As Peraltices das Meninas Matilda e Cacilda.


Matilda e Cacilda, duas formosuras cariocas, por motivos já expostos em alguns relatos nesta revista eletrônica, foram subtraídas do senhor Petrônio e, posteriormente, do senhor Melgaço. Em ambos os casos, o fato ocorreu nos ensaios preparatórios das escolas de samba para o desfile do carnaval carioca.

Petrônio levou uma rasteira de Melgaço, que por sua vez foi surpreendido pela sutileza com que o FCastro se apropriou das meninas. Sem mais nem menos, num belo dia Matilda recebe, pelos Correios, via Sedex, correspondência contendo duas passagens de ônibus Rio – Calçado. Apesar de não conhecer pessoalmente o remetente, acendeu o fogo! Procurou sua irmã Cacilda e trataram de arrumar a trouxa. Era véspera de carnaval. Motivo melhor não precisava. Carnaval, liberdade, libertinagem...Salve o Momo!

Não se sabe o porquê das meninas terem apiado do ônibus ali nas proximidades do Posto Rezende, que, por coincidência, era onde estava o FCastro tomando uma cerveja no bar do Bezerra. Vida que segue. Passaram-se dois carnavais e num dia ainda mais belo que o citado no segundo parágrafo, as meninas simplesmente sumiram de Anchieta, sem ao menos deixar um bilhete sequer de agradecimento pelos belos momentos (também não foram tantos assim!) passados ali na aprazível praia capixaba.

Por que será que o Antônio Cláudio fez essa maldade com o FCastro? Nas conjecturas ao redor de uma mesa de botequim, o que se comenta é que, por algum motivo alheio à vontade do FCastro, as meninas estavam se sentindo mais sugadas que propriamente usufruídas. Não que elas desgostassem da situação, mas variar um pouco quebraria a monotonia, e sempre atiça a imaginação.

Ainda não se sabe como as meninas foram dar nos costados das praias de Nicteroy. Uma das hipóteses é tenham saído de Anchieta nos primeiros raios de sol, de carona na boleia de um caminhão que estava estacionado num posto de combustível, enquanto o caminhoneiro fazia suas necessidades. A BR 101 ficava logo ali na frente, coisa de poucos quilômetros, e aquela placa indicando o Rio de Janeiro era uma tentação!

Também não se descarta a possibilidade das meninas terem caminhado pela costa do Espírito Santo, roçando o Atlântico, dando nos arredores do Porto de Ubú. No porto, a troco de alguns favores, zarparam num cargueiro até o Porto do Rio de Janeiro. Saindo do porto, já perto da Rodoviária Novo Rio, as meninas devem ter se aboletado no ônibus Praça XV – Niterói e descido na Praça Araribóia (Praça das Barcas), terra do bravo índio que se apaixonou pela bela Paraguassú. No ponto do antigo cinema Central, esperaram pacientemente a passagem do Antônio Cláudio. Após o carnaval 2008 saberemos se a ida até Porto de Galinhas foi de avião e de automóvel.

O certo é que o porto faz jus ao nome. Quanto às penas, se sobraram algumas do período FCastro, na volta de Pernambuco, com muita sorte, talvez sobre um único e solitário exemplar, resquício da bela plumagem dos tempos dos carnavais cariocas.

Carnaval de 2008


Gilberto Vieira de Rezende



 

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