Mais esta noite não dormi, porém foi bom
Porque fiquei a colocar minhas idéias em ordem.
Na minha cama vazia, sentia sua presença
Pelo cheiro que ainda sinto do seu corpo admirado.
Você
se foi definitivamente; com sua despedida
Ficou um vazio grande e com ele foi também a esperança
De tê-la de novo entre meus braços.
Sinto ainda seu sussurro aos meus ouvidos como no passado.
Com
você, aprendi muitas coisas. Aprendi que o amor
É o único jogo em q ue não se joga sozinho.
É preciso de duas pessoas, para ambas ganharem.
Com você aprendi a ter fé e acreditar.
Com
você, meu mundo foi bonito e eu não via.
Não conseguia enxergar a beleza escondida
Atrás de sua alma cuja presença agora me fortalece
E me traz a certeza que fui feliz e não sabia.
Com
você, aprendi a caminhar agora que estou sozinho
Porque me ensinou a dar os passos que eu não sabia.
Foi preciso você me deixar para eu ver o tamanho da estrada
E o volume do amor que você me tinha.
Com
você, aprendi na dor sentir a presença de Deus
Que há de iluminar meu caminho que ainda vou trilhar.
Com você, fui descobrir que para as coisas acontecerem
É preciso aceitá-las do jeito que acontecem.
Você
foi a esperança que eu havia perdido,
Embora essa esperança agora tenha ido com você.
Você deixará saudades de momentos bem vividos
Que jamais deixarei que se apaguem em meu coração.
Não
se pode esquecer-se dos momentos bons ou tristes.
Guardarei comigo a imagem sua da forma que sempre foi.
Até das águas do mar descendo pelas curvas dos seus
seios,
Obra perfeita da natureza que me fez contemplar,
Seu
corpo moreno, sua boca de um sorriso inigualável
Ficarão guardados comigo, embora nunca possa tocá-los
novamente.
Serão a lembrança dos dias que passamos juntos
E estarão nos meus pensamentos eternamente.
Não
são minhas as palavras finais desta mensagem.
São de um poeta de quem minha saudosa mãe sempre
me falava.
Para Alceu Wamosy era mais fácil traduzir os sentimentos
E através de seus versos quero que saiba que amei você.
“Ó
tu que vens de longe, ó tu que vens cansada,
Entra, e sob este teto encontrarás carinho.
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho.
Vives sozinha sempre e nunca foste amada...
A
neve anda a branquear lividamente a estrada,
E a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
Se banhem no esplendor nascente da alvorada.
E
amanhã quando a luz do sol dourar radiosa
Essa estrada sem fim, deserta, horrenda e nua,
Podes partir de novo, ó nômade formosa!
Já
não serei tão só, nem irás tão
sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...”
Este
soneto se chama DUAS ALMAS.
Duas almas que um dia se encontraram e depois se separaram.
A culpa foi do destino implacável que, inexoravelmente
Não permitiu a continuidade de um amor tão lindo.
O
dia em que eu me for para sempre,
Tenha certeza de que meu espírito irá, na ausência
do brilho,
Nas suas entranhas se encarnar no feto que carregará,
Para te amar e ser amado, pelo menos seu como filho.
Lembre
sempre que “quando o amor voz fizer sinal, segui-o;
Ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
Ainda que a espada escondida na sua plumagem voz possa ferir”
Marcio José Furtado
marciofurt@yahoo.com.br

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