“UMA LUA DE SÁBADO ANUNCIANDO UM FIM PARA UM RECOMEÇO EM OUTRO PLANO DE VIDA”



Sempre haverá um inverno
Mero capricho eterno.
Sempre haverá um outono.
A marselhesa no bosque e um soprano.
Sempre haverá uma primavera.
Lápis, afeto e papel, assim se esperam.
Sempre haverá um verão
A Paz, a tempestade e o furacão.
Sempre haverá um final de tarde
Aquele livro fechado pela saudade.
Sempre haverá uma interrogação
Uma forma de apaziguar a consternação.
Sempre haverá uma madrugada
Um pedido de esmola na estrada.
Sempre haverá um broken english*
No mais sombrio lago um fish**
Sempre haverá um jardim
Uma paixão perto do fim.
Sempre haverá uma lua
Minha lágrima pendente na rua.
Sempre haverá um caminho
Um poeta de um país vizinho.
Sempre haverá uma viagem
Um bilhete sem mensagem.
Sempre haverá um berço
Um lugar onde o amor tem preço
Sempre haverá uma cidade
Um “Dudu” que morreu puro de verdade.
Sempre haverá um destino.
A viva lembrança de menino
Sempre haverá um infinito
A natureza é um desenho perfeito.
Sempre haverá uma razão
Um escravo solitário da inspiração
Sempre haverá um “Dudu” de Calçado
Aquele anjo por todos amado.
Sempre haverá o tubarão
Pobre peixe fisgado pelo arpão.
Sempre haverá uma nova estação
Uma country road*** que nos leva à pedra do Pontão.
Sempre haverá um pen pal****
Mas o “Dudu”, não o verei no próximo natal.
Ainda assim sempre haverá
A certeza que Dudu aqui sempre estará.
E mesmo que eu chore
A poesia afirma que um anjo nunca morre.

* Broken english (inglês mal falado)
** Fish (Peixe)
*** Country road (estrada rural)
**** Pen pal (amigo de correspondência)

À memória de Carlos Eduardo Coimbra Almeida “Dudu do Lelê”
Sérgio Oliveira
sergiolovesluana@broinha.com.br




 

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