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Tolete, Buchinga e o anú do Caçapa

Meu perdoado e agora super dentado amigo Caçapa

   Quanto tempo não é mesmo? Pois é,meu amigo, estava dando um tempinho para você se acostumar bem com a sua nova dentadura descartável e vi que realmente ela está funcionando muito bem. Como você tem falado. Falado, pois quem escreve é seu filho Caim e pelo que me consta você ainda não conseguiu fazer tal proeza. E a Regina, sua esposa? Está aí do seu ladinho para ler? Espero que sim.
Bom, hoje estou te escrevendo essa pequena missiva para te perdoar, mas também para te dar um pito. Não é cigarro não sua besta. É uma esculhambação, predecessor do Armagedon,do fim do mundo. Coisa para te deixar desarrumado, pior do que gaveta do Oscar Luis quando ele morava em Viçosa.
   Primeiro vamos começar com a dita cuja que você citou naquela cartinha que você mandou para o Broinha. Aquela!!!! Aquela que morava ou mora atrás do campo do Americano. Não vou citar o nome dela pois a dita cuja ainda não morreu. Depois que morrer a gente mete o cassete, no bom sentido, é claro.
   Eu ia lá mesmo, sabe porque? Por que ela era do sexo feminino.Eu não fazia igual a você que gostava de fazer suas estripulias sexuais no reino animal, bem como no vegetal. Mais abaixo entraremos em detalhes. Só para relembrarmos.
   E tem mais, ia lá por que eu mato a cobra e mostro o pau. E você? Além de gostar muito de cobras, também no bom sentido, vai mostrar o que? Esse gravetinho xexelento e mixuraca que você tem? Que mais pareçe espinho de laranjeira? Ou se preferir, pau de virar tripa?
E quantas vezes,você meu amigo, também não fazia das suas no reino que não sabemos qual é? Nem animal,nem vegetal.
Quantas lembranças me voltam agora!!! Vendo você sair, lá pelas onze da noite, para aprender a falar francês. Aprender a falar francês, ás onze da noite, em Calçado. Só você mesmo, meu napoleônico e parisiense amigo.
   Mas tenho que concordar quando você o(a) chamava de Mãezinha. Realmente era. Não era pai, não era paizão e muito menos paizinho. Era uma mãe, ainda mais depois de servir a tantas gerações de moleques calçadenses. E lá ía você , todo saltitante e serelepe para a sua aula de francês noturna. Se bem que a única coisa que aprendeu a falar foi : "Ou dá ou desce", em portugues mesmo.
   Você se lembra aquela vez que fomos na casa do Dr. Celso roubar as pinhas dele? Aquelas que ele vigiava, com todo carinho, quando ainda eram flôres no pé? Vamos lembrar daquele dia, após a nossa incursão clandestina no pedaço de terra alheia.
Mais ou menos onze da manhã, a vó Enedina chama a gente para almoçar e você sem perder tempo e com duas pinhas na mão falou:
- Olha aqui dona Enedina, a mamãe mandou para a senhora.
Cara de pau, pinguço de terceira categoria, lagartixa metida a jacaré.... Tudo isso só para ir comer bananas nanica lá no quintal. Antes do almoço.
E lá partiu você de encontro äs bananeiras. Almoçei, almoçei,almoçei e nada do Caçapa. Será que está comendo banana ainda? Fui averiguar. Que susto!!!! Além das bananas, você estava literalmente comendo a bananeira. Atarracado na danada, com o umbigo do cacho da dita cuja na boca e falando:
   -Piriquito,Piriquito, é bom demais!!! Olha, vê se não pareçe um mamá?
   Aquele troço meio vermelho, meio roxo, meio sei lá o que na sua boca e você lá, igual a um bezerro.
   Tarado!! Transfigurado sexual!! Preste atenção, não estou te chamando de travesti, olha lá, não deturpe minhas palavras.
Nunca em minha vida iria e poderia imaginar tal cena. Se bem que, até que para você não ficou de todo ruim. A bananeira era que era um pouquinho alta, poderia ter sido uma menor.
   E você não parou por aí. Sempre me dando trabalho. Como daquela vez fomos andar a cavalo e você ficou cheio de Almir Lobo, perdão, cheio de carrapatos. Te demos um banho de neocid, aquele da latinha que fazia pof,pof....lembra-se? Você ficou mais branco do que formiga cabeçuda quando colocam pó de broca no formigueiro. Tossiu um pouquinho, mas foi coisa rápida,nada de maiores preocupações.
   O pior foi a inflamação nos cabelos da virilha. Dos dois lados. O que fazer? Na época tínhamos 12 ou 13 anos, meio inexperientes, coisas desse tipo. Mas eu, sómente eu, esse seu exilado amigo que você trata com tanto desprezo,mais uma vez achei a solução, a Fármacia do Paulo Medina. Chegamos lá jururús,com vergonha e lá fui eu, comovido com sua deplorável situação e falei bem baixinho para o Paulo e para todos os outros que estavam na farmácia,mais ou menos umas 9 pessoas:
   - Paulo, esse meu amigo aqui,ó, está com uma inflamação terrivel nos cabelos da virilha, o que ele pode tomar?
   O Paulo não perdeu tempo, respondeu de imediato com toda a sua sabedoria de farmacêutico:
   - Traga essa tralha aqui Piriquitinho, vou aplicar uma Besetacil de 500 mg.
   Pronto, onde estava o tão famoso e corajoso Caçapinha? Fugiu... Tive que pegar você no bar do seu Carlindo e te levar ,depois de muita conversa, para tomar a injeção.
   Aí você entrou para a salinha de injeções e eu de botuca, rindo de me esguelar da sua cara. O Paulo fez todo aquele preparativo preliminar e eu lá, torcendo para a agulha envergar quando ele aplicasse a injeção. Era para dar mais emoção.
Nisso o Paulo falou:
   -Tire a camisa, pois vou aplicar no músculo.
   E eu apavorado, pois não queria ver você sofrer, coisa que nunca foi do meu feitio, gritei:
   -No músculo não, ele gosta de tomar é na bunda!!!!!!
   Meu Deus, para que falei tais palavras. O Paulo e os outros que estavam na farmácia começaram a te olhar de um jeito estranho, imaginando, mas o filho do Crissaff também?
   E eu mais uma vez tive que te salvar explicando para os presentes:
   -É injeção. Ele só gosta de tomar injeção na bunda.
   Ufa! Que alivio me deu. Imagine só, meu melhor amigo com tal imagem? Nunca.O que iriam pensar de mim? Sai de mim abacaxi,tomei leite.
   Mas você continuava com as suas. Como daquela vez que o Acácio Mingau,se não me engano foi ele, foi pescar com o pai e trouxe um sapão medonho que ele pegou na beira do rio e me deu. Aquele sapo-boi, grandão. Fiquei todo bobo com meu sapão. Ninguém tinha um sapo como o meu. Até a dona Nazira deve se lembrar dele, pois ela me deixou de castigo no gabinete do grupo junto com o Irã Brasil, só por que eu levei meu sapão para a aula e joguei em cima do Pinguinho e da Cibele. Muito a contra gosto por sinal, pois eu nunca gostei de fazer tais coisas. O Irã é que ficou me atentando.
   Nisso quando você viu meu sapão exclamou:
   -Piriquito, que tolete de sapo!!!!
   Pronto, aí estava o nome do meu sapo: Tolete. E como você adorava brincar com meu Tolete(o sapo). Apalpava, acariciava, dava petelecos na cabeça dele, enfim, fazia de tudo com o Tolete. Até beijar o meu Tolete (o sapo) você beijava. Nunca vi disso, alguém beijar um sapo.Só naquela estória da princesa que beijou aquele sapo para ele virar principe, que por sinal um principe bem aviadado.Deixemos isso de lado,não interessa aqui.
   Um dia, você vai se lembrar, estávamos brincando com o Tolete dentro de casa e a mãe quando viu não perdeu tempo:
   -Alice, ponha essas crianças e esse sapo horrorosso para fora de casa agora!!
   Que desgraça. A partir desse dia eu tinha que por o meu Tolete(o sapo) para fora toda vez que você queria brincar com ele. Era um inferno. Pelo menos 3 vezes ao dia eu tinha que colocar o Tolete para fora só para te satisfazer.
   Mas você sempre me atentando. Reclamava que não tinha bicho de estimação. Então num belo dia, fomos pegar lesmas lá no jardim da praça, que era para o pai fazer de isca para pescar piau. A gente vendia, você lembra? Cada 5 lesmas valiam um Mineirinho ou um Grapette no Bar do Tião Machado.
   Nisso aconteceu, aconteceu o que você mais queria na vida, achamos seu bicho de estimação: um filhotinho de anú que tinha em um ninho naquelas arvorezinhas da praça e uma perereca que também achamos no mesmo dia.
   Quando o Zé Gomes viu você com aquela perereca na mão foi logo reclamando:
   -Saiam do meu jardim seus moleques!! Ainda mais você, filho do Crissaff, com essa buchinga na mão.
   Pronto, mais um nome: Buchinga, a perereca. Como na época você dava umas paqueradas na Laudicéia você deu a perereca para ela. Ficou Buchinga, a perereca da Laudicéia; Tolete, meu sapão e você com seu anú; que infelizmente não tinha nome.
   Que beleza, todo mundo feliz. Cada um com seu bichinho de estimação. Mas você sempre reclamando e fazendo das suas.
   Um dia estávamos brincando na sua casa com os bichinhos e você pegou o Tolete e começou:
   - Vem Toletinho, vem brincar com o papai!!!!
   Xiiiii.... comecei a olhar meu enviezado para você. Brincando com meu Tolete ( o sapo) e falando desse jeito? Sei não....
   Mas tudo não passou de uma recaida e você em poucos minutos voltou ao normal, para meu alivio.
   Então a hora mais esperada, o almoço da dona Eni. Feita no fogão de lenha, que belezume,que gostosura.
   Mas você cometeu um erro fatal. Deixou o Tolete sózinho com a Buchinga da Laudiçéia e o seu anú.
   Pronto, aconteceu o esperado. O Tolete comeu a Buchinga da Laudicéia e o seu anú. Coisa horrivel a choradeira que você arrumou.
Dona Eni ouvindo aquilo, veio correndo pensando que tivesse acontecido alguma tragédia e perguntou:
   - O que houve Carlos Lacerda?
   Você entre lágrimas e resmungos respondeu:
   -O Tolete do Piriquito comeu meu anú!!!!
   Meu amigo, quando você falou isso, eu tremi.Tremi na base, pois sua mãe começou a olhar para você com aquele mesmo olhar estranho também. Como se estivesse pensando, será possivel que meu filho também é?
  Mais uma vez tive que te salvar, pois já conhecia esses olhares e expliquei para a dona Eni:
  -Né nada disso que a senhora está pensando não,dona Eni!!! Foi o meu sapo que chamave Tolete que comeu a perereca que o Carlinhos deu para a Laudicéia e comeu também o filhotinho de anú do Carlinhos. Falei bem pausadamente para ela entender direitinho.
   Já imaginou a coça que você ia levar? Heim canalha? Heim?
   Mas nem isso você me agradeceu. Mas não tem problema não, eu com certeza continuarei te perdoando apesar de toda sua ingratidão.
Eu, somente eu, esse seu exilado amigo que te tirou da escuridão e te lançou ao conhecimento da humanidade e até de seres alienígenas, pois seu nome hoje chega aos confins do Universo.
   Seu nome hoje chega mais longe, mas muito mais longe do que a nave espacial USS Enterprise de Jornada nas Estrelas. Chega onde o homem nunca pisou e nunca pisará.
   Tudo graças a mim, esse seu humilde amigo e servo, que está aqui mais uma vez te lançando rumo às estrelas, ao infinito, ao encontro talvez até do cometa Halley, o qual poderá chocar-se com essa sua bocarra e deixar a Terra em paz de uma vez por todas.

   Abraços para você, meu afrancesado amigo, e que te protejam de todos aqueles olhares esquisitos

   Do seu interestelar e agora também sheriff do chat

Piriquito


 

 

 


 

 

 

 

 

 

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