Houve
o senhor do tempo e um renque de cordialidade,
Sem consternação e iniqüidade houve
uma quadra de eqüidade.
Uma fábula pós-alfabetizada foi narrada
em um arrebol de agosto,
O acrílico na tela de cera de abelha retratou um
lindo rosto.
JÉSSICA
Nasceu às sete da manhã, aos 18 de agosto
de 1992, em um dia com auras hibernais,
Ficando valhacouto nove meses no útero de seus
ancestrais.
No infinito mais pulcro e confinante se reencontrou com
as estrelas do Norte,
Se cristianizando nas águas claras de um Rio Grande
que lhe acarretou sorte.
Foi adolescendo junto à saudade e à esperança,
Nunca derramando a última lágrima de criança.
Tua mãe era a estrela que mais coruscava,
E teu pai a cordilheira que mais se enfatizava.
Traduzindo: a filha da estrela e da cordilheira se chamava
Jéssica Cavalcante,
O artefato mais admirável de um conto no pretérito
presente.
Como uma perene rosa shakira** sem balda,
Yishay*** pegou carona no cometa agarrando-se a sua calda.
Trafegou por orbes lunares diversas e distantes,
Fazendo amizades em noites dançantes.
Por onde voejou deixou uma ampla alacridade,
Recebendo inúmeros presentes de um fabuloso rei
de veracidade.
Era a generosidade movendo-se devagar na mata espessa
de encanto, magia e fidelidade,
A beldade em uma missão no mar, onde somente navegava
a serenidade.
Por centúrias e centúrias, com tua benevolência,
aos pobres camponeses sempre ajudou,
Seu esplendor por uma extensa geração imperou.
Quem poderia explanar suas ascendências e como se
encontrariam falhas em seus estros virgens?
O sonho se propagava pelas lendas da agulha magnética,
Seu corpo era a mais completa estética,
Ainda assim com toda perfeição não
se desbotava,
Quiçá se encontrasse lá fora observando
a fada do nordeste que pranteava.
Uma ultravida se foi e a estrela em mocinha se transformou,
Dos seus lábios uma epopéia se originou,
Aplausos dos céus o poeta inspirado por ela ganhou,
Mas seu porto de coração sofrido sangrou.
A dor foi mais forte
Que a faca de afiado corte.
Pois poetas são como um pequeno flúmen
Frágil e triste, porque na época sem chuva
água não tem.
A criança da lua a sua terra natal regressou,
E o povo de Mossoró a abençoou.
Chegou-se a uma conclusão no singular,
Que não houve princesa e sim uma deusa no vento
a bailar,
Um luminar fulgurante no pretérito mais que perfeito,
Uma serenata de amor hiemal que abotoou no peito,
Com um sol de buganvília, palavras à espera
de tradução e um fruto no vergel,
De um mundo que não foi feito de puro ouro e mel.
Enfim, a inspiração é uma plataforma
incógnita e adormecida,
Mas que poderá haver amizade, odiosidade e ferida.
Era uma vez um infante da lua,
Que brincava de amarelinha**** numa alameda que nunca
foi sua.
Era uma vez uma parábola que articulava,
Que sempre a sua genetriz em suas mãos segurava,
Dizendo, Jéssica Tu tens o perfume da lua.
*A expressão “Tu tens o perfume da lua”,
é de origem dos Cazaques ou Cavaleiros das Estepes,
e quer dizer “EU AMO VOCÊ”. Os Cazaques
são povos turcomanos procedentes das tundras da
Ásia central, que possui características
físicas idênticas às dos Mongóis.
**Shakira, em árabe, quer dizer “Graciosa”.
***Yishay, ou mesmo que Jéssica, em hebraico, que
quer dizer “Cheio de riqueza”.
****Amarelinha, é um tipo de brincadeira.
Amarelinha ou Academia, é um jogo ginástico
infantil bastante remoto e em alto grau disseminado por
todo o Brasil. No Brasil é dividida em corpo (ABC),
asas, braços ou descanso (DD), pescoço ou
inferno (E) e cabeça, céu ou lua (F). Além
disso, pode ser com casas numeradas e no topo (Céu),
descanso, etc.
Jogam arremessando com um único pé uma pedra
chata até a Lua e contornando ao começo
do corpo, a primeira casa, sem socorrer-se do outro pé.
Somente no alívio é aceito colocar um pé
de cada lado. O outro modo de jogar a amarelinha é
colocar a pedra na primeira casa e ir saltando num só
pé transversalmente de todo o desenho e retornar.
Passa a pedrinha para a segunda casa e deste modo de contínuo
até a Lua e regresse ao início. Perde a
vez de atirar quem tica (toca) o chão com os dois
pés ou pisa na baliza do gráfico.
À
minha amiga bela de Mossoró-RN, Jéssica
Cavalcante Montenegro.