"Ausência e alguns bichinhos..."


Depois de um período de afastamento, estou voltando ao broinha.com. Talvez, numa dose grande de saudades gerada e recrudescida, principalmente pelos meus pais e tios queridos, que estiveram recentemente na "Terrinha Privilegiada", durante o Carnaval, e cheios de novidades, contaram-me o quão divertido foi estar entre os amigos e parentes. Saudades também provocadas pela minha amiga querida, Viviane Monteiro Tavares, que lembrou-se da "quase" broinha perdida em São Paulo e me presenteou com um email lindo na semana passada. Saudades provocadíssimas pela querida Eléia Abreu, que com seu carinho e carisma, sempre se faz presente no meu dia-a-dia, e que ontem, domingo, 05/03/06, me "panfletou" mensagens lindíssimas que fizeram, de forma literal, eu "refazer o meu caminho da roça", ainda que só na minha memória. Mas, saudades mesmo, eu tive ao ler a crônica linda do Gilberto "Juquita" Rezende, sobre o Hotel da D. Tita e do Seu Tiná. Aí eu viajei de verdade....

Como vizinhos de parede da Dona Tita e do Seu Tiná, minha família: Vovô Celson Medina e seus filhos, eram ligados pelos laços da boa vizinhança e grande amizade pela Fátima e pela Regina, que minha tia Solange lhes devotava. Eu, que fui criada nas férias escolares e feriados naquela ladeira da Pça. Governador Blay, criança de fraldas e mimos, acostumei-me com aquele entra e sai de hóspedes que havia e ao qual eu assistia, impressionada, da janela da casa do Vovô Celson. E, quando, graças a Deus, "se" esqueciam de mim em casa, eu pulava a janela e mureta que separava as nossas casas, corria prá cozinha da D. Tita e ganhava sempre uma broa, uma papa, um café fraquinho e docinho e, quando ouvia minha mãe a me chamar, corria casa adentro. Na certa ia sobrar alguma palmada por fugir prá casa da D. Tita "otra veiz".

Cresci vendo a D. Tita e o seu Tiná na labuta diária. Aconteceu uma vez, (essa minha mãe vai morrer de vergonha, mas eu tenho que contar), com a farta e longa cabeleira loira que sempre tive e moleca de rua que sempre fui, me obrigaram a ficar dois dias inteirinhos em casa. Eu tinha somente oito anos, mas nunca me esqueci: A D. Tita, me vendo quieta em casa e com uma fralda branca na cabeça (devia ser do meu irmão bebê) veio me perguntar: " - Menina, que fantasia é essa agora? E por que você tá presa em casa? Tá de castigo? Nadou no rio de novo?". Em tempo: meu pai, Jonacy Moraes, nunca permitiu que eu nadasse no rio de Calçado mas eu ia escondido e sempre fui descoberta porque mentia e continuo mentindo muito mal. Invariavelmente, estava de castigo. A minha salvação foi a piscina do Ginásio. Abençoada seja! Voltando ao nosso diálogo, meu e da D. Tita, eu, inocente que era, falei: "- Não D. Tita, não é fantasia. É que eu estou muito doente, com problema de cabeça. A mamãe passou "neocid" (que crime!) na minha cabeça prá ela sarar e eu ficar boa de novo." Assustada, ela falou:"-Que doença é essa que eu não estou sabendo e que sua mãe nem me pediu orientação?". Foi aí que respondi:"- Piolho, D. Tita, piolho". Olha, até hoje eu sou capaz de escutar a gargalhada dela e do S. Tiná. E das inúmeras vezes, que ao voltar lá e encontrá-los, mesmo mocinha, ela falava prá mim "-Doença de cabeça, piolho, piolho, doença de cabeça." E foi assim que ela me chamou desde então. Acostumei-me com o apelido dado por ela e somente por ela usado. E meu avô, melhorou o apelido para mim, passou a chamar-me de pulguinha. Acho que ele pensava ser um bichinho mais bonitinho... Credo!

Na verdade, eu nunca me importei nem com o piolho e nem com o pulguinha. Restou mais uma lembrança guardada em forma de saudade ou saudade guardada em forma de lembrança das muitas que trago comigo na minha memória dessa época e Terra mágicas.

No mais, espero poder encontrar meus amigos e parentes queridos que não vejo há muito tempo nessa festa de maio. Certamente, nessa minha próxima visita a Calçado, conhecerei meu amigos virtuais, vou rever meus amigos e vou agregar mais lembranças ou saudades boas no meu coração dessa terra especial e querida que é o meu São José do Calçado.

Anna Paula Medina de Moraes.
SP.,06 de março de 2006.




 

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