Quem ainda não ouviu dizer que o tempo é o melhor
remédio, para esse ou aquele problema? Quem, durante
suas quase incuráveis crises de nostalgia, não
experimentou esse remédio e se curou dos males que já
sentiram? Quem ainda não descobriu a força que
o tempo tem em tirar do nosso coração aqueles
sentimentos, seja de amor ou de ódio, que achamos que
jamais nos abandonarão?
Sempre que estamos em crise,
ouvimos que o tempo é a melhor solução
e, às vezes chegamos a duvidar disso, face o tamanho
do problema que nos aflige. Mas, não tendo outro jeito,
acabamos deixando o tempo passar e, com ele, o que nos aflige
também se vai. De fato, para muitos males, principalmente
para aqueles de ordem emocional, não existe mesmo outro
remédio.
Alguns casos de relacionamentos
amorosos, como numa virose, nos pegam desprevenidos e nos derrubam.
Nosso ser, um pouco vulnerável (com baixa imunidade)
pode se deixar contaminar e por um determinado período
vai sendo machucado muito, pois as dores que surgem são
grandes e ferem profundamente. Durante o período da doença
(defino assim um relacionamento amoroso que tem indícios
de não dar certo), existem momentos de alívio
como se houvesse algum tipo de reação do nosso
próprio organismo que, embora debilitado, vai conseguindo
superar as adversidades. Assim como, também no período
de convalescença, fica difícil suportar as conseqüências
desse “vírus” que vem, se instala e depois
vai embora.
Da mesma forma como ocorre numa
virose que pode desencadear uma forte gripe ou mesmo uma conjuntivite
crônica, deixando seqüelas que são irreversíveis,
quando não se têm os devidos cuidados, um relacionamento
amoroso desse tipo pode, de certa forma, ser complicado. O remédio
também é esperar e cuidar apenas das conseqüências.
Ficam cicatrizes, algumas profundas que se transformam em queloides,
enquanto outras nem sequer são percebidas depois.
Dai se consegue aprender muita
coisa e, embora fiquem ressentimentos e mágoas pode-se
perceber que de fato o tempo é o melhor remédio
e deixa para trás aquilo que parecia não ter solução.
Somente depois que se passa por um processo desses é
que se sabe o quanto é importante ouvir a voz da razão
e deixar que o tempo (bendito tempo!) venha apagar aquilo que
o coração sempre acha que não vai acabar.
Em determinados momentos da
vida a gente chega a dizer que "difícil não
é lutar pelo que mais se quer, e sim desistir do que
mais se ama. Eu precisei desistir. Não pense que desisti
por não ter mais forças para lutar, mas sim por
não ter mais condições de sofrer.”
Todavia, quando a tormenta se vai, vão também
os pensamentos negativos e a gente se envergonha de ter imaginado
que o sofrimento não acabaria. Com o tempo, a gente supera
e pode dizer que aquelas pessoas que nos magoaram fizeram apenas
o que sabiam fazer, em função das condições
de suas vidas e da falsidade de um sentimento que parecia ser
belo; a vulgaridade e insensatez de certas pessoas são
capazes de transformar em desprezo as pequenas alegrias proporcionadas
por elas mesmas e nos deixam apenas a sensação
de que passam por nossas vidas sem deixar sequer saudades. Assim
como passam por nós uma virose, quem será capaz
de ter lembranças boas de uma gripe ou uma conjuntivite?
Marcio
José Furtado