O que leva alguém a escrever?
Vários podem ser os motivos e, na busca do que me motivou
a escrever, fui burilando diversas razões que poderiam
ser a causa principal:
A
motivação por um determinado tema
pode ser o início do texto, mas geralmente o assunto
vai mudando, mudando e no final o texto pode ter sua forma diferente
daquela inicialmente objetivada pelo tema. Mas também
pode o cronista fixar a escrita naquele tema e o texto ser o
espelho do tema, mas pode virar um texto sólido demais,
ficando ao leitor a impressão que poderia ser mais solto.
Uma
inspiração também pode
levar alguém a formar um texto, que por este motivo,
normalmente sai bem do fundo do coração do escritor
e, porque não dizer, da alma. Esta deve ser a melhor
forma de elaborar um texto, aquela que motiva os poetas, fazendo
nascer palavras que vão se incorporando umas às
outras para dar vida a verdadeiros sentimentos escritos, que
geralmente tocam os leitores levando-os a envolvimentos sentimentais
diretos com o texto. É como se o leitor vivesse a aventura
das palavras.
A
divagação inconseqüente de
alguém que, sem o compromisso de chegar a um texto coerente,
acaba elaborando verdadeiras pérolas em forma de palavras.
É um ritual simples, de escrever o que vem à cabeça
sem ter o compromisso com objetivos ou com verdades, apenas
o prazer de escrever. Ao final, ajusta-se o texto para que se
torne inteligível e passe algum recado ao leitor.
A
necessidade de escrever já levou muitos
anônimos ao estrelato. São os escritores compulsivos,
que vivem a escrever, mas que filtram seus escritos e só
deixam passar aos leitores aqueles textos que julgam convenientes.
Muitos escritores falecidos têm textos divulgados em forma
póstuma, pois escreviam tanto que seus escritos mais
preciosos, mais pessoais, mais secretos, esses não se
permitiam divulgar.
Muitos
escritores fazem textos por encomenda, como é o caso
das canções elaboradas para novelas, trilhas sonoras,
propaganda, etc., que podem ser ótimas ou péssimas,
como temos testemunhado. Existem também as canções
que já existiam e foram utilizadas em trilhas sonoras
em que pareciam ter sido feitas justamente para aquela ocasião.
Há,
ainda, os escritores que fazem homenagens, que elaboram seus
textos para saudar alguém ou algum lugar, ou ainda enaltecer
algum evento, algum herói. Há escritores que gostam
tanto de escrever que se oferecem para elaborar dissertações,
teses e monografias para universitários, mestrandos e
doutorandos e acabam fazendo disso uma profissão. São
os chamados “ghost writers” que, por questões
legais, têm que permanecer no anonimato.
Mas
nenhuma dessas alternativas me impulsionou a escrever. O que
me motivou foi aquela que acho a melhor forma de escrever, mesmo,
aquela mais gostosa, que dá mais prazer, aquela forma
anárquica, desinibida, sem motivo e descompromissada,
para a qual ainda não identifiquei adjetivo, que é
escrever para o www.broinha.com.br .
Antonio
Claudio Medina de Almeida
Antonioclaudio@broinha.com.br