A Casa da Praça

Pequenina, aconchegante, com uma vista privilegiadada praça, da Igreja Matriz.
Dos fundos, os Pontões e muitas montanhas.
Só não dá para ver o pequeno Rio Calçado. Que pena!
Lá longe, onde meus olhos alcançam, estão os morros, onde outrora os cafezais floriam.
Perfume de flor de café de minha infância.
Saudades...
Vejo a sucessão de montanhas que certamente culminam com a Serrinha, lá para as bandas de São josé de Ubá. ( Bem, isso já é miragem).
A casa pequenina do Sr. Manoel Vieira e dona Rita, agora por uma deferência especial da Lúcia Abib, me resguarda da chuva, dos vendavais e do sol inclmente.
Cuido dela com carinho.
Cada cômodo me lembra seus antigos donos.
Ela foi feita sob medida.
O banheiro, principalmente: uma banheira minúscula, exclusiva para dona Rita, pequena no porte, gigante em tudo de perfeito que convém a uma mulher.
O boxe tão pequeno que não dá pra se virar.
Bidê, peça de muito tempo atrás.
O lavatório também antigo.
Tudo muito bem conservado e que nao se pode substituir.
O assoalho de táboa corrida, de moderno, o sinteco.
Muito gostosa a casa.
Um quintalzinho que esta sempre florido e muito limpo.
Eu o conservo assim, é minha terapia.
Passo por lá"n" vezes ao dia, não me canso de admirá-lo.
Na verdade, nem uma flor com "pedigree" mas é na singeleza de suas flores que pousam borboletas, abelhas, beija-flores...
É ali na varandinha simples, dos fundos, que recebo todas as visitas. Ela dá acesso á cozinha, onde sempre sai um café quentinho ou um suco.
São visitas pontuais que quase todas as manhãs chegam para um dedo de prosa.
As cadeiras são muito confortáveis.
Sou feliz, estou feliz.
Aprendi no cursilho "floresça onde Deus te colocar".
Os dois garis de minha rua sempre mudam meus vasos de lugar e aceitam um cafezinho.
As crianças da escola desfilam pela minha calçada, de mãos dadas com suas mães.
Os maiores que vêm de ônibus, da zona rural, para o Colégio de Calçado, costumam matar aulas e ficam de namorico na porta da Igreja.
Penso no austero Padre Amando, que deve estar de bruços no túmulo.
A Igreja, assim de perto, parece majestosa.
A serra do Jaspe, quase toda escondida pelas construções, mas ainda sobra um pouco para mim, que aprendi a amá-la desde muito cedo.
Assim vou vivendo o que ainda me resta nessa existência.
Uma calmaria só, e o mundo pegando fogo lá fora.
A tão desejada paz que ELE disse: "Eu vos dou a minha paz..." começa no lar e se cumprirmos o que ELE resumiu "Amai-vos uns aos outros..."o mundo fica melhor e o "venha a nós o vosso reino" será realmente estabelecido aqui na Terra.
Não é tão dificil assim, basta boa vontade.
E para mim, boa vontade é o que nao falta.

 


Verconda Espadarote Bulus
www.poesiaempauta.fst.br – site da autora.




 

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