O Natal estava se aproximando. As aulas das catequistas que
vinham de Calçado eram cada vez mais intensas. Estava
previsto um teatro encenando o nascimento do Menino Jesus. A
animação era total por parte de nossos colonos
e familiares. Finalmente, chegou o grande dia. O palco foi armado
no terreiro da casa onde morava nosso colono Tãozinho
Brandão, no local conhecido por "canto do Ramalho".
À noite, fomos para lá eu, Eulina, nossos filhos
Joubert e Milene, nosso sobrinho Cláudio, meu pai, minha
mãe e, quem não poderia faltar - Maria Alice.
O terreiro estava repleto. Nossos colonos com seus familiares,
moradores das propriedades vizinhas. além do pessoal
que acompanhou a comitiva. O povo se aglutinou bem em frente
ao palco, enquanto nós ficamos encostados em nosso carro,
à exceção da Maria Alice que, muito irrequieta,
adentrou à casa do Tãosinho Brandão. Logo
começou o teatrinho, muito bem ensaiado e os "artistas"
eram nossos moradores. O povo estava perplexo com as evoluções
das cenas. Silêncio total na platéia. E, lá
pelas tantas, surgiu o anjo Gabriel que se dirigiu à
Virgem Maria para anunciar a grande nova, quando foi interrompido
por uma algazarra vindo do interior da casa do Tãosinho,
acompanhada de xingamentos: "capeta, satanás, coristo,
puta que pariu etc." Minha mãe denunciou: "Isto
é coisa da Maria Alice". Meu pai retrucou: "Com
efeito Lia." Não deu outra. No meio dos xingamentos,
latidos e miados, abriu-se a porta da frente e., Maria Alice,
pulando os 4 degraus da escada, cai no meio do terreiro. "Eu
não disse, eu não disse"-gritava minha mãe.
E Maria Alice, limpando a poeira da roupa ante o olhar recriminador
de nosso pai e perplexo do povo, justiicou: "De certo,
o raio do cachorro e do gato acharam de brigar debaixo de minhas
pernas e aí eu oulei fora!. A gargalhada foi geral e
interrompeu por instantes a representação que
continuou. Nós tivemos que ir embora. Meu pai com vergonha
e nós restantes, incluindo minha mãe, não
conseguiamos parar de
Guido
Rezende
guidorezende@hotmail.com
