FALHAS NO DESTINO OU ACASO?



Todos nós sabemos que o destino nos reserva surpresas que não dá pra ficar pensando muito, senão a cabeça entra em parafuso. São tantas coisas que nos acontecem. Coisas boas e más. São coisas que a gente não espera e nem deseja que aconteça com os outros. Sabemos, também, que o destino é uma grande incógnita, mas que se a gente procurar evitar certos caminhos que se nos apresentam com sinais à vista de que coisas ruins podem acontecer, é bem provável que não seremos surpreendidos.

Sempre é bom lembrar que é “melhor prevenir do que remediar”. Quantas pessoas aparecem pra gente e dizem coisas que nos envolvem física e espiritualmente e que, mais tarde, são capazes de jurar que nunca tiveram a intenção de nos magoar. Essas pessoas, provavelmente, fazem parte dos caminhos que a gente trilha sem perceber qualquer sinal de obstáculo logo à frente. Essas pessoas são o que poderíamos chamar de falhas no nosso destino. Será mesmo uma falha? Ou, não tomamos, mais uma vez, os devidos cuidados para não sermos machucados? Ou os problemas que acontecem são obras do acaso?

Também, é certo que se ficarmos pensando muito no tropeção que poderemos tomar, acabamos não saindo de casa, como diz o velho ditado. Todavia, por mais que a gente esteja confiante e tranqüilo, muitas coisas que a gente contava como sucesso, passam a nos surpreender e nos trazem muito desconforto. Ai sim, talvez esteja o que queremos chamar de falhas.

Hoje, acordei pensando em tantas coisas que acontecem com a gente. Coisas ligadas ao trabalho, às amizades, à família, ao lazer, ao casamento, à forma da gente se comportar diante dos problemas que somos obrigados a enfrentar, tais como: financeiros, de saúde e outros tantos que chegam a nos tirar o sono.

Coloquei-me diante dos meus problemas e senti que muitos deles me afetam de forma diferente. Uns, voltados para o lado material, a gente consegue superar com certa facilidade, mesmo que a solução não seja a mais favorável. Perdemos alguma coisa e, às vezes, chegamos a ganhar outra. A perda e o ganho dependem muito das condições como conseguimos encarar esses problemas e da estrutura que temos para a sua solução. Outros, do lado emocional, nos machucam mais. Estes, principalmente porque é a voz do coração que está envolvida, nos deixam desnorteados e sem estratégias para buscar a solução apropriada. Neste caso, a perda é irremediável.

Existem, no nosso caminho, pessoas de toda natureza. Existem aquelas que são responsáveis e outras que descuidam de suas obrigações; existem aquelas que dão importância ao sentimento e aquelas que ignoram as relações de afetividade; existem aquelas que são capazes de jurar para sempre que nos amarão e aquelas em que as juras não passam de determinados momentos para conseguirem algo; existem aquelas que são gratas por tudo que a gente faz por elas e aquelas que conseguem cuspir no prato que comem; existem aquelas que passam o tempo todo dizendo que nos amam, sem se importar com os gestos que consolidam o amor e aquelas que, sem dizê-lo, demonstram amor e carinho a todo o momento. Será que a gente age desta forma também com as pessoas que nos amam?

Custo a acreditar que fui culpado, mais uma vez do fracasso que acaba de me acontecer. Falo de um rompimento amoroso que não chegou a durar três anos. Sei que existiam muitos conflitos, mas que, de uma forma ou de outra, estávamos conseguindo levar nossa convivência de maneira que nossos momentos de felicidade fossem os mais importantes. Custo a acreditar que fui eu quem fez tudo de errado para não dar mais certo o nosso relacionamento. Não sei se estou sendo egoísta, mas acho que me dediquei ao máximo para que tudo desse certo.

Agora, só fico a pensar no que pode ter acontecido. Pois, se fui eu o culpado, precisaria saber para poder corrigir minhas falhas e não as creditar ao destino. Sei que ninguém é perfeito, que as pessoas devem ter consciência de suas limitações e que devem reconhecer quando erram. Na vida da gente, só existem coisas boas se conseguimos fazer bem aos outros. Não adianta querer fingir que amamos só para termos um pouco de carinho ou outras coisas. De nada vale a gente dizer que gosta e não proceder como tal.

Desta vez, não sei se foi falha do destino ou obra do acaso, mas deixo aqui o meu recado para alguém que ainda é muito especial para mim: nunca faça desabrochar novamente um sorriso em alguém, dizendo “Te Amo”, para mais tarde fazer rolar uma lágrima dizendo “Me esqueça”. Simplesmente porque o amor é mais bonito que uma ilusão e você poderá mais tarde chorar a mesma lágrima que hoje alguém está chorando por você. Quando pensar em ferir alguém, lembre-se que você pode estar dentro do coração desse alguém...

Tudo isto estava traçado? Quem garante que um desvio de conduta seria obra do acaso? Sendo falha do destino ou casualidade, as coisas machucam muito a gente e leva tempo para as feridas cicatrizaram.


Marcio José Furtado
marciofurt@yahoo.com.br



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