DOCE ÁGUA


No nascedouro,
Espelho d’água que brota entre as pedras.
Doce água serena e abençoada
Límpida, transparente e pura,
Que molha a terra e gera vida,
Que banha e refresca o caboclo,
Que inunda e fertiliza as plantações,
Que dá o pão e lava a alma.
Córrego do Areia tu és doce,
E por nós gasta infinitamente
Suas parcas e infundadas energias,
E parte em busca da agitação dos oceanos,
Percorrendo lentamente os vales,
Deixando para trás montanhas e saudades,
Desaguando, por fim, no Rio Calçado, e este no Itapaboana,
Que fadigado e doente vai brincar no mar
Virar sal, virar vida.
Doce água que passa, amarga lembrança que fica
E uma grande saudade que não passa.


Domingos Fernando Ribeiro de Rezende
fernandosalglobo@terra.com.br

 



 

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