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A
partir da década de 60 , acompanhando um movimento nacional,
acentua-se o êxodo dos jovens calçadenses para os
centros urbanos maiores à procura de melhores condições
econômicas. Uns saiam para estudar, outros, para trabalhar
e, assim, a cidade perdia seu potencial econômico.
A
minha partida se deu no início dos anos 70, fui para Vitória,
depois para Viçosa - MG, e anos mais tarde retornei a Vitória,
onde vivo até hoje. Nos primeiros anos após minha
saída, as saudades da cidade, dos amigos, das festas e
das possíveis paqueras eram muitas, vivia a contar os dias,
na perspectiva de um feriado ou de férias. A vista de Calçado
mais aguardada por todos nós à medida que a cidade
se aproximava era a do Hospital São José. Quando
ele aparecia a alegria era geral , estávamos chegando ao
"paraíso".
O
tempo foi passando, a saudade adormecendo e fui me afastando até
que, ao andar pelas ruas da cidade, me sentia um estranho, conhecia
cada vez menos as pessoas. Imagino ser verdadeira também
a recíproca, muitos não me conheciam. Esse sentimento
de perda me incomodava, e as minhas relações com
Calçado ficaram restritas, quase que somente, aos laços
familiares, minha mãe ainda vivia na cidade.
Os
anos foram passando, e minha mãe veio a falecer.
Após
os rituais do seu funeral, fomos para a velha casa da rua quinze,
que já estava fechada há algum tempo ( minha mãe
viveu seus últimos dois anos em Bom Jesus do Norte, com
a Ângela , minha irmã mais velha) quando, olhando
para a casa e para os seus móveis antigos, refleti:
- Será que vai acontecer conosco o que
já aconteceu com outras famílias aqui de Calçado,
vender a casa e perder a referência com as suas raízes?
- Foi pensando nisso, que reuni os irmãos e disse:
- Não podemos vender esta casa, ela é
a nossa referência de vida, aqui está grande parte
de nossa história. - Imediatamente todos concordaram, e
hoje a casa é um ponto de encontro de nossas famílias.
Apesar
da casa e dos esporádicos encontros familiares, o retorno
a Calçado ainda não havia acontecido, até
que um dia, conversando com o primo e grande companheiro Cláudio
Medina, veio a idéia de criar um site sobre Calçado.
O Cláudio, de imediato, sugeriu o nome "broinha"
e assim o site foi criado.
O
broinha, juntamente com a ONG AMIGOS, pode criar oportunidades,
pra que muitos de nós "retornem" à cidade.
Além de ser uma ação nossa como cidadãos,
acredito que a maneira sábia de se relacionar com o tempo
é cultivar as nossas raízes, pois é delas
que vem o combustível que alimenta todas as etapas de nossa
vida. Calçado é isso para todos nós.
Oscar
Rezende
roscar@uol.com.br

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