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De quatro em quatro anos as ruas da Serra Pelada ganhavam cores
e brilho. Copa mundial, a maior disputa de futebol fazia os moradores
darem uma nova cara ao bairro.
Era feita uma “vaquinha” entre todos os moradores
para comprar plásticos verdes e amarelos, além de
tintas e corantes. Serra Pelada ganhava ruas temáticas.
Fitas verdes e amarelas eram penduradas de ponta a ponta, os maiores
desenhistas do bairro: Adriano Viana, Claudislau Molina, Valtinho,
e alguns outros que não me lembro no momento, faziam os
desenhos e distribuíam as cores para que as pessoas pudessem
entrar pintando.
O mascote “amarelinho” era pintado a cada cinqüenta
metros. Muros de casas, postes, ruas, meio-fios, enfim, Serra
Pelada ficava toda colorida, como um periquito gigante. Os adultos
ficavam recortando as fitas de plástico e amarrando nos
barbantes. Os menos adultos ficavam pendurando os barbantes entre
uma casa e outra. Os jovens e adolescentes não se importando
com a sujeira metiam a mão na tinta e pintavam até
altas horas da madrugada.
Como se pode ver, na Serra Pelada, tudo era motivo para festa.
Chegava o momento mais esperado, o primeiro jogo da seleção
brasileira na copa. A nossa turma se reunia na garagem da minha
casa, uma televisão de quatorze polegadas era o suficiente
para podermos assistir e vibrar com a bola em campo.
A gritaria era geral quando o Brasil partia para o ataque: “vai
lá branco, isso careca, vai lá Brasil...”
e quando fazia um gol era festa total, as pipocas voavam junto
com as nossas mãos levantadas, todos de cara pintadas gritando
uma única palavra: gooooooooooooooooooollll....
Quando o jogo acabava, todos nós subíamos no caminhão
do Heber Fonseca, morador do bairro, e partíamos para a
carreta da vitória. Com as bandeiras nas mãos, as
caras pintadas, o grito forte saindo da garganta, fazíamos
a festa da vitória brasileira a cada jogo vencido.
Parte IX: HALLOWEEN – No lugar das cabeças de
abóboras, cabeças de mamões
Addison
Viana
addison@broinha.com.br
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