Todos nós sabemos que o destino nos reserva surpresas
que não dá pra ficar pensando muito, senão
a cabeça entra em parafuso. São tantas coisas
que nos acontecem. Coisas boas e más. São coisas
que a gente não espera e nem deseja que aconteça
com os outros. Sabemos, também, que o destino é
uma grande incógnita, mas que se a gente procurar evitar
certos caminhos que se nos apresentam com sinais à vista
de que coisas ruins podem acontecer, é bem provável
que não seremos surpreendidos.
Sempre
é bom lembrar que é “melhor prevenir do
que remediar”. Quantas pessoas aparecem pra gente e dizem
coisas que nos envolvem física e espiritualmente e que,
mais tarde, são capazes de jurar que nunca tiveram a
intenção de nos magoar. Essas pessoas, provavelmente,
fazem parte dos caminhos que a gente trilha sem perceber qualquer
sinal de obstáculo logo à frente. Essas pessoas
são o que poderíamos chamar de falhas no nosso
destino. Será mesmo uma falha? Ou, não tomamos,
mais uma vez, os devidos cuidados para não sermos machucados?
Ou os problemas que acontecem são obras do acaso?
Também,
é certo que se ficarmos pensando muito no tropeção
que poderemos tomar, acabamos não saindo de casa, como
diz o velho ditado. Todavia, por mais que a gente esteja confiante
e tranqüilo, muitas coisas que a gente contava como sucesso,
passam a nos surpreender e nos trazem muito desconforto. Ai
sim, talvez esteja o que queremos chamar de falhas.
Hoje,
acordei pensando em tantas coisas que acontecem com a gente.
Coisas ligadas ao trabalho, às amizades, à família,
ao lazer, ao casamento, à forma da gente se comportar
diante dos problemas que somos obrigados a enfrentar, tais como:
financeiros, de saúde e outros tantos que chegam a nos
tirar o sono.
Coloquei-me
diante dos meus problemas e senti que muitos deles me afetam
de forma diferente. Uns, voltados para o lado material, a gente
consegue superar com certa facilidade, mesmo que a solução
não seja a mais favorável. Perdemos alguma coisa
e, às vezes, chegamos a ganhar outra. A perda e o ganho
dependem muito das condições como conseguimos
encarar esses problemas e da estrutura que temos para a sua
solução. Outros, do lado emocional, nos machucam
mais. Estes, principalmente porque é a voz do coração
que está envolvida, nos deixam desnorteados e sem estratégias
para buscar a solução apropriada. Neste caso,
a perda é irremediável.
Existem,
no nosso caminho, pessoas de toda natureza. Existem aquelas
que são responsáveis e outras que descuidam de
suas obrigações; existem aquelas que dão
importância ao sentimento e aquelas que ignoram as relações
de afetividade; existem aquelas que são capazes de jurar
para sempre que nos amarão e aquelas em que as juras
não passam de determinados momentos para conseguirem
algo; existem aquelas que são gratas por tudo que a gente
faz por elas e aquelas que conseguem cuspir no prato que comem;
existem aquelas que passam o tempo todo dizendo que nos amam,
sem se importar com os gestos que consolidam o amor e aquelas
que, sem dizê-lo, demonstram amor e carinho a todo o momento.
Será que a gente age desta forma também com as
pessoas que nos amam?
Custo
a acreditar que fui culpado, mais uma vez do fracasso que acaba
de me acontecer. Falo de um rompimento amoroso que não
chegou a durar três anos. Sei que existiam muitos conflitos,
mas que, de uma forma ou de outra, estávamos conseguindo
levar nossa convivência de maneira que nossos momentos
de felicidade fossem os mais importantes. Custo a acreditar
que fui eu quem fez tudo de errado para não dar mais
certo o nosso relacionamento. Não sei se estou sendo
egoísta, mas acho que me dediquei ao máximo para
que tudo desse certo.
Agora,
só fico a pensar no que pode ter acontecido. Pois, se
fui eu o culpado, precisaria saber para poder corrigir minhas
falhas e não as creditar ao destino. Sei que ninguém
é perfeito, que as pessoas devem ter consciência
de suas limitações e que devem reconhecer quando
erram. Na vida da gente, só existem coisas boas se conseguimos
fazer bem aos outros. Não adianta querer fingir que amamos
só para termos um pouco de carinho ou outras coisas.
De nada vale a gente dizer que gosta e não proceder como
tal.
Desta
vez, não sei se foi falha do destino ou obra do acaso,
mas deixo aqui o meu recado para alguém que ainda é
muito especial para mim: nunca faça desabrochar novamente
um sorriso em alguém, dizendo “Te Amo”, para
mais tarde fazer rolar uma lágrima dizendo “Me
esqueça”. Simplesmente porque o amor é mais
bonito que uma ilusão e você poderá mais
tarde chorar a mesma lágrima que hoje alguém está
chorando por você. Quando pensar em ferir alguém,
lembre-se que você pode estar dentro do coração
desse alguém...
Tudo
isto estava traçado? Quem garante que um desvio de conduta
seria obra do acaso? Sendo falha do destino ou casualidade,
as coisas machucam muito a gente e leva tempo para as feridas
cicatrizaram.
Marcio José Furtado
marciofurt@yahoo.com.br