Quantos já passaram por ali? Quantos ainda hão
de passar?
Há
os que todos os dias dão uma “passadinha”
em busca de novidades. Encontram alegrias e decepções
ao encontrar ou não as mensagens ou respostas que buscam.
Para alguns, se configura um vício, para outros apenas
um hábito, e para outros ainda, um prazer. É como
bater o ponto, marcar presença. Dizer: Ei pessoal, ói
eu aqui, ó!
Uns
estão longe e o Livro é a única forma de
matar saudades, sabendo quem anda por ali. Outros tão
perto, mas não deixam de marcar presença, mandando
algum recado, perguntando por alguém, contando uma piada,
deixando uma mensagem de otimismo. Muitas vezes, é verdade
aparecem mensagens pessimistas, ofensivas, mas como o Livro
é um mundo democrático, também não
é cor de rosa. Guardadas as proporções,
vê-se de tudo nele.
Respostas
por vezes rápidas, imediatas, diretas. Outras vezes demoradas,
ou não respondidas. Perguntas codificadas, respostas
idem. E assim o Livro vai se enchendo de páginas, onde
vão sendo escritas várias histórias, com
personagens reais e virtuais, verdadeiros e falsos, dando continuidade
aos antagonismos da vida. Mensagens deletadas por conteúdo
impróprio ou demasiado ofensivo. Mensagens transformadas
em crônicas, em opiniões. E o Livro segue o seu
fluxo natural, como um rio, em busca de algo maior.
Brigas
homéricas, fortes, desnecessárias, críticas
ferrenhas, conflitos de interesses, política, religião,
interesse público, guerra de opiniões. No mesmo
palco, se fazem as pazes, vêm os elogios, rasgam-se sedas,
até mesmo com exageros.
As
brigas já foram tantas que assistimos a auto-nomeação
de um Sheriff, que na verdade não dá conta do
recado, pois não coloca ordem em nada. Ao contrário,
sempre que pode, põe lenha na fogueira. E ainda por cima
resolveu se candidatar ao Planalto. Mas vai acabar mesmo é
sendo eleito ao Plabaixo (com sua licença, The Killer).
Nada
tem muito limite no Livro de Visitas. Os limites, na verdade,
vão sendo impostos pelos próprios usuários,
com participação muito sutil do administrador,
que sabiamente percebe o momento exato de entrar em cena. Perspicaz,
criterioso e sensato, ele tenta deixar o Livro sob um regime
de auto-regulamentação, com raríssimas
inserções, como líder num colegiado, em
que tem que dar o Voto de Minerva. E aí resolve as questões
mais complicadas, mas sempre com serenidade.
Bom
lugar para se fazer novos amigos, encontrar os já amigos,
parentes, criar personagens, contar piadas, brincar com alguém,
dar uma “sacaneadinha” em alguém. Personagens
ali criados já passaram a fazer parte de crônicas
belíssimas, bem humoradas, como o Coronel X e o Petroneo
da Portela e suas mulatas maravilhosas. Lugar para se exercer
livremente o PERDÃO (O Caçapa que o diga).
Muitas
poesias também aparecem no Livro, pessoas que não
querem dar recado nenhum a ninguém especificamente, apenas
dar um colorido, um brilho, aos dias das pessoas que passam
por ali.
Ali,
muitos aparecem sem se identificar, muitas vezes encobertos
pela pureza da timidez, outras para agredir ou criticar sem
serem reconhecidos ou ainda para entrar num clima de descontração
e criar personagens engraçados sem sair do anonimato,
por pura brincadeira, como voltassem aos tempos de criança.
Anônimos
que entram ali diariamente e não deixam mensagem, ficam
só na “bisbilhotice” sadia da matança
de saudades e os que nunca deixaram mensagens, sabe-se lá
por que.
Candidatos
já pediram votos no Livro, políticos com mandato
já se explicaram pelos motivos mais variados. Já
lançaram projetos que foram muito elogiados e que se
tornaram realidade, como o PROAF. Outros foram criticados à
exaustão.
Ah!
O Livro de Visitas!! Lugar para se convidar para algum evento,
para se marcar encontros, para se combinar almoços, bebedeiras,
parabenizar pelo aniversário, divulgar solenidades, programação
de festas, formaturas, nascimentos, casamentos, falecimentos,
pedidos de oração, até mesmo para apenas
se desejar um Bom Dia ou dizer um Oi (ou como deliciosamente
dizem os capixabas, Ei).
Visitantes
que lançam idéias e que as defendem firmemente,
apoiados ou não por outros leitores, que aceitam as críticas,
que as rebatem, que contra-argumentam para defendê-las.
Outros que não aceitam as críticas e partem para
a briga. Uns agregam, outros nem tanto.
Mas
é tudo isso que faz o Livro de Visitas ser tão
procurado. É um lugar para se sentir à vontade.
Basicamente,
o Livro é generoso, abrangente, tolerante, paciente,
grande, aconchegante, por isso cabem todos ali. Exerce plenamente
a função para a qual foi criado.
Deveria
ser chamado LIVRE PARA VISITAS.
Antonio
Claudio Medina de Almeida
Antonioclaudio@broinha.com.br