A CARONA



Nas minhas corriqueiras viagens de Vitória a São José do Calçado, freqüentemente mudo o meu itinerário para quebrar a rotina e a monotonia as estradas que me ligam ao meu destino.

Vez por outra, prefiro passar pelo litoral capixaba com sua paisagem que salta aos olhos dos viajantes, como se fosse uma imagem na tela da televisão, cujo controle visual é feito automaticamente pela natureza à proporção que avançamos no nosso caminho planejado.

Vivo as imagens que vão surgindo na trilha dos meus pensamentos, tornando o percurso prazeroso, que faz flutuar a minha imaginação na vivencia e sofrência percorridas pela estrada da vida, cujo passado está sempre presente nesta hora de intimidade de minhas reflexões. Confesso que delicio-me com a liberdade da minha imaginação gratuita e da profundidade do pensamento que nos dimensiona a amplitude do nosso mundo interno que, paradoxalmente, se confunde com a realidade externa de nossa vida.

A música às vezes faz parte deste contexto, mas freqüentemente procuro conviver egoisticamente no silêncio para não ter invasão de privacidade no meu pensamento reservado e privativo.
Numa destas ocasiões estava eu passando por Piúma e fui solicitado a dar uma carona, por uma jovem senhora, cuja beleza me chamou a atenção. Ela carregava uma criança no colo que apresentava ter aproximadamente 5 ou 6 anos.

- Parei e perguntei para onde desejava ir.
- Para Cachoeiro, respondeu imediatamente.
- Serve até a Safra, entrada de Cachoeiro?
- Ela concordou e se acomodou no banco do carona com o seu filho no colo.

Assim que ela sentou, tive uma visão mais detalhada de ambos, principalmente da mãe cuja beleza física sobressaltava com o brilho da juventude.

Ela, em silêncio, como se fosse a coisa mais natural, sacou o peito esquerdo totalmente para fora e deu para o menino mamar.

Este imediatamente abocanhou com sofreguidão e segurou com as duas mãos. À proporção que sugava o mamilo, seus olhos fixavam-me com a cabeça apoiada no seio direito e, com as mãos, apertava aquele monumento biológico, arredondado, saltitante como uma gelatina.

Realmente era uma maravilha de seio, sua auréola rosada e bem torneada, sobressaia o bico ereto e suculento, que vez por outra escapava de sua boca quando o carro fazia uma curva mais fechada.
Ele voltava a abocanhar o seio numa rapidez de profissional, isto sem desviar o seu olhar de mim.

- Um pouco irritado pelo seu procedimento, perguntei:
- Quantos anos tem seu filho?
- Ela respondeu: Ele fará 6 anos brevemente.
- E você continua amamentando este bezerrão!

Defendendo o guloso, ela disse: este menino não me larga, quer mamar a toda hora.

Eu pensei: Também, com um peito deste, até eu. Em seguida refleti. Isto é loucura que estou pensando, só faltava esta agora, eu com inveja do menino.

Nesta hora lembrei-me de meu pai (Meroveu). Estávamos voltando de São Benedito, de carro, quando passamos por uma jovem bastante atraente na beira da estrada de terra.

O carro, na sua baixa velocidade, nos permitiu repará-la por completo, principalmente os seus olhos que são o que mais observamos nas pessoas ao passar por elas na beira da estrada em baixa velocidade. Notamos que a jovem era estrábica (instalação-trocada). Ficamos em silêncio por algum tempo e comentei: Bonita a menina, é pena que tem estrabismo.

- Meroveu, imediatamente respondeu: Ah... se eu dormisse com ela, garanto que no outro dia seus olhos estariam consertados.

- Eu falei: Você, além de despi-la, já dormiu com ela e consertou seu estrabismo. Você tem uma...na cabeça. Mais esta é uma outra estória, vamos deixar pra lá.

Voltando ao bezerrão, estava eu absorto nos meus pensamentos quando fui interrompido pela jovem senhora.

- O senhor não me leva a mal, mais eu tenho medo de velocidade. Na verdade não é por mim e sim por este aqui. Apontou para o menino, que olhava-me com cara de gozador irônico e prazeroso. Confesso que naquela hora tive ódio do “mamão”, que parecia estar me fazendo inveja com a sua sucção.

Pensei com meus botões: Que atrevimento desta senhora, dando sugestão no meu comportamento de motorista e, além do mais, como se eu fosse um irresponsável, e que a vida do bezerrão valesse mais do que a minha caso sofresse um acidente.

Felizmente, ou infelizmente, estávamos nos aproximando da Safra e lá parei para deixar os meus ilustres caronistas.

Ela agradeceu à sua moda e o menino me lançou um sorriso maldoso no colo da mãe e continuou com a mão dentro da blusa agarrado no seio. Imagino que ele o acariciava pelo movimento que fazia com a mão.
Seguindo meu caminho, voltei a apreciar as paisagens e fui deixando aquela imagem para trás, dando lugar novamente às minhas imaginações companheiras das minhas viagens na estrada da minha vida.

Raulino Pereira

 



 

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