Personagens



   Por anda figuras folclóricas da cidade. Algumas extremamente estranhas e absolutamente peculiares. Estou falando de pessoas, (grandes "personagens") que perambulavam pelas ruas de Calçado, agitando e promovendo reações diversas na população.

   Onde anda o "Mané da Lelé"? Homem de baixa estatura, porem forte e rude, carregava sobre os ombros afiado machado, sempre em busca de trabalho. Onde andará? Será se encontraria serviço de lenhador nos dias de hoje, em que predomina o uso do gás? Da sua boca saia canções inaudíveis e uma língua mais afiada do que o próprio machado. Trazia resposta malcriadas a todos os que zombavam de sua figura simples e estranha, e por vezes assustadora.

   
E o Valdimiro, onde andas? Com a beleza inconfundível, fazia parte de sua indumentária, uma estranha munhequeira de couro no pulso e cabelos ligeiramente cumpridos. Quem não se lembra dos inúmeros concursos de feiura, promovidos pelos circos que chegavam a Calçado, cujo o vencedor era invariavelmente ele.

   
O terrível e afetado Chico Crescenço, onde esta? Acho que já se foi para o andar de cima. Homem voluntarioso, de muita força física e mentalidade fraca. Vivia perambulando pela cidade, as vezes calmo e outras nem tando. Acho que nas mudanças de lua, sua cabeça perturbada piorava ainda mais, e quando tomava uns goles, ai e que o bicho pegava.(literalmente) Assustava as pessoas, afrontava e enfrentava a polícia. Vi longas batalhas entre ele e os policiais. Não era fácil doma- lo em seus dias de fúria. O Chico Crescenço, dizia na sua ignorância que: Metade das mulheres de Calçado o queria por medo e o restante por que gostava dele.

   
Lá vem o Badi! Era esta a senha para assustar os bêbados. O saudoso Badi, era um figura esguia, carregava consigo um vasto bigode e o peso da fama. Com sua carroça, labutava diariamente, fazendo fretes, e a noite, bem... Dizia a lenda que todos os bêbados de Calçado, morriam de medo do Badi. Até hoje não sei se realmente era lenda. Só sei que sua fama corria longe.

   
E o Zé Cobrinha. Encontrei- o recentemente num campo de futebol na Barra do Jucu, quando participei de uma partida. Me contou na oportunidade que está morando com parentes em Vila Velha. Calçado sem sua presença certamente está sem graça. - Volta Zé! Torcedor do Motorista, amante do futebol e da música. Ze Cobrinha era presença constante junto a Banda Marcial do Ginásio de Calçado, acompanhava os ensaios, zelava pelos instrumentos, e nas festa vestia se de gala e participava ativamente das retretas. Certa madrugada de carnaval, Zé Cobrinha foi visto dormindo na praça tocando reco-reco. Detalhe: sem o instrumento.

   
Dona Maria do Cachoeiro, cadê você? Sinônimo de alegria, Dona Maria do Cachoeiro, era uma festeira inveterada. Com seus amplos e rodados vestidos, mais florido do que a primavera, era figura constante em qualquer festa. Carnavalesca por excelência não podia ouvir uma música que estava lá dançando, esbanjando vitalidade e uma alegria de fazer inveja.

   
Dona Cascuda, Zé Manada, Zé Luzia, Nita Papuda, Mané Viola, Ze Marimbondo, D. Lagartixa, e tantas outras figuras, que me foge da memoria, mas que são personagens de enriquecem nossa nosso folclore.

Domingos Fernando(Careca)Ribeiro de Rezende

17.05.04



 

O broinha - www.broinha.com.br - todos os direitos reservados