Corria
o ano de 1989, quando acompanhei nosso fiscal Elias Acha numa
vistoria na propriedade do Sr.Argeu Hilário Capetini,
embaixo da pedra do Pontão, em Bonsucesso. Havia urgência
nas vistoria, para que fosse, se tudo estivesse em ordem, liberada
a segunda parcela de seu financiamento.Por isto, fomos naquela
sexta-feira.
Chegamos na casa do Argeu, em Bonsucesso, por volta das 3 horas
da tarde e, como sempre aconteceu, fomos muito bem recebidos
por ele e sua esposa. Tivemos que esperar um pouco, pois o Jeep
que estava em boas condições de nos levar, os
outros dois estavam com problemas mecânicos e não
inspiravam confiança, havia saído com seu filho,
ás no volante, segundo Argeu, e não demoraria.
Como de fato, sem muito atraso o veículo chegou e pegamos
estrada. Só subíamos. Passamos pela propriedade
do Zé do Gastão e continuamos subindo. Mais algumas
subidas numa estrada tipo caracol, bem sinuosa , finalmente
chegamos. A pedra do Pontão estava lá, imponente,
desafiadora, linda. Sentei-me próximo a ela, enquanto
os outros três foram visitar a lavoura de café
e o feijoal. Demoraram um bom tempo e quando retornaram já
estava escurecendo. Faróis acesos, iniciamos a descida.
Pouco andamos quando acabou o freio. O motorista pedalava buscando
o freio e nada. O jeep despinguelou estrada abaixo. O recurso
usado para tentar controlar a velocidade, foi reduzir a marcha.
Continuamos em boa velocidade e, para nosso menor desespero,
o rapaz era bom no volante. Curva vai, curva vem, passamos por
uma estreita ponte de madeira e, quando pegamos a estrada principal,
a bateria arriou e com ela os faróis e lá vai
o carro. Nós já estávamos aproximando de
Bonsucesso, quando avistamos, com ajuda do luar, grupos de pessoas
indo para a ladainha a ser celebrada na vila. Argeu, desesperado
e temendo o pior, se enfiou no rasgo da pouca capota do jeep
e lá do alto começou a gritar para o povo sair
da frente. O que se viu foi gente pulando no mato de qualquer
maneira. Com esta algazarra toda, entramos triunfalmente em
Bonsucesso, com relativa velocidade. Passamos pelo armazém
do Henrique, subimos pela rua da venda do Vergílio Astlpho,
contornamos a casa do Doca Possi com o Argeu gritando para que
segurassem o carro.Até que enfim, o jeep foi “freado”
à mão. Puseram pedra, madeira etc. na frente para
conter o embalo que já não assustava mais. Descemos,
fomos para a casa do Argeu e, para colocar os nervos no lugar,
fomos “obrigados” a saborear uma boa cachaça,
acompanhada de carne de boi e porco. Argeu, com seu sorriso
largo, encheu o peito e disse “não falei que o
meu menino é bom no volante? O carro é que me
surpreendeu”.
Guido
Rezende
guidorezende@hotmail.com
