundo mágico, do aconchego infantil.
Há poucos meses terminei de escrever
o livro Contos de Casa (a ser publicado em breve). Nele eu procurei
registrar as nossas brincadeiras, no quintal daquele casarão
querido, na cidade de São José do Calçado
de todos nós... E aquele quintal, que à noite tanto
nos amedrontava com a sua escuridão fantasmagórica
e abissal, durante o dia transformava-se no palco mágico,
onde tínhamos ao nosso alcance todos os elementos da felicidade.
Na abertura do livro faço a todos vocês,
os amiguinhos daquela época, a minha terna homenagem de
saudade, e você, Carlos Eduardo, o caçula da turma,
está carinhosamente incluído.
A sua crônica, dirigida a mim, emocionou-me
intensamente... Fez-me rodopiar num vôo de volta àquele
tempo, grudada nas asas da saudade...
Recebo-a, amigo querido, como uma homenagem,
como se fossem flores nas suas mãos, flores de um colorido
mágico, visível apenas para alguns poucos...
Obrigada... Deus o abençoe ...
Afetuosamente,
Solange

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