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Em
certa ocasião era muito difícil para as pessoas
de Bom Jesus do Itabapoana conseguir tirar carteira de motorista,
além do que era preciso se deslocar até a vizinha
cidade de Itaperuna, onde eram realizadas as provas. Também
havia um problema no Detran do Estado do Rio de Janeiro, que sempre
foi complicado, e devido a isto, as carteiras demoravam vários
anos para chegar às mãos dos habilitados.
Nessa mesma ocasião, "seu Carlos"
(o Carlos Borges Garcia) estava em plena campanha para prefeito
de Bom Jesus do Itabapoana. E se aproveitando desse fato, dificuldades
para se tirar carteira de motorista, o então candidato
a vereador, Paulinho do Adílio, resolveu tentar obter mais
alguns votinhos. Não que ele precisasse desses votos, porque
sempre teve uma excelente votação e nasceu para
a vida pública.
Então, o que é que ele fez? Conseguiu,
através do Detran do Estado do Espírito Santo, que
viesse uma banca examinadora de Guaçui até a cidade
de Bom Jesus do Norte, com o intuito de que as provas escritas,
exame psicotécnico, etc, fossem realizados naquela cidade.
E assim foi feito.
Procurado por uma pessoa que desejava tirar
sua carteira de motorista, e, depois de conferido o título
de eleitor, documento "necessário" para conseguir
a tão sonhada carta de motorista, o candidato foi encaminhado
para o Colégio Antônio Honório, local onde
estavam sendo feitas as inscrições para que os exames
fossem prestados. Chegando lá, o tal candidato entregou
toda a documentação exigida e preencheu o formulário.
Assim, todas as provas foram marcadas e realizadas na mesma semana.
E na semana seguinte, as carteiras já estavam à
disposição dos aprovados, inclusive a dele.
Porém, quando ele foi pegar a sua carteira
teve uma desagradável surpresa: não havia carteira
com o seu nome. E de imediato ele procurou o mesmo vereador, relatando-lhe
o que estava acontecendo. E de imediato foram os dois até
o Colégio Antônio Honório. Lá chegando,
Paulinho do Adílio dirigiu-se a uma moça que estava
sentada em uma cadeira, tendo à sua frente uma mesa com
uma caixa em cima e nesta caixa havia apenas uma carteira de motorista.
Indagada por ele acerca da carteira de motorista
de seu amigo, a moça disse que aquela pessoa já
havia estado ali e que não havia nenhuma carteira com seu
nome. Depois disse-lhes que estava ficando tarde, que tinha que
voltar para Guaçui e que apenas uma pessoa não tinha
ido buscar sua carteira: um tal de "Carlos Borges Garcia".
Nesse momento, o vereador já desconfiado
da mancada que o seu amigo dera, indagou-lhe acerca do nome que
ele havia colocado na ficha de inscrição. Foi nesse
momento que ele, com cara de espanto, perguntou ao vereador:
- Então, aquela ficha que eu preenchi,
onde estava escrito "nome do candidato" era para preencher
com o meu nome? Eu pensei que fosse para colocar o nome do "Seu
Carlos". Não é ele que é o candidato????
Fernando
Brandão
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