A VOLTA




O amor não morre jamais, renova-se a cada encontro, a cada lembrança perdida em meio ao corre-corre que vivemos. Ah! Vida monótona, que se contrasta com a rotina agitada, onde a pressa muitas vezes, não nos deixa chegar a lugar algum.

Faz mais de 26 anos que deixei minha terra, lugar onde finquei raízes profundas, (meu umbigo está enterrado no Córrego do Areia), e parti em busca do futuro, porém, o passado me persegue feito um cão, e a saudade fiel companheira faz sombra aos meus ombros cansados e me guarda, fazendo-me caminhar atrás de um sonho – à volta.

Invejo os que desfrutam da tranqüilidade de nossas ruas, vejo-me em sonho, subindo e descendo íngremes ladeiras. Sonho também com nossas indecifráveis montanhas azuis. Eu quero, eu preciso acordar todo dia e ter como referência a Pedra do Jaspe, e me guiar pelo o seu infalível serviço de meteorologia: Nuvens no Jaspe, chuva na terra.

Calçado, Calçado! Esta tranqüilidade bucólica, onde desfrutei os mais longos e belos dias de minha vida e gastei minha mocidade, são lembranças que trago guardado dentro de mim.

O córrego da Areia percorre minhas veias e impreterivelmente deságua no fadigado Rio Calçado, e este no Itabapoana, que nos leva ao mar.

Voltar a Calçado é um desejo que se renova todo dia. Hoje na alegria e beleza de Rafael David, sobrinho e afilhado e amanha nas velhas recordações de todos os dias.



Domingos Fernando Ribeiro de Rezende
fernandosalglobo@terra.com.br

 



 

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