LEMBRANÇAS EM RETALHOS



O Broinha foi uma sacada genial. Muito mais do que um presente do filho a sua terra, transformou-se num importantíssimo elo entre os Broinhas mundo afora, com suas raízes. Com O Broinha Calçado experimentou e saboreia as benesses da internet e da globalização. Realmente um marco cultural relevante, que a muito a cidade que se orgulha de seus escritores, não recebia. Talvez, possa estar exagerando, mas o site é quase um novo Ginásio de Calçado, que nasceu de um sonho do Dr. Pedro, de saudosa lembrança.

Precisamos como Oscar, tirar da cartola idéias e buscar a união sem ideologia política, e fazer com que Calçado cresça e dê oportunidades de desenvolvimento a todos seus filhos.

Infelizmente Calçado a muito não consegue segurar seus jovens, falta perspectivas, não temos ensino superior, falta trabalho. Diante desta realidade, só existem duas saídas: A BR ou a estagnação(salvo algumas honrosas exceções). Como muitos optei pela saudade, pela dor, e parti... Cartas não resolvem, quando chegam tem gosto de café requentado. O telefone era aquele drama, muito bem definido por Gilberto, e hoje apesar da evolução, não traz as imagens dos cartões postais de nossa infância.

Quando voltava, ansiava pela a primeira imagem, aquela em quem vemos quando chegamos à vala e miramos o morro do hospital, neste momento respiramos fundo... – voltamos!.

São vinte e cinco anos, trezentos meses e 9.000 dias longe, porem, a minha saudade é de hoje. Sinto o mesmo frio na barriga de antes ao entrar na cidade. O aceno das pessoas, as ruas, as ladeiras, a praça, a Igreja, o Ginásio, o Americano, a pedra do Jaspe, o Córrego do Areia, são paisagens que meus olhos não se cansam de admirar.

Com O Broinha, Calçado que levei e guardo comigo na lembrança, entra na minha sala diariamente, com imagem, som, palavras e recordações.

Acessar O Broinha é privilégio e orgulho, nele posso saborear as histórias de Oscar Rezende, fico rindo sozinho de suas aventuras, principalmente aquele em que era co-piloto do Dr. Aristides pelas estradas esburacadas e cheia de lama. Dos Causos do Fefeu, ás vezes um pouco ácido. Da Coluna da ACL, do Adson, das crônicas do Gilberto, das Paellas do chef Almir, das fotos da Cidade e nossa gente.. Enfim o site é o que de mais importante aconteceu para Calçado nos últimos 25 anos. O melhor e maior cartão de visita desta cidade linda e hospitaleira que precisamos transformar em próspera como: Santa Maria de Jetiba, Venda Nova do Imigrante, Iuna, Domingos Martins, e tantas outras que se desenvolveram através do sonho e do trabalho de seus filhos.
Voltando, O Broinha traz meu passado através das crônicas inspiradas de nossos conterrâneos. Sou coadjuvante de muitas destas histórias. Se não sou personagem, que me importa. Importa é que vivi este cotidiano livre e feliz.

Relembro as “peladas” que disputávamos na quadra do Ginásio. Transcorria anos 70, e eu com meus 15 anos participava todos os dias, impreterivelmente. O futebol sempre foi minha paixão. Sou fominha de bola até hoje, mesmo depois de três cirurgias nos joelhos - meniscos, ligamentos, parafusos e interminável fisioterapia, fazem parte da minha vida de atleta.

Dez minutos ou dois gols, sempre descalço, bola dente de leite ou “chutebol”, um time com camisas – outro sem, em caso de empate pênalti. Detalhe: Não valia fazer gols chutando a bola com violência (falávamos força) E como não havia juiz, esta regra era a que causava mais confusão. Eram estas as regras básicas nos confrontos. A palavra confronto se aplicava muito bem naquelas “Peladas”, pois, invariavelmente havia grupinhos que sempre se estranhavam e não muito raramente partiam-se para o enfrentamento.

Neste período desfilavam pela praça esportiva craques como: Alan, Delei, Beto, Calinha, Ruyter, Careca, Ronaldo Castro, Renato idem, Gilberto Rezende e Zé Antonio Idem, Totó, Zé Dica, Vanda, Vanizinho, Zé Raposo, Forró, Ricardo, Ailson, Coelho, Toninho Buião, Lu, Julinho Ribeiro, Bendeca, Piinho, Zé Dimas, Pretinho, Joãozito, Tino Fonte Boa, Jiló, Pinguinho, Beline, Pisica, Tim, Betinho Barata, Bota Ovo, Bola, Catê, Dedada, Estata, Braz, Aranha, Carlos do João Avião, Zefino, e tantos outros que fugiram de minha memória.

Numa bela tarde, enquanto a bola rolava, um fato pitoresco chamou atenção de parte dos times de fora. Os personagens são: Aranha, Zé Raposo e seu irmão gêmeo. Vamos ao fato: Zé Raposo que participava das “peladas”, ausentou-se por instantes da quadra, fora atender obrigações. Instante seguinte surge seu irmão Jacó, exatamente no local onde Zé saiu. Jacó ao cruzar com Aranha, é interpelado com a saudação: Oi Zé já voltou? Jacó obviamente respondeu: Não sou o Zé, sou o Jacó. Indignado, Aranha, dá aquela coçada no saco, seguido daquela risada característica e balançando aquela cabeleira de argentino, dispara: Sê bobo Zé, não queira me enganar – Eu aposto que você é o Zé. O embate durou alguns minutos, deixando ambos, ou principalmente o Aranha com os nervos a flor da pele. Os ânimos foram serenados somente quanto Zé Raposo volta e se coloca ao lado do seu irmão Jacó. Aranha sem graça e a muito custo se convence da burrada. Quem conhece o Aranha sabe de suas manias e teimosias. Na quadra ou no campo, se a torcida pegasse no seu pé (e sempre pegava) ele ficava louco, batia até na sombra. Se alguém passasse a mão na sua b..., então o homem virava uma mula. Bufava e partia para a briga. No fundo é uma pessoa legal, porem, repito, cheio de esquisitices.

Saindo da quadra e indo direto para o campo do Americano. Sempre o futebol, meu coração é azul e branco. Naqueles tempos áureos do futebol calçadense, assistir ao treino do Americano era programa de muitos. O grande TIDE, Nocrides, Zé d’oleo, Faustinho, Dudunga, Bébé, Reco, Burraldo, Leleco, Eneias, eram os craques do time principal. No aspirante, eternos aspirantes Zezim Barão e Zé Roberto eram os expoentes máximo desta categoria.

A história conta que, Vanderlei Dias, irmão do Gavião, ficou “vesgo” depois que levou uma bolada chutada pelo Nocrides. Num outro dia, o mesmo Nocrides persegue Gavião que corre sobre o muro. Antes de completar todo percurso, é alcançado pelo seu algoz, que o derruba, e usando uma tesoura corta a seu contragosto sua vasta cabeleira.

Alem do congraçamento, O Broinha meu proporciona contar minhas histórias e minhas recordações em retalho.

Domingos Fernando Ribeiro de Rezende
fernandosalglobo@terra.com.br




 

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