Casal de taturanas no Hotel do Tina
Foi
nos dias que antecederam ao fechamento do Hotel do Tiná&dª
Tita,situado na Praça Governador Bley.
Bebé
(corruptela de Benedita) trabalhava como doméstica na
cidade do Rio de Janeiro.Mironga,que ainda não era ator,
já a namorava.Poucos sabem que uma das patroas de Bebé
era calçadense e se chamava Anália.
Certo
dia,estava Anália a ler "A Ordem",quando Bebé,que
varria a sala,perguntou à sua patroa se havia alguma
notícia sobre política naquele jornal.Anália
respondeu-lhe que quase nenhuma mas em compensação
havia uma extensa matéria sobre a festa da cidade.
-Que
cidade, patroa?- perguntou Bebê.
_Ora,a cidade em que nasci.São José do Calçado
é seu nome.
-E
é uma cidade bonita?
-A
mais bonita do mundo!E como lhe vou dar férias no próximo
mês,faço questão que você e o Mironga
visitem a cidade e fiquem no melhor hotel de lá,o do
Tiná.Hoje mesmo vou à rodoviária comprar
uma passagem para vocês dois no confortável ônibus
da Viação Brasil.
Daqui
em diante,caro leitor,esta história será contado
pelos dois amantes,em e-mails que datam do ano de 2003,que não
posso contar como vieram parar em minhas mãos.É
claro que eles rememoram nos e-mails a noite tórrida
que tiveram no hotel do Tiná.
Bebé
para Mironga: Depois de uma reunião tensa com o **,fui
pro meu apartamento.Tava tão cansada,que fui logo pra
cama,meu Sidney Poitier.Mas não dormi.
Fiquei lembrando da melhor noite que a gente já passou
junto,meu nego,naquela cidadezinha do Espírito Santo,se
não me engano,Calcado. Nome esquisito.Nem a gente,meu
Denzel Washington,na força da juventude,agüentou
a noite no ônibus da Empresa Brasil.Foi quebrando do Rio
a Calcado,não foi?Mas descemos em Bom Jesus e seguimos
de táxi até Calcado.Pagamos mais pelo táxi
do que pela viagem de ônibus,as duas passagens juntas,não
foi?Não vá fundo na buchada de bode,meu nego.Tua,Bebé.
Mironga
para Bebé:Minha deusa,minha Whitney Houston,só
comi umas tripas refogadas e uma chuleta grelhada com jiló.Nada
mais.Bem,uma feijoadazinha também,pra não perder
o costume ... E uma cachacinha pra queimar a gordura e umas
cervejinhas pra tirar o gosto da mardita,pra enxaguar a boca,você
sabe.
Nem me lembre aquela viagem de ônibus!Sabe o que o sacana
do motorista me disse quando o ônibus quebrou pela última
vez,na entrada de Bom Jesus?"Agora o motor fundiu,moço!Antes
de ficar reclamando,você devia era me agradecer por eu
trazer este ônibus até aqui.O motor podia ter fundido
na Serra do Capim,a uns 70 km depois de Teresópolis,quando
ainda estava aquele frio!O que não entendo é que
este carro era o mais conservado da empresa, tinha sido revisado
anteontem,a fina flor,o orgulho da empresa...”
Quase dei uma cabeçada nele,meu xodó.Quero apenas
lembrar do nosso ninho de amor.Sempre teu,Mironga.
Bebé
para Mironga:Tô pensando seriamente em pedir demissão
do cargo de ministra,meu Wesley Snipes.Tão me pressionando
demais, inclusive a imprensa.Pra quê fui à Argentina?!!
Melhor a gente lembrar dos velhos tempos.Por que tu não
queria satisfazer minha tarazinha,Mironga?Tu sabe que fico excitada
dessa maneira.Beijão de beição,meu Morgan
Freeman.
Mironga
para Bebé: Renuncia, minha Roberta Flack,manda eles todos
pra aquele lugar.Minha beiçudinha,tu não sabe
que eu gosto da tua tara?Tanto que fizemos.Era maio e fazia
um frio desgraçado em Calcado,que eu nunca tinha sentido
em lugar nenhum.Um nevoeiro só.A noite,um breu.Nem uma
alma viva lá fora.2 da madrugada!!, moreco. Mas tudo
bem.Saí,botei a melhor roupa,andei até o cinema
da cidade e voltei.Bati na porta do Sr.Tiná.O velho custou
a acordar e perguntou: "Quem está batendo?"Eu
disse e ele abriu a porta,zangado. "Isso é hora
de bater na porta,seu moço?Tá passando mal?"Tô
bem,seu Tina,só queria um favorzinho seu.""Que
favor?""Ontem eu vi o Sr. chegar de cavalo ... Bem
... Como vou dizer? ... Eu só queria que o Sr.me emprestasse
aquele chicote que estava usando.""O Sr.vai montar
cavalo a essa hora da noite??!! ""Não, não
vou,vou montar,isto é,não vou montar,claro,só
vou fazer uns exercícios com o braço pra esquentar
o corpo.Tá muito frio.Me empresta?""Muito bem,desde
que o Sr.me devolva o chicote em bom estado amanhã ...
É com ele que eu vou à minha roça."
Neste
ponto,peço desculpa ao leitor.Não vou poder reproduzir
textualmente os e-mails trocados pelos amantes.Há muitos
termos pesados,coisas que amantes falam entre si, mas que não
fica bem dizer num site aberto a todas as idades,como o Broinha.Vou
ter que narrar eu mesmo as cenas seguintes.Mas todas elas se
baseiam nos emails,embora amenizadas aqui e ali.
Bebê
olhou o relógio de cabeceira. Contava os minutos,tinha
pensamentos loucos-será que o Mironga se perdeu na cidade?Será
que foi assaltado?Não, não pode ser,a cidade é
muito pequena.Então ela se entregou novamente às
suas loucas fantasias eróticas.Sua respiração
se tornou difícil,estava excitada,já pusera o
baby-doll vermelho,com um pompom de coelhinha de Playboy no
traseiro,como o Mironga apreciava;apurava os ouvidos tentando
ouvir os passos do Mironga. Nada. Silencio completo.A expectativa
a deixava muito agoniada,uma agonia gostosa que punha em pé
todos os cabelinhos de seu corpo.Parecia que o frio aumentava
ainda mais a excitação.Neste ponto,ela ouviu passadas
fortes no assoalho do hotel.Só podia ser o Mironga.Eles
dois eram os únicos hospedes do hotel.Notou que as passadas
passaram pelo seu quarto e se perderam no fim do corredor.Mas
depois de alguns minutos,elas retornaram e Bebé sorvia
o ar com dificuldade,seu coração estava a mil.
A
porta se abriu e um vulto alto e forte,agitando um chicote,muito
bem vestido surgiu à sua frente,fraca mente iluminado
pela luz que vinha do poste da rua.
-Mironga,é
tu?
-Quem
mais podia ser,minha alma,minha cadelinha?
Assim
que fechou a porta,o Mironga disse para Bebê rastejar
até ele. Ela,obediente,fez o que lhe fora dito,mas com
uma diferença: balançou provocativa mente as nádegas.Por
este ato de rebeldia Mironga,temperamental,lhe aplicou umas
leves chicotadas nas nádegas e advertiu-a para não
ser provocativa sem que ele lhe ordenasse.Bebé soltou
um "sim,senhor",antes que ele lhe batesse novamente.
Bebé,de quatro junto à cama,aguardava novas ordens.E
Mironga,agora numa extremidade da cama,só de ceroula
samba-canção,ordenou-lhe que se pusesse ao comprido
na outra extremidade, nádegas para cima.E ela assim o
fez. Mironga,então,colocou- lhe uma venda nos olhos e
lhe algemou os pulsos.Bebé gemeu de prazer e começou
a antever uma noite dedicada ao gozo selvagem, bestial,já
que ela adorava aqueles rituais de submissão e seu parceiro,por
sua vez,era doido para se transformar em sádico impiedoso.
Mironga
então pegou o chicote que atirara para debaixo da cama
e deu um golpe no ar,tal como um domador de leão no circo.E
perguntou:Você será submissa a todos os meus desejos?-Ao
que Bebê respondeu,muito humilde,fazendo beicinho:--Oh,sim,senhor.0
quê o senhor desejar.-Então Mironga começou
a brincar com as nádegas de Bebé,dando-lhe pequenas
chicotadas.A cada golpe,Bebé gemia mais ruidosamente
de prazer e falava,cheia de humildade: Obrigado,senhor,glória.glória!A
essas palavras, Mironga tornou-se visivelmente excitado,como
evidenciado pela ceroula.Ele brincou com os bicos dos seios
de Bebé e tocou em partes tão ou mais sensíveis
do que estas,o que a levou à loucura.E foi na loucura
de seu terceiro orgasmo que ela deixou escapar sua atração
pela política,ao gritar: "Lula-lá,Lula-lá,
Lula-lá"(que,aliás, se tornou muito mais
tarde slogan de campanha de um candidato a presidente do Brasil.Foi
neste quarto e nessas circunstâncias que ele surgiu.Bebé
já admirava o jovem líder sindical barbudo). Ressabiado,Mironga
perguntou quem era Lula-lá e Bebé lhe disse,um
tanto atrapalhada,que era o nome dum gato que gostava de se
esfregar nas suas pernas.
Foi
neste momento, perdendo toda a paciência, retirando da
cabeça seu gorro branco que lhe cobria até as
orelhas,que o Tiná se levantou da cama,botou um casacão
de pele de burro por cima do camisolão,meteu os pés
em sapatos camurçados,pegou sua garrucha,carregou-a valente
e furiosamente pela boca,atravessou a distancia que separava
seu quarto do daquele do casal safadamente barulhento,e abriu-lhes
a porta com uma saraivada de tiro na fechadura,ato tão
violento que deixaria o Arnoldão Schwarzenegger com inveja.
Depois que a fumaceira se dissipou,Tiná disse muito danado,veias
do pescoço estufadas:
-Seu casal de taturanas!! Façam as malas e saiam já
do meu hotel!!Isso aqui não é zona não!!
Expedição Punitiva ao Luciano Medina
0
Luciano Medina era o sujeito mais implicante que o sol cobre.O
sujeito incomodava tanto que já adquirira,há cerca
de uns trinta e tantos anos, imunidade natural contra carrapatos,
piolhos, pulgas e outros insetos conhecidos por sua aporrinhação
no pelame dos humanos.Um carrapato pensava duas vezes antes
de se alojar no corpo do Luciano e inevitavelmente desistia.O
sujeito tinha uma imaginação fértil para
criar situações que nos pusessem em ridículo,que
nos envergonhassem. Por exemplo,tinha o costume de chegar muito
de mansinho atrás de nós e arriar o nosso short,com
cueca e tudo,para que todos vissem nosso pinto(peço desculpa
às pessoas de pudor mais delicado por usar este termo)
e,mais envergonhador ainda,nossa bunda.
(Não éramos nem somos adeptos do costume esquisito
dos norte- americanos de mostrar a bunda para insultar alguém.Para
nós,povo subdesenvolvido,essa parte do corpo só
serve como espécie de almofada,sentador—e nada
mais.Se tivermos que mostrar algo,mostramos nosso membro e o
balançamos.Mas como não somos exibicionistas,nem
o dito membro mostramos e fazemos com os dedos da mão
um gesto que o substitui.Aliás,por falar em gesto,achamos
no mínimo estranho outro hábito do mesmo povo
de fazer uma rodinha com os dedos pra dizer que está
tudo bem,tudo ok.Somos atrasados mesmo.)
Mas
voltando à peste do Luciano Medina.Devemos confessar
que,lá no fundo,sentíamos inveja do sujeito. Era
mais velho do que a gente e se metia em brigas e quase sempre
se dava bem.Uma vez ele brigou de faca com não sei quem
e levou um corte profundo num dos braços.Minha inveja
por ele cresceu incomensuravelmente.Para ser franco,nós
até gostávamos dele.Porém,era simplesmente
impossível estar em paz com ele.Parece que ele tinha
a idéia fixa de nos expor ao ridículo,em zombar
de nossas pequeninas vaidades.Mas não se pode negar que
ele tinha carisma,isto é,tinha uma capacidade incomum
de liderar,de conquistar a simpatia das pessoas.Não sei
se ele procurou desenvolver essas qualidades mais tarde em sua
vida.Se não o fez,deixou morrer um dom que lhe era inato.
Como eu queria ter levado aquela facada que ele levou,desde
que não resultasse em óbito lavrado pela minha
chorosa tia Edissé,dona de cartório na mesma Gov.Bley,local
de habitação de todos os personagens dessa lembrança!
Exibir uma prova daquela como sinal de macheza para as garotas,seria
o máximo,a glória para o guri desmiolado que eu
era.
Mas
apesar de toda essa inveja e dum dedim de admiração,estávamos,eu
e meus primos Gilberto e Zé Antonio dispostos a aplicar
uma punição no Luciano.Todos éramos vizinhos
e nesta ordem:Luciano Medina,eu e Gilberto Juquita.
Talvez
pra pensar numa judiaria de grande porte o Luciano às
vezes se sentava na parte mais alta do muro do Grupo Escolar
Manoel Franco e lá de cima,como um gavião,olhava
suas vítimas brincando na calçada ou no terreno
baldio do antigo cemitério, onde jogávamos as
nossas peladas,e calculava o momento ideal de desfechar um vôo
mortal sobre suas presas distraídas. Estávamos
cheios de tudo aquilo,não agüentávamos mais
ficar só no prejuízo,tínhamos que ir à
forra!
Conferenciamos
e brotou a idéia: ele, Luciano,gostava de uma relíquia
tecnológica,escondida debaixo do assoalho de sua casa.Era
um telefone muito antigo,de arcabouço de madeira,medindo
uns 60 centímetros de altura por uns 20 centímetros
de lado.Para pedir linha,era preciso girar uma manivela; falava-se
por um bocal preso na madeira e para escutar, punha-se uma espécie
de copinho no ouvido,ligado ao aparelho por um fio.O dial assemelhava-se
muito ao de hoje.Pois bem.A idéia era furtar aquela engenhoca
e conservá-la o máximo de tempo em nosso poder,para
que o Luciano ficasse doído sem atinar com o que fora
feito dela.
No
dia aprazado, entramos no quintal do Luciano por brechas na
cerca.O Gilberto ficou na parte do quintal de onde se via a
entrada principal da casa,atrás duma árvore e
o Zé Antonio ficou na outra,isto é,naquela onde
se situava a garagem.Se eles vissem qualquer morador caminhando
para o quintal,eles dariam o sinal e iríamos embora.Eu
estava escalado para ir até onde estava o telefone e
pegá-lo.
E
tudo correu muito bem.
Quando
o Luciano se deu conta do sumiço do telefone,não
sei por que ele logo desconfiou de nós três-talvez
tivéssemos esquecido alguma coisa nossa por lá.E
a onipresente pedra em nosso sapato começou a nos fustigar
com ataques relâmpagos.Nem bem saíamos de casa
e ele corria em nossa direção,nos pegava e nos
aplicava uma saraivada de cascudos, e exigia o telefone de volta.Estávamos
sem saída,teríamos que devolver o telefone ou
continuar a levar cascudos cada vez mais fortes.Era uma humilhação
pra gente ter que fazer o que ele exigia.
Novamente
entramos em conferencia e depois de muito bate-boca boca,resolvemos
adotar uma solução intermediária,que não
satisfizesse inteiramente nenhum dos lados em contenda.O quê
fizemos? Simplesmente desmontamos tudo o que fosse possível
desmontar da engenhoca, inclusive suas partes internas, e a
devolvemos para seu local de origem.
Assim,conseguimos
uma meia vitória e o Luciano nos deu uma trégua
de alguns meses.
Uma Tarde no Matadouro
No
meu tempo de moleque o matadouro de Calçado praticava
o que agora se denomina uma "operação tecnológica
de baixo nível científico" no abate de gado.Não
sei se o abate em Calçado evoluiu ao ponto de minimizar
o quanto possível o sofrimento dos animais.Essa preocupação,no
entanto,tem por causa não tanto o amor ao boi quanto
preocupação por aquele que come sua carne,desde
quando se provou em laboratório que uma rês que
pouco sofreu terá melhores chances de ser mais agradável
ao paladar—mais tenra,mais saborosa,mais saudável,enfim,para
o consumo,que me desculpe o sr boi.
Portanto, trate bem de um boi em seus últimos anos de
vida, se quiser que ele dê um bom churrasco.
0 antigo matadouro de Calçado,para quem não sabe,
ficava onde hoje funciona um posto de saúde,próximo
ao terminal rodoviário,à beira do rio.
Quando era dia de abate,quase sempre à tardinha,descíamos
correndo a ladeira e trepávamos nas tábuas do
curral e ficávamos aguardando o momento em que o pobre
animal seria laçado e puxado para dentro do imenso—assim
o viam nossos olhos infantis--interior do matadouro.Claro que
desejávamos que a vaca opusesse as maiores resistências
para ser retirada do curral ou até fugisse dele e ameaçasse
chifrar toda a população de Calçado,só
para a gente ver a farra,pois cabeça de moleque só
pensa besteira,malfeitos.Não gostávamos de rês
mansa, paradona,queríamos ação,queríamos
circo,ou melhor,tourada. Então,atirávamos pedra
no animal e só parávamos quando algum responsável
pelo matadouro chegava perto da gente e passava uma descompostura
em regra,de deixar a nossa cara pegando fogo de vergonha.
Quando punham a rês para dentro,tínhamos uma decepção,
pois fechavam as duas grandes portas,a de fora e a outra por
onde a rês entrava a partir do curral anexo. Entrava para
ser morta,sangrada,perfurada,retalhada,judiada, pois um dia
descobrimos uma fresta na porta e a alargamos um pouco com canivete.
Passamos a ver coisas muito interessantes e tristes.Essas emoções
se consorciam muito bem na alma infantil.A irrefreável
curiosidade equilibrava a crueza chocante do que víamos.Já
a capacidade analítica maior no adulto,as separa mais
facilmente,isso talvez lhe trazendo mais inquietação.
Não me recordo se praticavam algum método de atordoamento
do animal.Talvez lhe dessem uma marretada na cabeça,mas
não estou certo. Recordo,sim,de ter visto um magarefe
enterrar um instrumento redondo e pontiagudo entre os chifres
do animal,logo atrás da cabeça,naquela região
onde existe uma depressão.Sei que ouvíamos mugidos
de pavor e dor.
Depois,havia a sangria,que era feita enterrando-se uma faca
na região próxima à barbela do bicho--aquela
pele pendente,tremelicante de seu pescoço.Quando terminava
a sangria,o corpo sem vida era puxado,por meio de uma roldana
presa a uma viga no alto,para ser esfolado.
Um detalhe que ficou gravado em minha memória era o de
um negro muito forte que sempre aparecia durante a sangria e
que colocava um canecão onde o sangue jorrava forte e
assim o recolhia,para em seguida bebê-lo ali na hora,ainda
quente,sem nada adicionar a ele.Diziam que punha um pouco de
cachaça no sangue, mas nunca vi isso.Eu me perguntava
como aquele sujeito tinha estômago para engolir aquilo.Eu
bebia ovo cru,achando que com isto me tornaria um moleque muito
forte e sadio.Talvez aquele sujeito pensasse o mesmo a respeito
do sangue.
Carlos Rezende