NOSTALGIA

Como vai essa gente querida,
que ainda é minha vida,
como vai, São José?
(Pedro Caetano)


   Parafraseando Caetano Veloso, "alguma coisa acontece no meu coração..." quando vou a São José do Calçado. Ainda não me sinto naquela categoria de "Calçadense Ausente" - até porque isso é coisa para celebridades! -, mas como me mudei para a capital do Estado em 1997 e nunca mais voltei a morar junto da minha família, fico meio afastado da convivência com "broinhas".

   É estranha a sensação de voltar, a cada período de férias, e dar novamente aquela voltinha pela praça Pedro Vieira após a missa na Matriz, pelo fato de dificilmente encontrar um rosto conhecido. É a experiência do sentir-se envelhecendo, de sentir como o tempo escapa pelos nossos dedos sem que o possamos reter em nada. Pessoas que, em minha época, não passavam de crianças a brincar de pique pelas ladeiras, hoje passeiam com sorrisos pra lá de adultos "entre montanhas e flores", causando-me até esforço para reconhecer. E olha que tenho apenas 23 anos!

   Casas mudam de cor, árvores crescem aqui e acolá, plantadas ou implantadas, estabelecimentos comerciais mudam de dono e de especialidade... Outro dia, por exemplo, espantei-me ao perceber a obra - muito importante, aliás - que fizeram no "parquinho" Monteiro Lobato, aquele em frente ao jardim de infância Marieta Castro. Construíram uma mini-quadra de esportes no lugar onde havia outrora a passarela para os velocípedes que a dona Gracinha administrava (quem se lembra?...). E pensar que foi ali que aprendi a andar de bicicleta com minha calói azulzinha!

   Na verdade, por detrás da boa razão que é o progresso, esconde-se em mim um saudosismo que insiste em lamentar as mudanças. É como se eu quisesse que Calçado fosse eternamente como no quadro que temos em nossa sala, uma obra belíssima do pintor Spadarot Bulus. Quem diria: eu que tanto reclamava "avanços" para a minha cidadezinha, agora sinto uma saudade imensa da velha São José do Calçado, aquela em que não havia nem internet...

Juliano Ribeiro Almeida
julianorial@hotmail.com

Juliano Ribeiro Almeida é filho de José Tarcísio Teixeira de Almeida e Luzia Maria Ribeiro Almeida, neto dos ilustres "Zezinho Coimbra" e "Geraldo Ribeiro". É seminarista da diocese de Cachoeiro de Itapemirim.



 

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