Cinco chapéus, 2 cores e 1 solução                                                               


Viveu na Fazenda Velha um cego muito conhecido por sua inteligência. Só tinha a mãe por parente e ninguém
 sabia de onde ela viera.Era quem cuidava do filho cego, que não tinha estudos e aceitava fazer qualquer serviço que a deficiência de nascença permitisse.

Moravam num casebre situado em terra de proprietário rural que não se importava em ceder alguns litros de terra para quem precisasse.

            Por esse tempo eu passava minhas horas vadias na olaria. Gostava de observar a feitura dos tijolos e telhas e a contínua brincadeira do pessoal.

            Certa feita, quando vários homens tinham parado para saborear o almoço das marmitas, o preposto do dono da olaria, um tipo muito brincalhão, reuniu dois de seus homens e o cego Isaías e lhes propôs um problema valendo dinheiro.

            Pintara cinco chapéus de vermelho e branco, sendo dois da primeira cor e os restantes da outra, e pos um jogo de três, um em cada cabeça. Disse-lhes então que aquele que acertasse a cor do chapéu em sua cabeça ganharia uns trocados para a pinga do mês.

            Primeiro deu a palavra ao Camilo, que disse que não sabia nem o que tinha acabado de almoçar—quanto mais a cor dum chapéu que ele não via... Damião, que foi o segundo questionado, disse que também passava. Quando chegou a vez do cego Isaías, todo mundo deu uma risada de deboche. Damião observou caçoando que era pecado mangar de cego. Mas Isaías, a quem foi dada a palavra, disse:

_Não preciso da vista para saber a cor do chapéu em minha cabeça.

_Não vale chute_avisou Camilo.

_Não preciso. Vou dar as razões. Tudo é muito simples. Não ver a cor vermelha é o mesmo que ver a branca. O Camilo não viu chapéu vermelho em minha cabeça nem viu vermelho no da do Damião. Se tivesse visto, acertaria. Também o Damião não viu vermelho na cabeça do Camilo e nem na minha. Com as coisas nesse pé, se nenhum dos dois acertou é porque é minha cabeça só pode ter um chapéu branco.

N.B. O Autor a propor o problema de lógica acima foi Irving M.Copi,em seu livro Introdução à Lógica,Editora Mestre Jou,Exercícios de Raciocínio,problema 2,pág.43.O livro trata da lógica clássica e simbólica,com muitos exercícios e valiosos conselhos.Recomendo.

Teresópolis, 21 de agosto de 2008.



Carlos Rezende



 

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