Fiz bodas de ouro comigo mesmo. Tem sido um relacionamento prazeroso
a minha vida comigo mesmo, o que torna o meu relacionamento
com outras pessoas muito mais tranqüilo.
Posso
afirmar e dar meu testemunho datado, assinado e registrado,
que fazer cinqüenta anos é muito bom. Alcancei uma
paz e uma tranqüilidade que pensei que só teria
na terceira idade.
Aos
cinqüenta, ficamos mais tolerantes, mais equilibrados,
menos exigentes, buscamos sintonia com as pessoas, amamos mais
facilmente, respeitamos mais as opiniões, nos dedicamos
mais, aconselhamos melhor, ouvimos melhor os conselhos, ficamos
menos tímidos, pensamos mais serenamente, perdoamos mais
e pedimos mais perdão.
Fico
imaginando que o olhar de uma criança para alguém
com cinqüenta anos é de um respeito latente por
alguém que só tem a ensinar, mas isso é
um tanto quanto ilusório. Aprendemos muito com as crianças.
Muitas vezes nos transformamos em crianças só
para matarmos a saudade daqueles tempos tão deliciosos
em que vivemos sem preocupações, sem responsabilidades.
É
isso mesmo: Aos cinqüenta nos tornamos saudosos, nostálgicos.
É um tempo de aprendizado ininterrupto, de muitas concessões
e de aventuras infinitas. Uma viagem, um roteiro, quem sabe
um livro ou (porque não?) um filme.
Fazendo
um balanço desse tempo que passou, tenho alguns registros
a fazer:
-
As derrotas fazem parte do caminho do nosso caminho de aprendizado
e não poderia omití-las. Não foram poucas
e deixaram enormes cicatrizes. Mas cada cicatriz significa que
as vitórias foram mais numerosas, caso contrário
ainda seriam feridas.
-
Registro também que tudo que vivi, considero aventuras
formidáveis, independente do desfecho que tiveram. Tudo
deve ser do jeito que deve ser e deve ser muito bem aproveitado.
Muitas viagens, muitos lugares, muitas pessoas. Muitos animais,
também, pois iluminam nossos dias com seu amor incondicional.
-
Fui premiado com muitos relacionamentos e cada um deles valeu
a pena, a seu modo. e aqui falo de parentes, amizades, amores,
romances, enfim, pessoas que passaram por minha vida ou que
ainda estão nela. Algumas dessas pessoas já se
foram deste mundo, seguiram o fluxo natural do chegar e partir,
do qual não temos como interferir, já que nosso
bom Deus é quem decide. Mas deixaram muitas saudades.
Mas o maior prêmio, mesmo, foi ser filho do “Seu”
Antenor e da “Dona” Therezinha.
-
Fiz muitos amigos ao longo do caminho e muitos deles ficaram
pelo caminho, mas acesos na memória. Feliz, posso dizer
que não sinto inimizade por ninguém. Meu dicionário
exclui esse vocábulo.
-
Tenho um bom emprego, embora não trabalhe na profissão
que sonhei, mas sei que ao me aposentar ainda terei bastante
tempo para me dedicar a ela.
-
Me considero um vitorioso, em todos os sentidos, pois como disse
Bessie Anderson Stanley, "Alcançou o sucesso aquele
que viveu bem, riu com freqüência e amou muito".
Essa foi uma das receitas que segui com todas as vírgulas.
Não
me permito reclamar de nada e agradeço a Deus pelo que
sou.
Finalmente,
quero falar sobre a generosidade do tempo:
No dia do meu aniversário, 24 de fevereiro de 2007, em
que completei cinqüenta anos, tive a prova cabal da generosidade
do tempo para comigo. Festejei o dia todo e quando pensei que
o dia tinha acabado, à meia-noite, ainda tive que atrasar
o relógio em 1 hora, o que me deu um dia com 25 horas.
Fazer
o quê, né?
Agora,
vamos para o segundo tempo...
Concluo com as palavras que tomo emprestadas do mestre Chaplin:
“Já
perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas
insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com
pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também
decepcionei alguém.
Já abracei para proteger, já dei risada quando
não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas
também já fui rejeitado, fui amado e não
amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi
de amor e fiz juras eternas, "quebrei a cara" muitas
vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já
liguei só pra escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo
de perder alguém especial (e acabei perdendo)!
Mas vivi! E ainda vivo! Não passo pela vida...
Bom mesmo é ir a luta com determinação,
abraçar a vida e viver com paixão, perder com
classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem
se atreve e a vida é MUITO para ser insignificante".
Niterói, Fevereiro de
2007
Antonio
Claudio Medina de Almeida
Antonioclaudio@broinha.com.br
