O Lançamento dos Livros


Há pouco tempo, lendo o livro de Paulo Coelho, "O Zair"( por sinal que li duas vezes, pois da primeira não gostei, da segunda , gostei muito como gosto de tudo que ele escreve). Ele falou sobre o lançamento de seus livros, lá pela Europa. Nem pensei que desse tanto trabalho assim e vejam bem, que nem sou tão famosa como Paulo Coelho (modéstia a parte . É claro).

Sei que vocês estão me criticando e eu também, mas não faz mal. De um modo ou de outro tem que se começar um dia. Sei que o caminho é longo, mas tudo começa com o primeiro passo e eu sou nova ainda. Chego lá, com certeza! Esperança é que não me falta. Bem, vamos ao assunto em pauta: livros prontos
(meio prontos) pois agora é que vejo as falhas. Perdoe-me mas quando eu chegar a ser como uma Lia Luft da vida, estarei bem melhor, espero.

O digno presidente da Academia Calçadense de Letras, marca a data e quase todo dia me telefona, começa com aquela voz macia:

- Minha poetiza...
- Chega, Édson...
Acerta daqui, dali eu previno:

- Édson, por favor, você e a Débora não façam tantos elogios, não teçam tantas loas. Menos, por favor!

Perdi horas de sono, pensando no bom andamento, nos detalhes, aí, na outra noite resolvia mudar tudo.

Enfim, fiquei em frangalhos e Édson me dizia:

- Minha poetiza, fique calma, a Sra. não precisa pensar em nada, deixa por nossa conta, só quero que a Sra. esteja linda (imagina, essa era a parte mais difícil "estar linda", como se dependesse).

Olha gente cheguei até pensar em desistir, morrer seria a melhor solução, arquitetei pular da ponte de cabeça para baixo. Mas para ter coragem precisava de um empurrão.

- E quem ia empurrar?
Confidenciei o plano à minha prima segunda Eliane, esposa do Écio Abreu. E ela foi categórica:

- Nem adianta Verconda, você vai é quebrar o pescoço, morrer afogada não consegue, o rio está quase seco. Não achando quem dissesse:

- Bobagem, isso é pecado mortal (sabe, hoje em dia, ninguém acha que nada é pecado, ainda mais mortal!).
Encomendei os salgadinhos para o "cocktail".

Uns diziam é pouco, outros, tá bom. Enfim optei pelo "tá bom".

E o clube?

Luciano, um amigo da família, dizia, deixa comigo e nem se mexia. Já estava chegando o dia.

- Bem Dona Verconda, não conseguimos as flores.
Mais nervoso.

Enfim, dois dias antes, fiquei anestesiada, uma paz tão grande me invadiu o corpo e a alma. Não pensei mais em nada. Lembrei daquela expressão em latim "Alea jacta est"ou seja "a sorte está lançada". Seja o que Deus quiser.
Chega quinta, sete de setembro, Luciano diz: vamos improvisar, muito verde, coisa de roça mesmo, como sua infância.

Verônica me disse, colocaremos umas araras e macaquinhos de madeira.
- Não, por favor, nem pensar!

- Mãe seu livro fala nisso, está de acordo.

E eles num entra e sai da minha casa, sem nada nas mãos. Então eu disse: levem esse arranjo de flores artificiais, está muito bonito.

- Não, não precisa.

Chega a hora, coloco um belo vestido, cabelo um luxo (eu mesma me penteei) sapato apertando, lá vou eu.
Na chegada do Clube me deslumbrei, um belo jardim "Fake", coisa de Luciano, pequeno devido ao espaço, cortando-o um caminho florido coberto de folhas secas, lembrei-me de Leo Buscaglia, no seu livro "Vivendo, Amando e Aprendendo" onde ele confessa ser apaixonado por folhas secas.

Muito bonito!

Quadros em pintura a óleo pelo meu filho Javerson. As pilastras decoradas com folhas de coqueiro e flores. Discretos e muito bonitos. A disposição das cadeiras, como nunca fizeram antes. A mesa central tendo à frente um belo arranjo de copos de leite (gentileza de minha prima Nininha) e do bom gosto de meu filho Cícero.

Enfim, tudo um sonho.

Luciano havia me falado numas quinquilharias no palco onde iam fazer uma peça infantil, que se dependesse dele seria cortado (mentira, para me deixar mais tensa, mas como eu disse, nada mais me importava).

Composta a mesa, os confrades e confreiras à postos, chama a estrela da noite (eu).

Ladeada dos filhos mais velhos Javerson e Jefferson, adentro ao recinto (acho muito bonito esse "adentro ao recinto" é chique).

Os convidados iam chegando, lotaram o clube.

Édson deu início, tendo ao seu lado minha amiga Débora.

É convidada a meiga Helena (até o nome é bonito), nove aninhos, para declamar uma poesia de minha autoria, que ficou perfeita na interpretação da garota revelação.

Abrem-se as cortinas do palco, lindo cenário, e uma voz suave começa a narrar fatos da minha vida, desde o trajeto descalço para a escola, sozinha, naquele caminho deserto e Emily uma linda jovenzinha, filha de Luciano Barelli e Marluce, baila suavemente, no meio do clube. Deita-se, como se estivesse dormindo. Sonha meus sonhos. O tempo passa, chega a mocidade, a escola. Me emocionei ao ver minha primeira escola Escola
Singular "Boqueirão".

Chorei por dentro em silêncio e até agora ao escrever, me veem lágrimas aos olhos.

Parabéns, Escola "Céu Azul", na pessoa de Joanessa, a quem sempre admirei por seu belo trabalho à frente dessa escola modelo e às suas eficientes colaboradoras, em especial à professora Bianca pelo trecho escrito por ela.
Perfeito.
Professor Antônio de Souza, também abrilhantou o evento com seus pequeninos alunos.

Número musical ao teclado por João Victor, neto da poetisa Dr. Neumar.

O coral Vozes da Montanha, abrilhantou o evento.

Enfim, tudo perfeito.

Eu não deixava de olhar tanta gente e pensar no bendito ''cocktail".

Mas como não havia mais o que fazer...

Édson me passou a palavra, fiz o agradecimento e como sou mesmo uma desastrada, dei por encerrado. Olhei para ele que sorriu e ficou por isso mesmo.

Autógrafos.

Cumprimentos.

Apagaram-se as luzes e eu repeti o que escreveu a querida Nisia Campos ao prefaciar meu livro de crônicas:

"Sursun Corda".

Setembro/06

Verconda Espadarote Bullus
vespadarote@hotmail.com



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